

É isto que têm de bom os anos setenta. Apesar desde praticamente essa altura ouvir e investigar nomes e bandas da época, de vez em quando surge mais uma de que nunca tinha ouvido falar, não são nada conhecidos, mas são muito bons. Os Jody Grind são um belo exemplo. Há outra banda recente com o mesmo nome. Neste caso são os originais, que lançaram apenas dois discos, em 1969 (One Step on) e 1970 (Far Canal). O primeiro é mais improvisado.
O som é uma mistura de Blood, Sweat & Tears, Chicago (soul e blues, portanto), com o chamado "progressive edge", que faz toda a diferença. O resultado é vivo, muito ritmado, bem "esgalhado".
Informação sobre a banda (de http://www.alexgitlin.com/npp/jgrind.htm)
Albums:
One Step On (Transatlantic TRA 210) 1969
Far Canal (Transatlantic TRA 221) 1970
Both now reissued on CD by Akarma, AK058 and AK065 resp.
Ao contrário do que é habitual, a entrada sobre eles na Gibraltar Encyclopedia of Progressive Rock não é muito eloquente nem elucidativa. http://www.gepr.net/jfram.html



NY, 16 de Abril de 2006. Blue Note. Ultima noite do Forever Returns, grupo criado por Chick Corea para mais uma recriação dos Return to Forever. Com algum humor à mistura, porque a verdade é que os Forever não param de "returnar". Desta feita, a equipagem compunha-se de Airto Moreira na bateria e percussão, um dos fundadores dos RTF, e de Eddie Gomez no baixo, ele próprio um histórico do jazz, muito por culpa do seu percurso com Bill Evans.
No palco, três respeitáveis senhores, sobretudo Gomez, sereno no seu charme latino. Chick mais ladino, e Airto com ar de zangado O concerto foi breve, menos de 1 hora (fazem dois shows por noite, não se podem alargar muito), mas sempre de altíssimo nível.
Chick dando o palco aos seus companheiros, pouco pirotécnico, pouco latino. Eddie eclético e circunspecto. Airto concisamente exuberante.
Só no final dois temas dos RTF apareceram, e no encore, surpresa, the-one-and-only Flora Purim.
Apertada numa licra, dadas as suas actuais épicas proporções, poderá facilmente registar-se sob o novo nome de Flora Pudim. Infelizmente, Flora não parecia estar preparada para cantar e, além da voz se sumir por vezes inconvenientemente, saiu do ritmo e foi por aí fora até algum ano dos longínquos 70. Dispensável, quando tudo tinha corrido tão bem.
Hoje proponho duas receitas:
American Music Club
Blue Nile
Os AMC são brutais na sua nudez; prefiro, de tudo o que conheço, o "Love Songs for Patriots" e dentro dele a faixa 3, o cínico, sádico e carnalmente gay "Patriot's Heart". Em segundo lugar, "Ladies and Gentleman" , a faixa de abertura, uma declaração de intenções muito explícita.
Os Blue Nile são um fenómeno escocês esparso, reaparecendo de quando em vez para deixar mais um álbum sensível e sensato. "Hats" é o meu favorito, escondendo-revelando a gema "Let's go out tonight". Não precisam de aparecer mais do que isto, para fazer merda é melhor estarem quietos.
O último "high" é bom todos os dias.
A tristeza destes moços é a alegria de muitos. Parece que se alimentam de pedaços escassos de almas alheias. Cada canção (é disso que se trata), coloca sobre compassos um ritmo misteriosamente revelador das suas dores. Nós, os vampiros-estetas, adoramos.