25 março 2008

THE Flaming Lips

O peru regressa, depois de ter escapado ileso às festividades natalícias. Do Natal apenas conservou um leve travo a vinho do Porto... The Flaming Lips - At War with the Mystics Os bons discos, tal como o vinho do porto que bebi no Natal, melhoram com a idade. Mais: defendo que alguma distância e audições repetidas nos impedem de ficar tontos com as bolhinhas do champanhe (a novidade) e permitem-nos apreciar os sabores persistentes. Neste caso, é um disco muito bom. Ah, e tem mellotron, como o povo do antigamente gosta.

U.F.O.S at the Zoo MVI (DVD interactivo ou lá o que é) Um concerto em Oklahoma em que se vê: (1) o fenómeno de popularidade alternativa que são os TFL (2) o quão excitante é um concerto deles É muito bom. É comprar. PS. - do MVI (ou lá o que é) sacam-se também os ficheiros de música, para quem quiser gravar o cdzinho ou por no mp3.

www.flaminglips.com

07 dezembro 2007

Grupos de que gosto I

Se este blog não segue nenhuma intenção crítica séria, se não pretende ser referência, nem tão pouco um êxito de público, o que pretende ser então? Ao menos que sirva para anunciar à escuridão circundante da internet, entidade vagamente fantasmagórica, vagamente humana, os meus gostos e o escasso porquê deles. dEUS - aquele grupo belga que ninguém percebe porque é que é belga e no entanto não encaixa em nenhuma outra geografia. Aquilo que se manifesta mais, depois de os ouvir faz já uns anos, é a sua interpretação calmamente disléxica de uma realidade que na primeira abordagem parece normal. Há uma deriva nas raias do borderline que torna os significados correntes reconhecíveis mas estranhos. Não consigo explicar melhor. Vem na capa do último álbum da Róisin Murphy (ex Moloko), uma frase muito curiosa da Laurie Anderson, e que pode ajudar a explicar esta dificuldade: "writing about music is like dancing to architecture". As dificuldades da tradução deixam a língua original intocada, e com o seu esplendor intacto. Portanto: ouvir "The Ideal Crash", ou fazer um percurso pela obra em "no more loud music".

04 dezembro 2007

LEMONGRASS é BOM

Os Lemongrass têm feito ultimamente vários álbuns que não tenho acompanhado, mas há um, de 2001, que é das melhores coisas que conheço de música electrónica, o que é uma expressão muito redutora, mas não me aventuro nas múltiplas designações que esta pode tomar, sob pena de ser ridicularizado por alguém que perceba do assunto. Chama-se "Windows", foi editado pela Mole Listening Pearls, e gosto de tudo nele. Desde a capa, até ao último dos temas. Há um tema de uma leveza extrema, perante o qual ninguém é capaz de deixar de sorrir e pensar que a vida é bela, chamado "Winnetou Melody".

21 novembro 2007

Boston -Newbury Comics

Uma breve estadia em Boston revelou-se devastadora em efeitos patrimoniais, mas compensadora em prazeres auriculares. A Newbury Comics, em Newbury street, é um poiso predilecto, com novos e usados, cds e dvds, comics e bonecos para todos os gostos. É possível perder-se lá durante 2-3 horas, na companhia de um cartão de crédito, e ainda sair com um sorriso estúpido na cara. A cotação do dólar ajuda. Os estragos de hoje, a analisar mais detalhadamente: -Neil Young, Chrome Dreams II (2007) - The Flaming Lips - Heart it is (1986) - Joni Mitchell - Shine (2007 - Elliott Smith - New Moon (2007) - Herbie Hancock - river- the joni letters (2007) - Mahavishnu Orchestra - Mahavishnu (1984) - Clare & the Reasons - Movie (2007) - Silver Apples - Silver Apples (1968) - Robert Plant + Alison Krauss - Raising Sand (2007) - Gilles Peterson - Digs America 2 (2007) - Vanessa Carlton - Be not nobody (2002) - Two Gallants - Two Gallants (2007) - Eddie Vedder - Into the Wild (2007) - Neil Young - Crazy Horse at the fillmore 1970 (2006) - Robert Wyatt - eps (1999) - Led Zeppelin - Mothership (2007)

17 novembro 2007

What is prog?

Um texto que escrevi há uns anos em inglês, sobre o que é rock progressivo. Na altura achava que ainda havia alguma coisa a dizer, antes de descobrir o manancial que a internet nos serve, quase sem o pedirmos. Like belonging to a club, being a progger is not a matter of science. Is a matter of faith. And, like faith, it can’t be explained. But believers always try to bring new believers on board. So they must a build a theory to explain their faith. Here’s mine. Having a crush on a prog would require defining prog before, so that it can be understandable to non-proggers. But I’ll skip that. Let’s assume you will recognize prog when you hear it, after a few samples or drawing from your own experience. So, what defines prog? First of all, prog music is not an island, it doesn’t stand apart from the rest of the world. Prog music exhibits links to other types of music - be it classical, jazz, ethnic, folk, blues or contemporary. So the bridges are open to appreciators of other kinds of music the prog to appreciate the pro edge – what is that they’ll consider prog does to their favourite music. To them, prog would be like a simplification of the styles that turns them on. But prog has its own edge to it. This type of music draws heavily on changing time signatures, interplay between instruments and extended soloing. But that’s not the end of it. If it would be so, acts like Procol Harum or Moody Blues would be excluded from the concept. Also more contained performers are considered prog, because they explore new forms of song, combining voice with unusual orchestrations. Such is the case of above groups, but others could be mentioned, like Supertramp, Styx, Spirit or Ithaca, a rather obscure English group close to the Pink Floyd's Ummagumma. Psychedelic music, either in is English or Californian form would fall into this category. Although some of the groups display exquisite solo performers, psychedelic music is deeply anchored in the format of song. Pink Floyd is one of the examples of groups starting from a song based approach and developing into extended soloing. Some of the deep proggers, let’s say, will just start a song as an excuse to solo all the way through, That is that case of Phish, for instance, that can fall into this range, but to some ears will sound like extended rock soloists. And how to classify Frank Zappa, for instance? Prog music bears a challenging mood to convention that can assume many forms. The most extreme ones are exemplified by bands like 5uuu’s, Art Bears, or Magma. They fall into the categories of zeuhl and RIO (rock in opposition), and can differ substantially to the sweet and mild twist and turns of Camel or Barclay James Harvest, for example. But the regular prog is a defying convention in some way. What convention? I think the best way to explain is to look to what was the matrix of popular music before prog. In an extreme simplified look, you can reduce it to a R’n’b matrix that in some cases is tempered by soul. Other styles co-existed, like jazz or classical, but never mixed. So the novelty that prog brought to the popular scene was to mix styles. A song would begin with a bach-like introduction just evolve into some form of rock’n’roll jam (Curved Air, for instance, who were keen on Vivaldi). Renaissance was one of the goups to rely heavily on classical influences. Procol Harum’s A Salty Dog and Grand Hotel are great example of fine craftsmanship of blending rock’n’roll and classic music. Other groups melted very successfully jazz and rock. I’m not talking about the jazz rock movement, which is a chapter of popular music in itself, and should be considered progressive music (not rock), following what Miles Davis initiated in the end of the sixties. I’m talking of more down-to-earth approaches, solid mixes of jazz beats and solos and rock harmonies. Take Brian Auger, Catapilla, the wonderful Keith Tippet records or King Crimson’s Lizard. Are they jazz, are they rock? They are jazz with a rocking flavour to it. Or rock extending its boundaries into swinging territory of jazz. Lizard is one of the most wonderful works of the entire prog movement. Blending psychedelia, jazz, rock and classical it creates a unique body of sensations that are entirely new not only to its time but to ours. This challenging mood has assumed more frequently than not some forms of its own. Some groups like Gentle Giant, Genesis, Van Der Graaf Generator, Can, Tangerine Dream, Pink Floyd created new musical languages of their own. Can prog be defined? Yes, by the listener that suddenly says: this is prog. He has learned that prog is a quality that invades some of the best music we’ve (never) heard. Otherwise, it’s just jargon, and one can easily mistake the concept with some pompous or empty orchestration.

29 outubro 2007

Os piores sons da web 1

Ah grande Tino de Rans! É mesmo muuuuito bom!! Ou mau?? De tão mau é mesmo bom? Já não sei... http://media.switchpod.com/users/tino_de_rans/ninfa_artemis-aha_sim_gato.mp3 (sugestão da Alexandra M.)

John Patitucci

O Tiago M. recomenda este site: http://www.johnpatitucci.com/ Patituci é baixista de vários jazz e tocou com meio mundo, lembro-me dele há talvez 10 anos no grupo de Chick Corea e ultimamente tem feito carreira a solo. Vale a pena investigar mais. O site tem samples da obra dele.

28 outubro 2007

Daytrip: Novo album de Pat Metheny a 29 de Janeiro

Depois do disco com Brad Mehldau, já é posível fazer um pre-order do album de Metheny com Chrisian McBride e AtónioSanchez.
Entretanto, em Fevereiro sai um album ao vivo do Pat Metheny Trio (os mesmos três).
O homem não pára...

In rainbows

Provavelmente já toda a gente sabe, mas não custa informar uma vez mais: os radiohead têm novo álbum: in rainbows. Só está disponível para já a partir do site da banda, ou directamente em http://www.inrainbows.com/. Além desta particularidade, acresce que o álbum não tem edição física ( a não ser na caixa especial, que começa a ser distribuída em 3 de Dezembro), e custa aquilo que o comprador quiser: pode mesmo não custar nada. Embora sem fazer bandeira disto, esta decisão da banda é histórica e será com certeza lembrada como um marco na mudança da distribuição da música que se opera actualmente. PS: estou na primeira audição, parece-me muito bom.
Vi esta capa no site dos radiohead e vi logo que tinha que estar aqui.

26 outubro 2007

Passado móvel I

O passado, tal como o presente, é uma instância móvel, e dele só importa o que retemos a cada momento e o que recordamos depois de nos termos esquecido de tudo.
Por isso, por vezes é importante voltar ao passado como um visitante de um país estrangeiro, não como quem revisita uma casa a que não vamos há muito tempo.
Desse modo, o passado pode de repente assaltar-nos com uma urgência de sentidos que ilumina o presente e nos faz repensar as coordenadas.
Enough said, ouçam o 1º álbum de Kate Bush - The Kick Inside, 1978, quando ela ainda era uma protegée de David Gilmour (et pour cause).

Ouçam de seguida Aerial, o seu mais recente duplo, e percebam como uma evolução nem sempre é um avanço. É um ir em direcção a, mas não forçosamente em frente, ou para cima.

Há coisas fantásticas, não há?
PS. Quem mais poderia cantar, sem deixar de ser séria, uma canção sobre a máquina de lavar roupa, e fazer dela um momento com o seu quê de metafísico (em "Aerial")? -
"My blouse wrapping itself around your trousers/Oh the waves are going out/My skirt floating up around your waist...Washing machine/Washing machine."

22 outubro 2007

Novos sinais a estar atento IV

Robert Wyatt. Comicopera
Do velho lobo do mar de opereta.

Novos sinais a estar atento III

Keith Jarrett: Live at Montreux
O trio que toca com o coração na alma.
Ninguém tem dúvidas que é um dos trios top do jazz actual, aquele que é referência para os outros, e portanto provavelmente "o" trio top. O currículo dos participantes, o nível de integração que atingem, a mestria, a linguagem comum que se forma, são uma linguagem no extremo das suas possibilidades. De cada vez que se juntam, um tratado, epopeia ou odisseia do jazz. Uns Luíses de Camões navegando o tormentoso oceano com a pauta de uns Lusíadas swingantes firmemente erguida sobre a destruição líquida das ondas da mediocridade. Ou Herberto Helder, se quisermos um registo mais actual, descrevendo com palavras os sentidos mais inesperados da linguagem. Não utilizo por acaso estes dois exemplos, ambos têm estrutura, uma mais métrica e rítmica, outra mais fluida e do significado, mas ambas têm acolhimento figurativo na música coleante deste trio. Ondula, revoa, retorce-se, desatina e descansa.
Não é necessário dizer que são mestres da sua arte. Por vezes saem do seu púlpito conhecido e vão por aí. Por exempo, Jack de Johnette, o do ritmo inquieto, conduzindo bravamente a melodia de honeysuckle rose. Em território mais familiar, Jarrett tocando o reverso da melodia em Straight, no chaser, de Monk (devem ser os meus ouvidos leigos...).
Há algumas raras oportunidades de ouvir músicos na perfeição da sua arte, e muito poucas vezes nos toca a felicidade de perceber o que fazem; podemos no entanto extasiarmo-nos perante o que nos surpreende e comove, mesmo sem conhecê-lo. É o meu caso perante este Trio-Maravilha. E mais não digo.
(to be continued...)

Novos sinais a estar atento II

Joni Mitchell. Shine
Depois de várias despedidas, ainda uma vez. Por quantas mais?

Novos sinais a estar atento I

30 setembro 2007

Syd Barrett

Trata-se de um acto de magia; as canções de syd barrett: quem as ama? No entanto são algo de assustadoramente legítimo: uma regressão a um estado de menor controlo final, de deixar afirmar a imperfeição. Syd Barrett pertence a uma galáxia de estrelas imperfeitas, onde cabe também Daniel Johnston. Já Tom Waits é imperfeito por lapidação, sentir-se-ia incomodado por estar rodeado de reais weirdos. Syd faz canções porque alguém lhe disse que devia. E apeteceu-lhe. Depois já não lhe apetecia e calou-se. Fez aquelas porque saíram. Se fosse noutra altura teria feito outras, igualmente sem respeito pelas canções. Sente-se a falta do entorno, da produção dos Pink Floyd. Mas é tudo tão legítimo que apetece perguntar: com que direito ouvimos isto? Não deveria ser uma cassete privada, que nunca chegou a sair das mãos do seu criador?

Haikus musicais 1

The endless plain of fortune, John Cale, Paris 1919 A tarde europeia parada em Sevilha, no momento em que o fatalismo derrotou o cantor. Apreciação leviana Air, 10,000 Hz Legend – Pink Floyd do disco Obscured by Clouds; do mais macilento, portanto. Não têm coragem para fazer um Shine on you crazy diamond, porque está demasiado visto.

23 setembro 2007

Trunfos da maioridade

Saiu agora um DVD de David Gilmour, Live at the Royal Albert Hall. É habitual no final das recensões críticas vir a opinião definitiva, o arroubo conclusivo do crítico a aplaudir (timidamente) a obra, ou a relegá-la para as notas de pé de página da história; neste caso, a conclusão vai logo no início: compre antes que esgote. Roger Waters tem promovido uma discussão estéril sobre quem é Mr. Pink Floyd. Não vale a pena desgastarmo-nos com as linhas escritas sobre o tema. A verdade é que tanto Waters como Gilmour eram um terço do som PF (desculpa lá, Waters!) e o outro terço cabia legitimamente a Mason e Wright, por muito pouco que Waters gostasse de Wright, ao ponto de expulsá-lo da banda por alturas de "Final Cut". Neste DVD prova-se mais uma vez à saciedade o que já sabíamos: Gilmour persegue a oitava maravilha do acorde fantasma de Wish you Were Here, busca aterrar em Marte depois de ter estado no lado escuro da lua. A guitarra está lá. As notas agudas em sustain são inegáveis. Este é o som PF, mesmo que se toquem composições de... Gilmour. É curioso, o que é PF legítimo, como a introdução de Dark Side of the Moon, soa a repetição, sem novidades. Tanto Gilmour como Waters têm reclamado este filão como o seu ouro em espectáculos e discos, com mais adrenalina no caso de Waters, mas em abono da verdade ambos têm sido fiéis e aptos guardiões. Mas, sem dúvida, as novas composiçoes de Gilmour em "On an island" são o som planante perdido entre Dark Side e Wish You Were Here e The Division Bell. É só o terceiro album em 30 anos, sinal de que o homem não tem pressa. E rodeia-se de bons amigos. David Crosby, Graham Nash, Robert Wyatt, David Bowie, Phil Manzanera. Veja-se o ar embevecido de Crosby perante a guitarra budista de Gilmour. West Coast meets The Island... Nos anos 60 tudo era muito mais estanque. É certo que aos 60 anos as etiquetas se tornam irrelevantes e só o prazer conta... o prazer da cumplicidade: e não é que as harmonias vocais de Nash e Crosby secundam na perfeição a voz arrastada de David? Robert Wyatt é uma figura mítica, um autêntico avatar (antes deste termo passar a ter significado "disfarce" no second life), do rock progressivo. Vê-lo na cadeira de rodas para que o atirou a queda de uma janela em 70 (71?), depois da turbulência dos comandos rítmicos dos Soft Machine (versão free jazz dos Pink Floyd de 67), em perfeita comunhão com Gilmour, é comovente. Este homem não é fácil, militou lado a lado com todas as esquerdas da música, criou o seu próprio muito particular canto na história. Tem sido saudado como uma das vozes verdadeiramente originais que o rock tem para oferecer. Vê-lo, nas suas longas barbas não comprometidas, a fumar um cigarro enquanto espera pelo seu solo, a olhar para a guitarra ritmo, é como olhar para as fundações da terra. Mr Gilmour toca com a serenidade de não ter que mostrar nada a ninguém. "On an Island" é um album corajoso, no sentido de que marca uma declaração de intenções: fiel a si próprio até ao fim. Este DVD mostra um músico em pleno domínio da sua voz e do seu processo de composição.

22 setembro 2007

NHOP é bom!

Niels-Henning Orsted Pedersen, mais conhecido por NHOP, foi um contrabaixista dos melhores que serviram o jazz, e a longa lista de colaborações com nomes sonantes (uma das mais conhecidas e produtivas com Oscar Peterson), deram-lhe uma projecção mundial. Este dinamarquês morreu prematuramente aos 58 anos, em 2005 e deixou mais pobre o jazz europeu. Felizmente que a música sobrevive, e dele encontrei recentemente: e já tinha: Veja-se o sorriso tranquilo e satisfeito de NHOP nas capas, os tons pastel e azul claro, e adivinha-se logo a serenidade da música. Mas sem que tal signifique um adormecimento new age: o seu contrabaixo é inteligente, saltitante e rodeia-se de bons amigos. Há uma paz nórdica, sem dúvida, mas que é frequentemente quebrada por um swing que tem mais a ver com oscar peterson e mais além; quão ilusória será essa paz dados os problemas de NHOP com o álcool, que talvez tenham estado relacionados com o seu desaparecimento precoce? Conselhos de utilização: colocar a rodela no laser e servir-se um malte com duas pedras. Colocar o som alto e o viking chegará.

04 setembro 2007

Quem diria, seu Jorge em Montreux!

Seu Jorge é um personagem. Entre a favela do Gogó da Ema onde nasceu e cresceu e a sua participação em The Life Aquatic com Bill Murray vai um mundo e um mar de distância. Seu Jorge é larger than life, porque tem muita life. Quem o viu em Cidade de Deus conhece-o como actor; magnífico, como o filme. Quem o viu em The Life Aquatic sabe que é um dos corolários da bizarria do filme; interpretando as versões tropicais de temas de David Bowie é um Thin White Duke muito preto. Quem conhece os seus dois discos, mais um ao vivo com Ana Carolina, admira sobretudo a espontaneidade do seu ritmo, a invenção invejável da sua lírica popular e directa. Pois seu jorge foi para Montreux; em Montreux tocam os monstros consagrados, e os monstros, e os consagrados que não são monstros. Que ele tenha tocado lá em 2005 é sinal da perspicácia dos organizadores; que tenha aceite é bem-vindo e ficou registado uma intervenção borbulhante e emocionante (na eagle records).
Há mais informação por aí; curiosamente, o site oficial (será?) em http://www2.uol.com.br/seujorge/ apenas regista o seu primeiro disco (Samba esporte fino).
De lá vos deixo a saudação inicial: "Aí rapazeada! Andei na Europa e Nova Iorque fazendo turnê do Samba Esporte Fino! e gravei meu novo CD CRU que estará disponível em breve!!! E mais, vamos melhorar o Brasil, caralho, a hora é essa."
Aí está. O artista apresentado.

Petra Haden

Quem sai aos seus... não é de Genebra! (obrigado Rui Saraiva pela ex-citação). Petra é uma de tri-gémeas, sendo que as outras também deram os seus próprios passos na música e o mano Josh é sobejamente conhecido pelos seus Spain (onde Petra também colabora). Petra estudou violino, abandonou-o e voltou a ele aos 20 anos. A sua característica mais distintiva é a amplitude vocal, que lhe permite imitar diversos instrumentos. Colaborou como violinista, com vozes, e em outras artes diversas, em discos tão diversos como os dos Foo Fighters, Green Day, Bette Midler ou Victoria Williams. Também tem publicado em nome próprio, depois de uma experiência mais juvenil com os that dog.
Caiu-me nas mãos o disco dela com Bill Frisell, chamado "Petra Haden and Bill Frisell" (tão original!), em que o Bill a acompanha à guitarra acústica e eléctrica (Rykodisc 2004). O menu consta de versões, cantadas na sua voz singela. Parece ser o típico disco da-jovem-talentosa-com-o-amigo-do-pai-que-aparece-lá-em-casa-e-é-um-artista-consagrado, mas funciona bem no seu registo intimista. Versões de Coldplay, Tom Waits, Elliot Smith, Foo Fighters, "Moon River", Gershwin, Stevie Wonder e um original dela e outro de Frisell completam um ramalhete heterogéneo na origem mas que Petra compõe bem. Não é caso para dizer que Petra é uma das 7 maravilhas do mundo moderno, mas... quem quer saber de maravilhas?
Mais informações em: http://petrahadenmusic.com/

23 agosto 2007

Ninguém sabe nada de prog sem conhecer fruupp

http://www-dcrp.ced.berkeley.edu/Cervero/cork.htm um comentário acerca do melhor registo pirata conhecido de fruupp pela pessoa que o gravou. A música de Fruupp não é deste tempo. Não sabemos de que tempo é; nenhum corresponde a este passado eventual que não se reconhece em nenhum presente.

03 junho 2007

Sandrose, França, 1973

Prog francês muito estimável, com uma boa guitarra e mellotron em doses satisfatórias. As letras são em inglês, cantadas por uma Rose, e dizem que têm parecenças com os holandeses Earth and Fire. É bem possível. Deem-lhes uma orelha.
Entrada na Gibraltar Encyclopedia: http://www.gepr.net/safram.html

14 outubro 2006

Jody Grind

É isto que têm de bom os anos setenta. Apesar desde praticamente essa altura ouvir e investigar nomes e bandas da época, de vez em quando surge mais uma de que nunca tinha ouvido falar, não são nada conhecidos, mas são muito bons. Os Jody Grind são um belo exemplo. Há outra banda recente com o mesmo nome. Neste caso são os originais, que lançaram apenas dois discos, em 1969 (One Step on) e 1970 (Far Canal). O primeiro é mais improvisado. O som é uma mistura de Blood, Sweat & Tears, Chicago (soul e blues, portanto), com o chamado "progressive edge", que faz toda a diferença. O resultado é vivo, muito ritmado, bem "esgalhado". Informação sobre a banda (de http://www.alexgitlin.com/npp/jgrind.htm) Albums: One Step On (Transatlantic TRA 210) 1969 Far Canal (Transatlantic TRA 221) 1970 Both now reissued on CD by Akarma, AK058 and AK065 resp. Ao contrário do que é habitual, a entrada sobre eles na Gibraltar Encyclopedia of Progressive Rock não é muito eloquente nem elucidativa. http://www.gepr.net/jfram.html

01 outubro 2006

As piores capas de sempre III

As piores capas de sempre II

As piores capas de sempre I

Classificar alguma coisa de melhor ou pior é muito subjectivo; sempre aparecerá alguém com algo que acha muito melhor ou muito pior. Daí que o mérito da classificação seja, antes de mais, lançar a discussão. Uma coisa é certa, estas que hoje aqui ponho são muito más. Algumas delas andam por aí a circular na net. Se tiverem outras igualmente horrendas enviem para o meu mail; EL_K@ONINET.PT que eu cá as ponho. Palavra de escuteiro. Ah, outra coisa. Estas são capas de vinil: da altura em que ainda olhávamos para as capas dos discos, lembram-se?