enterrada. Longe vão as provocações, o desafio, o desacato sentimental, a inquietude metafísica, o desacerto com o mundo. Resta a pose. Se se retirassem alguns arranjos miseráveis, até podiamos perdoar-lhe, assim apenas contemplamos a decadência e achamos muito bem. A voz está lá, quase roçando as profundezas, mas já não canta, declama. Os últimos álbuns vivem de composições sofríveis, de versos encadeados e certos; apesar disso, a capacidade de achar um significado relevante nos velhos símbolos ainda lá está. A sedução, o sexo, a religião, a perversão ainda estão lá, mais sincréticos e menos explícitos. Como se vivesse mais de imaginar do que experimentar.
No concerto, elevou-se a alturas desmesuradas com Hallellujah, cantando com os testículos que lhe restam e menos com o peito mirrado. Buscou alguns temas pré 1979 ("Recent Songs" é o início do fim, fim esse que dura há 30 anos, o que não deixa de ser admirável), mas deixou de fora aquilo que não cabe num concerto-evocação e que podia torná-lo num desafio, como todo o "Songs of Love and Hate"; e também nem uma desse álbum maldito pela mão de Spector e no entanto tão decadente como fascinante: "Death of a Ladies Man".
Oh Suzanne, o que é que ainda pensas deste eterno amante ausente? Ainda te apaixonarias por ele? Isso não sei, talvez o convidasses para um chá. Mas cuidado, a fera espreita e pode envolver-te com as suas metáforas insinuantes e arrastar-te para uma cama cada vez mais metafísica.
Cohen, e porque tens que estar sempre a agradecer a todos e dar graças por tanta dádiva? Quem te conhece sabe que tu não respeitas ninguém. Apenas o deus Pã, o deus Baco e Eros. O resto, são comuns, vulgares e esquecidos mortais...
No final, a grande satisfação de estar perante A Lenda e ouvi-lo dar sentido às suas palavras fortes com a autoridade de quem já viveu até se consumir. Até quem não conhecia se deixou envolver nesta onda suave e simbólica, nesta musica feita simples e poderosa. Goodbye, Cohen.
21 julho 2008
L Cohen was here
enterrada. Longe vão as provocações, o desafio, o desacato sentimental, a inquietude metafísica, o desacerto com o mundo. Resta a pose. Se se retirassem alguns arranjos miseráveis, até podiamos perdoar-lhe, assim apenas contemplamos a decadência e achamos muito bem. A voz está lá, quase roçando as profundezas, mas já não canta, declama. Os últimos álbuns vivem de composições sofríveis, de versos encadeados e certos; apesar disso, a capacidade de achar um significado relevante nos velhos símbolos ainda lá está. A sedução, o sexo, a religião, a perversão ainda estão lá, mais sincréticos e menos explícitos. Como se vivesse mais de imaginar do que experimentar.
No concerto, elevou-se a alturas desmesuradas com Hallellujah, cantando com os testículos que lhe restam e menos com o peito mirrado. Buscou alguns temas pré 1979 ("Recent Songs" é o início do fim, fim esse que dura há 30 anos, o que não deixa de ser admirável), mas deixou de fora aquilo que não cabe num concerto-evocação e que podia torná-lo num desafio, como todo o "Songs of Love and Hate"; e também nem uma desse álbum maldito pela mão de Spector e no entanto tão decadente como fascinante: "Death of a Ladies Man".
Oh Suzanne, o que é que ainda pensas deste eterno amante ausente? Ainda te apaixonarias por ele? Isso não sei, talvez o convidasses para um chá. Mas cuidado, a fera espreita e pode envolver-te com as suas metáforas insinuantes e arrastar-te para uma cama cada vez mais metafísica.
Cohen, e porque tens que estar sempre a agradecer a todos e dar graças por tanta dádiva? Quem te conhece sabe que tu não respeitas ninguém. Apenas o deus Pã, o deus Baco e Eros. O resto, são comuns, vulgares e esquecidos mortais...
No final, a grande satisfação de estar perante A Lenda e ouvi-lo dar sentido às suas palavras fortes com a autoridade de quem já viveu até se consumir. Até quem não conhecia se deixou envolver nesta onda suave e simbólica, nesta musica feita simples e poderosa. Goodbye, Cohen.
17 julho 2008
DJ D+ anima as Marias
16 julho 2008
DJ D+ apresenta: fauno
Neil Young no Optimus Alive, 12 Julho 2008
Carlos Bica no Museu do oriente, 11 de Julho
13 maio 2008
The Cinematic Orchestra - Live at the Royal albert Hall
Este é o album que vou guardar deles por muito tempo. Deve ter sido um concerto fantástico. É música de grandes espaços, intensa e humana.
11 maio 2008
Ketil Bjornstad e Terje Rypdal, Life in Leipzig
Lançado a 15 de Abril, o terceiro álbum do duo Ketil Bjornstad e Terje Rypdal resume a colaboração anterior e outras obras pessoais num álbum ao vivo em Leipzig (Life in Leipzig).
O álbum é uma experiência emocional intensa, pelas características dos dois músicos, especialmente de Rypdal, que é um guitarrista de grandes e variados recursos e os uso com uma intensidade invulgar. Rypdal é um "romântico", não no sentido do músico lamechas, mas no sentido usado no século XIX, do homem em desafio com a natureza e o amor. A qualidade melódica do seu toque é profunda, como se continuamente contasse histórias apaixonadas através das suas ondas sónicas.
O duo ouve-se como dois instrumentos separados, Bjornstad não é o suporte da guitarra de Rypdal. Complementam-se, intergaem, deixam espaço para cada um evoluir. Bjornstad tem uma qualidade "clássica", que faz lembrar aos meus ouvidos pouco treinados, Keith Jarrett em certos momentos.
Trata-se de um álbum apaixonante e apaixonado.
Links com mais informação
http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=29007
http://www.jazzloft.com/p-47206-life-in-leipzig.aspx
06 maio 2008
Lincoln Jazz Center, 3 de Maio de 2008
02 abril 2008
T2
25 março 2008
THE Flaming Lips
O peru regressa, depois de ter escapado ileso às festividades natalícias. Do Natal apenas conservou um leve travo a vinho do Porto...
The Flaming Lips - At War with the Mystics
Os bons discos, tal como o vinho do porto que bebi no Natal, melhoram com a idade. Mais: defendo que alguma distância e audições repetidas nos impedem de ficar tontos com as bolhinhas do champanhe (a novidade) e permitem-nos apreciar os sabores persistentes. Neste caso, é um disco muito bom. Ah, e tem mellotron, como o povo do antigamente gosta.
U.F.O.S at the Zoo
MVI (DVD interactivo ou lá o que é)
Um concerto em Oklahoma em que se vê:
(1) o fenómeno de popularidade alternativa que são os TFL
(2) o quão excitante é um concerto deles
É muito bom. É comprar.
PS. - do MVI (ou lá o que é) sacam-se também os ficheiros de música, para quem quiser gravar o cdzinho ou por no mp3.
www.flaminglips.com
07 dezembro 2007
Grupos de que gosto I
04 dezembro 2007
LEMONGRASS é BOM
22 novembro 2007
21 novembro 2007
Boston -Newbury Comics
17 novembro 2007
What is prog?
29 outubro 2007
Os piores sons da web 1
John Patitucci
28 outubro 2007
Daytrip: Novo album de Pat Metheny a 29 de Janeiro
In rainbows
26 outubro 2007
Passado móvel I
Ouçam de seguida Aerial, o seu mais recente duplo, e percebam como uma evolução nem sempre é um avanço. É um ir em direcção a, mas não forçosamente em frente, ou para cima.
22 outubro 2007
Novos sinais a estar atento III
Keith Jarrett: Live at Montreux
Novos sinais a estar atento II
30 setembro 2007
Syd Barrett
Haikus musicais 1
23 setembro 2007
Trunfos da maioridade
Roger Waters tem promovido uma discussão estéril sobre quem é Mr. Pink Floyd. Não vale a pena desgastarmo-nos com as linhas escritas sobre o tema. A verdade é que tanto Waters como Gilmour eram um terço do som PF (desculpa lá, Waters!) e o outro terço cabia legitimamente a Mason e Wright, por muito pouco que Waters gostasse de Wright, ao ponto de expulsá-lo da banda por alturas de "Final Cut".
Neste DVD prova-se mais uma vez à saciedade o que já sabíamos: Gilmour persegue a oitava maravilha do acorde fantasma de Wish you Were Here, busca aterrar em Marte depois de ter estado no lado escuro da lua.
A guitarra está lá. As notas agudas em sustain são inegáveis. Este é o som PF, mesmo que se toquem composições de... Gilmour. É curioso, o que é PF legítimo, como a introdução de Dark Side of the Moon, soa a repetição, sem novidades. Tanto Gilmour como Waters têm reclamado este filão como o seu ouro em espectáculos e discos, com mais adrenalina no caso de Waters, mas em abono da verdade ambos têm sido fiéis e aptos guardiões. Mas, sem dúvida, as novas composiçoes de Gilmour em "On an island" são o som planante perdido entre Dark Side e Wish You Were Here e The Division Bell. É só o terceiro album em 30 anos, sinal de que o homem não tem pressa.
E rodeia-se de bons amigos. David Crosby, Graham Nash, Robert Wyatt, David Bowie, Phil Manzanera. Veja-se o ar embevecido de Crosby perante a guitarra budista de Gilmour. West Coast meets The Island... Nos anos 60 tudo era muito mais estanque. É certo que aos 60 anos as etiquetas se tornam irrelevantes e só o prazer conta... o prazer da cumplicidade: e não é que as harmonias vocais de Nash e Crosby secundam na perfeição a voz arrastada de David?
Robert Wyatt é uma figura mítica, um autêntico avatar (antes deste termo passar a ter significado "disfarce" no second life), do rock progressivo. Vê-lo na cadeira de rodas para que o atirou a queda de uma janela em 70 (71?), depois da turbulência dos comandos rítmicos dos Soft Machine (versão free jazz dos Pink Floyd de 67), em perfeita comunhão com Gilmour, é comovente. Este homem não é fácil, militou lado a lado com todas as esquerdas da música, criou o seu próprio muito particular canto na história. Tem sido saudado como uma das vozes verdadeiramente originais que o rock tem para oferecer. Vê-lo, nas suas longas barbas não comprometidas, a fumar um cigarro enquanto espera pelo seu solo, a olhar para a guitarra ritmo, é como olhar para as fundações da terra.
Mr Gilmour toca com a serenidade de não ter que mostrar nada a ninguém. "On an Island" é um album corajoso, no sentido de que marca uma declaração de intenções: fiel a si próprio até ao fim. Este DVD mostra um músico em pleno domínio da sua voz e do seu processo de composição.
22 setembro 2007
NHOP é bom!
e já tinha:
Veja-se o sorriso tranquilo e satisfeito de NHOP nas capas, os tons pastel e azul claro, e adivinha-se logo a serenidade da música. Mas sem que tal signifique um adormecimento new age: o seu contrabaixo é inteligente, saltitante e rodeia-se de bons amigos. Há uma paz nórdica, sem dúvida, mas que é frequentemente quebrada por um swing que tem mais a ver com oscar peterson e mais além; quão ilusória será essa paz dados os problemas de NHOP com o álcool, que talvez tenham estado relacionados com o seu desaparecimento precoce?
Conselhos de utilização: colocar a rodela no laser e servir-se um malte com duas pedras. Colocar o som alto e o viking chegará.
04 setembro 2007
Quem diria, seu Jorge em Montreux!
Seu Jorge é um personagem. Entre a favela do Gogó da Ema onde nasceu e cresceu e a sua participação em The Life Aquatic com Bill Murray vai um mundo e um mar de distância. Seu Jorge é larger than life, porque tem muita life. Quem o viu em Cidade de Deus conhece-o como actor; magnífico, como o filme. Quem o viu em The Life Aquatic sabe que é um dos corolários da bizarria do filme; interpretando as versões tropicais de temas de David Bowie é um Thin White Duke muito preto. Quem conhece os seus dois discos, mais um ao vivo com Ana Carolina, admira sobretudo a espontaneidade do seu ritmo, a invenção invejável da sua lírica popular e directa. Pois seu jorge foi para Montreux; em Montreux tocam os monstros consagrados, e os monstros, e os consagrados que não são monstros. Que ele tenha tocado lá em 2005 é sinal da perspicácia dos organizadores; que tenha aceite é bem-vindo e ficou registado uma intervenção borbulhante e emocionante (na eagle records).
Petra Haden
23 agosto 2007
Ninguém sabe nada de prog sem conhecer fruupp
24 julho 2007
Prog list na Amazon
06 junho 2007
03 junho 2007
Sandrose, França, 1973



















