19 julho 2009

Bardo Magnificent

Epítetos a cravar a Kevin Ayers quando ele estiver de costas (e distraído):

- criativo - levemente bizarro - desmontador de maquinetas - simpático - inglês (como adjectivo) - alheio ao tempo que faz http://www.kevin-ayers.com/

18 julho 2009

Novidades da frente leste

Ora vejamos: A Leste nada de novo? Uma visita rápida à Empik (FNAC polaca), hoje à tarde revela que: a) O Cd está a extinguir-se também aqui. A quantidade de cds nas prateleiras é substancialmente inferior e o fundo do catálogo é cada vez mais residual. As novidades imperam e provavelmente quando esgotam não há reposição. Mesmo na música polaca só se encontra o que é mais recente ou reedições. Discos editados há dois anos já não se encontram. b) Destacava-se um CD ao vivo dos Quidam, em edição limitada a 1.000 exemplares, mas que foi já editado em 2006 (provavelmente é um reprint), de seu nome "Live in Concert - The Fifth Season". É já da fase depois da saída de Emila Derkowska, vocalista extraordinaire, de excelente voz, se bem que ainda um pouco em bruto. O vocalista que tomou o seu lugar, de forma inteligente, opta por um regime de low profile, para evitar comparações penalizadoras. Uma versão intimista do tour-de-force Sanktuarium e um potpourri de velhos temas (como soía dizer-se nos idos de antigamente), pareceram interessantes. Estes novos Quidam são menos líricos e mais neo-prog que os anteriores. Eu tenho embirração com o neo-prog, que só tolero em doses moderadas. Logo por azar, é o sub-género prog que a Polónia mais produz (Collage, Riverside, Lizard, Satellite...). A ouver vamos.
c) Os veteranos Laboratorium, versão polaca de algum jazzrock norte-americano de 70 (Herbie Hancock, Weather Report), continuam activos e actuaram a semana passada num festival de jazz de Varsóvia. O seu CD clássico é "Modern Pentathlon", mas há muitos outros.
d) A propósito de jazz, Varsóvia continua bem e recomenda-se. O contingente polaco, que conheço mal, tem grande tradição e excelentes músicos. O site http://www.polishjazz.com/ dá uma ideia do que falo. Recordo com boas memórias um cd de Andrzej Jagódinski a jazzar sobre a musica de Chopin (que, como sabem, também era polaco e aqui viveu antes de emigrar para França. Mas há muitos nomes. Recordo também Wodek Pawlik, por exemplo. Os nomes mais conhecidos serão, eventualmente, Krzystof Komeda e Tomasz Stanko. Ah, e havia um violinista eléctrico que pedia meças a Jean-Luc Ponty e que também fez carreira nos States... Como é que se chamava?? (madito Alzheimer...).
E, sobretudo, o jazz é não só uma tradição como um presente muito vivo. No verão, todos os anos o Warsaw Summer Jazz Days traz grandes nomes. Vi um concerto memorável de Abbey Lincoln e outro electrizante de Lucky Peterson em 2001. Este ano, só para dar um exemplo, aqui fica o programa:
JULY 1st 2009, 19:00, CONGRESS HALL- WORLD SAXOPHONE QUARTET- ART ENSEMBLE OF CHICAGO- WADADA LEO SMITH’S GOLDEN QUARTET
JULY 2nd 2009, 20:00, CONGRESS HALLSING THE TRUTH – DIANNE REEVES, LIZZ WRIGHT, ANGELIQUE KIDJO, SIMONE
JULY 3rd 2009, 19:00, CONGRESS HALL- BRAXTON, GRAVES, LASWELL, ZORN- THE DREAMERS- ELECTRIC MASADA
JULY 4th, 20:00, KLUB POWIĘKSZENIEMULASTA TRIOJULY 5th, 14:00, KRÓLIKARNIAPASIMITOME, MYSELF & I
JULY 6th, 20:00, KLUB POWIĘKSZENIEMACIEJ OBARA TRIOJULY 7th, 20:00, KLUB POWIĘKSZENIEDZIEŃ SŁOWACKI: Lucia Lužinská & All Time Jazz with special guest Fritz Pauer / Tomáš Gajlík Trio
JULY 8th, 19:00, CONGRESS HALL - TYMAŃSKI BRASS ENSEMBLE & special guest DAVE DOUGLAS- MARIA SCHNEIDER Z ORKIESTRĄ KRZYSZTOFA HERDZINA- "JAZZ SUITE TYKOCIN" WŁODEK PAWLIK & RANDY BRECKER and PODLASKA ORKIESTRA SYMFONICZNA OPERY I FILHARMONII W BIAŁYMSTOKU
A quantidade de nomes célebres é notável, a junção com músicos polacos também e por último os ensmbles que trazem ao festival igualmente.
Ao mesmo tempo, pasme-se, a praça mais central da parte antiga de Varsóvia, a Rynek Starego Miasto, tem todos os anos desde no início de Junho (creio) e até ao final de Agosto concertos ao ar livre, com artistas menos conhecidos internacionalmente, mas não de segunda escolha. Por exemplo, ouvi aqui há uns anos a AnnaMaria Jopek (figura de proa do soft jazz vocal polaco, que fez um disco nada desprezível com Pat Metheny- o manganão tem olhinho para escolhê-las, veja-se o exemplo na mesma linha da Norah Jones).
E poder-se-ia pensar que ficamos por aqui. Mas não. Um festival que ainda não percebi bem como se chama mas tem uma boa probabilidade de ser Wytwórnia, promete para Lódz, que fica a 120 kms de Varsóvia, um programa com o grupo nórdico Jazz Kamikaze, segue com Daniel Lanois e termina com Al di Meola...
A dificuldade, de facto, está na escolha e na elasticidade do bolso.
e) E agora para algo completamente diferente: Osjan. Cruzamento de ritmos europeus, americanos, africanos, celtas, é um grupo com o "seu" som. Pode-se ir buscando rótulos, mas eles quebram-nos no tema seguinte. É um grupo que nasceu há 28 anos. Tomasz Stanko, um dos nomes grandes do jazz polaco e que faz uma carreira internacional, esteve no grupo nos anos 70. Caiu-me nas mãos o CD "Po Prostu", o que no meio limitado polaco quer dizer qualquer coisa como "sempre em frente". É um trabalho delicado, cinzelado, com matizes muito definidas. Lembrou-me, a espaços, os Hadouk Trio, mas com menos pompa e mais experimentais. Uma surpresa muito boa, a precisar de companhia que eu não lhe irei negar.
f) E, por último, os dinossauros excelentíssimos... os SBB! Este power trio activo há mais de 30 anos é uma reserva inesgotável de boa música e criatividade. Digo-vos, se algum crédito vos mereço, que este é dos bons. Uma aposta segura. Guitarra, baixo e bateria em permanente desafio.
Os SBB chegaram a ter projecção internacional, quando o mundo era mais democrático. Custa a perceber como é que um país que vivia sob um regime totalitário desenvolveu tantas bandas que praticavam uma música subversiva, nada a ver com os camaradas e os amanhãs que cantam. Curiosamente, a antiga Checoeslováquia também têm alguns exemplos destes, por exemplo Radim Hladik com os Modry Efekt e os Olympic.
Os SBB são um legítimo motivo de orgulho para os polacos (bom, pelo menos para os que os conhecem). Têm imensos CDS e não param de os republicar, desenterrando raridadades como este que comprei hoje (um concerto em Köln em 1979), a par da edição de novos álbuns que em nada desmerecem a herança e de edições em nome próprio dos elementos da banda, como Józef Skrzek e Apostolis Anthimos. Long live!

26 junho 2009

Please don't take my kodakchrome away!

A Kodak anunciou este mês que deixa de produzir o kodakchrome. Dizem que foi a melhor película de sempre. É o fim de uma era e como sempre deixa saudades e momentos irrepetíveis. http://www.chron.com/disp/story.mpl/headline/biz/6491332.html Paul Simon terá que se converter ao digital e agora fazer uma canção com o título "Smartmedia card"... Kodachrome ( Paul Simon ) When I think back On all the crap I learned in high school It's a wonder I can think at all And though my lack of education Hasn't hurt me none I can read the writing on the wall Kodachrome You give us those nice bright colors You give us the greens of summers Makes you think all the world's a sunny day, oh yeah! I got a Nikon camera I love to take a photograph So Mama, don't take my Kodachrome away If you took all the girls I knew When I was single And brought them all together for one night I know they'd never match My sweet imagination And everything looks worse in black and white Kodachrome You give us those nice bright colors You give us the greens of summers Makes you think all the world's a sunny day, oh yeah! I got a Nikon camera I love to take a photograph So Mama, don't take my Kodachrome away Mama, don't take my Kodachrome away Mama, don't take my Kodachrome away Mama, don't take my Kodachrome away Mama, don't take my Kodachrome Mama, don't take my Kodachrome Mama, don't take my Kodachrome (away) Mama, don't take my Kodachrome Mama, don't take my Kodachrome Mama, don't take my Kodachrome (away) Mama, don't take my Kodachrome (Leave your boy so far from home) Mama, don't take my Kodachrome (away)

16 junho 2009

Uncut - Julho 2009

O CD da Uncut deste mês é um sampler da editora Honest Jon, que tem como luminária o Damon Albarn, dos Blur. A editora é especializada em música "alternativa", não no sentido tradicional de rock alternativo, mas música que normalmente sai dos radares do gosto comum. Há algum gosto pela música africana de pendor mais rítmico (o próprio Damon fez há pouco anos um disco com percussionistas do Mali),há também estirpes indianas em fermentação, alguma electrónica cruzada, enfim, motivos suficientes para deitar mão ao sampler e ouvir com os ouvidos abertos.

06 junho 2009

Flaming Lips, Christmas on Mars, 2008

Os Flaming Lips são uma classe à parte na vida moderna. Uma banda de culto, pela ligação que os fãs ostentam à banda, um modelo de excentricidade e coerência estética, inovadores iconoclastas, experimentalistas, enfim, uma banda pagã, amorosamente alternativa. Esta edição dupla é constituída pelo filme e pela banda sonora. O filme, em si, é um filme, em si. Falem-me de Eraserhead… Limpar o rabinho a meninos, capitão Kirk! Imediato Spock, à ponte de comando. Base lunar Alfa chama Drª Helena para procriação imediata. È um clássico dos anti-clássicos. Não vale a pena dizer mais nada, só vendo. Depois digam que não gostaram, que eu acredito. A Banda Sonora… É sonora e é uma banda. Aguenta-se muito bem sem o filme. Aliás, cria uma espécie de banda sonora de Danny Elfman para um novo filme de Tim Burton, só que são os Flaming Lips, um pouco mais solenes, porque o Espaço Profundo assim exige. Ame-os, ou deixe-os. Quanto a mim, já não tenho escolha… PS – era mesmo necessário ter as legendas em russo? Trailer em: http://www.vimeo.com/1443205?pg=embed&sec=1443205 Info em: http://www.christmasonmarsmovie.com/node/41

Boozoo Bajou, Grains, 2009

Super chill out, gajos cansados, fim-de-tarde esquecido bebendo gin tónico num bar frente ao mar no Funchal. Quem são estes Boozoo Bajou? Sei lá!!! Não lembra a ninguém ter este nome, quanto mais ser estes. Na sua tranquilidade lembram os Lemongrass, mas sem o toque tech, mais lounge. Instalam-se logo na sala, como uma cadeira de design de 3000 euros que aterrou directamente de um tempo demasiado passado e que ninguém tem coragem de dizer que parece igual àquela da casa do tio. Todos se sentam.

Beyond the wizards sleeve – Reanimations vol. 1, 2009

Um album de remisturas que o texto Jon Savage que acompanha a rodela remete para o reino do psicadelismo – mais explorar a textura que afogá-la em beats. Concordo, embora alguns temas sejam muito dançáveis – mas não caem nos rótulos e estilos da dança. São reinterpretações, mais que remisturas. As minhas preferidas, enquanto ainda dura o namoro, são “Battle scars”, dos Chemical Brothers, “The Bears are coming”, dos Late of the Pier e “Come hear the trumpets”, dos Dust Galaxy. A “reinterpretação” de “Roscoe” dos Midlake, curiosamente (e digo curiosamente porque os Midlake são, para mim, uma das maiores bandas que ouvi nos últimos anos), não me titila a pituitária: talvez porque o original já é tão forte que é difícil subvertê-lo ou acrescentá-lo. Recomendado ouvir. Tempo do dia: noite estival, ou tarde forte. O psicadelismo gosta de calor. Menu psicotrópico: ler o Dr. Timothy Leary.

“War Child Heroes”, 2009

Mais um projecto de beneficência, mais boas intenções, mais boa música. Beck a fazer o Dylan de “Leopard-Skin pill-box hat”, de “Blonde on Blonde” (título nunca esclarecido, a puxar para uma Las Vegas hard)? Duffy a fazer “Live and let die”? Tv on the Radio, a banda-maravilha de Brooklyn, a afundar “Heroes” em beats anamórficos? Os Franz Ferdinand em versão “Blondie”? Está tudo aqui. Tudo isto é música, tudo isto é verdade, tudo isto é fado. Pelo menos para aqueles que acreditam no destino. http://www.warchild.org.uk/heroes
Beck (Bob Dylan: Leopard-Skin Pill-Box Hat) :: info :: Scissor Sisters (Roxy Music: Do The Strand) :: info :: Lily Allen (The Clash: Straight To Hell) :: info :: Duffy (Paul McCartney: Live And Let Die) :: info :: Elbow (U2: Running To Stand Still) :: info :: TV On The Radio (David Bowie: Heroes) :: info :: Hot Chip (Joy Division: Transmission) :: info :: The Kooks (The Kinks: Victoria) :: info :: Estelle (Stevie Wonder: Superstition) :: info :: Rufus Wainwright (Brian Wilson: Wonderful/ Song For Children) :: info :: Peaches (Iggy Pop: Search And Destroy) :: info :: The Hold Steady (Bruce Springsteen: Atlantic City) :: info :: The Like (Elvis Costello: You Belong To Me) :: info :: Yeah Yeah Yeahs (The Ramones: Sheena Is A Punk Rocker) :: info :: Franz Ferdinand (Blondie: Call Me) :: info ::

Jay-Jay Johanson está triste

Jay-Jay Johanson – Self Portrait, 2009 Será que é assim o auto retrato de J-J? A melancolia, sempre entrevista e ondulante nos seus trabalhos anteriores chega à primeira página neste. Nórdico, trintão não resolvido, deve ter-lhe chegado a ressaca. Anima-te rapaz: a ressaca não é o pior. O problema é quando não conseguires sair dela! Onde está o galã empedernido de “tell all the girls I’m back in town”? A declinar polidamente. http://www.myspace.com/jayjayjohanson

26 maio 2009

Zaavi out

A Zaavi fechou em Picadilly Circus. Na montra exibe-se um magro "to let". Já tinha sido a Tower Records.
Não é possível resistir hoje ao apelo de um écran brilhante e uns headphones raquíticos assincronamente debitando um ficheiro comprimido. Não há como lutar contra isto. E contudo... o vinil renasce, não só pela forma e pela imagem como pelo som. Os concertos ganham gente aos sofás. Nada se perde, tudo se transforma. Nós às vezes é que não sabemos perder.

As que ouvem

Algumas vêm e vão, e dormem sobre o ombro alheio quando o ombro pede, ou elas pedem. Outras ficam, e apodrecem e definham na sombra de si mesmas. Secas e silenciosas, companheiras de si mesmas, despem de si todos os interesses para serem apenas interessantes. Lavam do olhar a profundidade e deixam crescer as pestanas, para terem um olhar profundo. Outras ficam, como a réstea de um segredo. Outras lembram por si só um tempo. Uma foto num livro define uma dobra na vida; a lembrança de um braço sobre o lençol sobrepõe-se à Virgem Maria, chegue a hora de olhar uma última vez. Brel definiu les femmes et les chiens e acabava: c'est por ça que j'aime les chiens. Ou, elles regardent la mort comme tu regardes un puit. Não lhes tinha respeito e no entanto amava-as. Há pouco a dizer sobre este tema que lançou sobre mim a sua curiosidade minutos atrás: a música mexe-se com toda a complexidade da noite, a textura de um deserto, o a imaginação de um cego. Conheci algumas mulheres que gostam de música, uma delas ao ponto de fazer Direito e o conservatório de guitarra ao mesmo tempo (o pai tinha uma parede de Deutsche Gramophon e cantoras líricas solitárias chamando por ela e por mim). Conheci mulheres em que a música cresceu como uma planta de interior e criou curiosos botões de rosa, frágeis. Davam flor aí duas vezes por ano, sempre que ouviam o Adagietto da 5ª de Mahler ou Jarrett a respirar sobre o piano. Mas elas foram sempre sobretudo e acima de tudo a voz de canções interiores, suas ou outras, as janelas de arquitecturas que mãos engenheiras de homens ergueram. Mesmo a Madre Superiora da interpretação, June Tabor, ou a a de outro convento, Billie Holiday, ou a da congregação ao lado, Ella Fitzgerald, foram sempre a voz de canções alheias. Magníficas, arrebatadoras, mas tradutoras de uma força alheia. Há umas poucas que se foram "da lei da morte libertando": Joni Michell, Kate Bush, Siouxie Siou. Mary Coughlan. Laurie Anderson. Penso que Polly Jean Harvey, mas prestei pouca atenção. Há muitas singer-songwriters, algumas com muito sucesso. Como Diana Krall, que finalmente arranjou um marido compositor, logo um dos mais elogiados dos últimos 30 anos. Há R'n'B ladies que até nos esquecemos que cantam. Há majorettes e há ladies of the road. Não há vida nem morte, porque não há criação. Veja-se quantas são as criadoras de jazz. Ou mulheres que tenham criado música erudita - pós-romântica, dodecafónica, concreta,minimalista, o que for - no século 20. Há uma margem imensa que deveria criar um novo rio, pela sensibilidade que a sua mão tem quando molda: tenho esperança de ouvir um dia um Burt Bacharach feminino. Ou um Énia Morricone que não seja uma Dulce Pontes. Um Robert Fripp de mamas? Certo. À falta de melhor, alguns homens vão apurando a sua sensibilidade feminina: Bowie, Antony... You are my sister... Sister, desliga o ipod e liga o amplificador. Solta o teu acorde.

18 abril 2009

Coisas que tenho em comum com Robert Wyatt - I

Subtítulo: punchline magistrais "What kind of spider understands arachnofobia?" "Free will and testament" - "Shleep" Citado por Paul Weller no seu disco para a Uncut

08 abril 2009

Gouveia Art Rock 2009

O que mais querem? É em Portugal, tem uma programação sempre do mais alto nível e é um evento único no deserto prog nacional. É o Gouveia Art Rock. Ano após ano, firme como a Serra da Estrela! É assim que se combate a desertificação do interior! É assim que se eleva a alma! Avante, camarada, junta o teu ao nosso mellotron!
Teatro-Cine, Gouveia, Portugal1, 2 e 3 de Maio de 2009 California Guitar Trio (Japão/EUA/Bélgica)confirmados para o segundo dia Stick Men (Estados Unidos)feat. Tony Levin Pat Mastelotto & Michael Bernierencabeçam o cartaz do segundo dia Daevid Allen's University of Errors (Austrália/EUA)confirmados para o terceiro dia Koenji Hyakkei (Japão)confirmados para o terceiro dia PFM - Premiata Forneria Marconi (Itáiia)encabeçam o cartaz do último dia Volapük (França)confirmados para o segundo dia Gatto Marte (Itália)confirmados para o primeiro dia October Equus (Espanha)abrem o festival Gordon Giltrap (Inglaterra)confirmado para o segundo dia Focus (Holanda)encabeçam o cartaz do primeiro dia KBB (Japão)confirmados para o segundo dia

Jane Birkin - Enfants d'Hiver

Jane Birkin. Je t'aime mon non plus. Depois de Serge Gainsbourgh, uma compositora cantora intíma e intimista. Um outro disco saciado, sem adereços gratuitos, sem show off. Daqui a 30 anos, sem Sarkozy, Carla Bruni, se crescer entretanto, fará discos assim. Ainda não encontrei um elo fraco, uma malha fora do tecido.

18 março 2009

I am a bird now - em rotação III

Noble beast, a nova obra de Andrew Bird. Um autor raro e coerente, um disco que precisa de espaço e precisa de atenção. Estou a dar-lha.

12 março 2009

Em rotação II

Colectânea 2008 da Editora Pirouet Records.
Destaque para
o 1º tema, de Marc Copland, e para o excelente "River Bend", de John Abercrombie, também com Copland. O "Way too Early" é uma bela balada. Nota: custa menos de 5€ na FNAC.
© 2008 Pirouet RecordsArt.-No: PIT3036EAN-code: 4-260041-180369Price: 10,00 €

Em rotação I

Colectânea 4AD para a série Red Hot and Blue, com eminências e semi-eminências da cena alternativa actual. The National, Bon Iver, Arcade Fire, Beirut, Spoon, Feist, Blonde Redhead, Bon Iver, Cat Power, Andrew Bird, Grizzly Bear... Como em todas as colectâneas, tem o bom e o menos bom, mas o nível é alto em geral. Serve de montra a uma modernidade diferente, ao lado da popularidade de massas (ou nem tanto, como é o caso dos The National... o que é ser famoso hoje em dia?). A ouvir, atenta e progressivamente.

10 março 2009

There's beat in a Gong

GONG – PT. II – “Shamal” e “Expresso II” Não consigo encontrar nada de mal nesta segunda encarnação dos Gong, sob a mão do baterista / percussionista Pierre Moerlen. A musica perdeu a loucura irónica de Kevin Ayers, a espacialidade alienígena e desenvolveu-se uma textura instrumental inteligente, variada, a raiar o jazz rock, mas sobretudo uma música que parte do rock e aposta no ritmo e no virtuosismo dos intérpretes, sem ser delicodoce (apesar do vibrafone). Não pode ser confundida com muzak, nem com jazz rock despachado à pressa. Aqui há matéria suficiente para entreter o ouvinte e prender-lhe atenção ao que acontece no palco sonoro. Em “Expresso II” há as guitarras de Mick Taylor e Allan Holdsworth. Em Shamal há a de Mike Oldfield.

02 março 2009

Rose Kemp

http://www.myspace.com/rosekemp Filha de Maddy Prior e Rick Kemp. Boa linhagem. Prog-folk heavy. Um caminho novo. Vamos atrás, escutando e apreciando.

21 fevereiro 2009

Seasick Steve

A prova de que para fazer boa música só é preciso ritmo e vontade. O instrumento é o menos importante - é preciso é maltratá-lo o suficiente. Vejam Seasick no festival de Reading http://www.youtube.com/watch?v=g6qj6MbAa5c Obrigado, Jorge Q.

17 fevereiro 2009

Spartacus, Terry Callier feat. Zero7

Terry Callier a planar sobre o tema de "Spartacus". Este som tem o peso das memórias que atravessam os sonhos. Aqui fundou-se uma legião de Portisheads avulsos.

http://www.youtube.com/watch?v=8Z99cDfirgE

Para os escravos, está aqui a libertação. Only love will set us free? Who knows...

04 fevereiro 2009

21 dezembro 2008

Revisitando o passado: EOS, Terje Rypdal e David Darling

Esta é música das alturas - lá onde nenhuma presença perturba a sonora presença do inatingível. Será porventura um dos mais experimentais álbuns de Rypdal, esta colaboração com o violoncelista David Darling para a costumeira ECM. Uma capa soberba - só a ECM deveria ser razão de sobra para nunca se ter acabado com o vinil. Iniciam-se as lides com um arremedo metal de Terje, solo absoluto. "Eos", o tema, é um pano sonoro pastosamente elevado (o que noutros poderia ser uma crítica mortal, aqui é um elogio). "Bedtime story" é uma short story que poderia dar uma longa metragem, tal é a diversidade que ideias; "Light Years" é um solo espacial de Darling apoiado em efeitos de eco. "Mirage" é um poema lírico dito ao violoncelo. Muitas razões de sobra para ouvir este álbum em silêncio, ouvindo o silêncio de que ele se faz.

18 dezembro 2008

Grandes temas que o tempo esqueceu nº 45

The Night Watch (Fripp, Wetton, Bruford) Shine, shine, the light of good works shine The watch before the city gates depicted in their prime That golden light all grimy now Three hundred years have passed The worthy Captain and his squad of troopers standing fast The artist knew their faces well The husbands of his lady friends His creditors and councillors In armour bright, the merchant men Official moments of the guild In poses keen from bygone days The city fathers frozen there Upon the canvas dark with age The smell of paint, a flask of wine And turn those faces all to me The blunderbuss and halberd-shaft And Dutch respectability They make their entrance one by one Defenders of that way of life The redbrick home, the bourgeoisie Guitar lessons for the wife So many years we suffered here Our country racked with Spanish wars Now comes a chance to find ourselves And quiet reigns behind our doors We think about posterity again And so the pride of little men The burghers good and true Still living through the painter's hand Request you all to understand

15 dezembro 2008

O que há de novo num quarteto de cordas?

O que pode haver de excitante num quarteto de cordas pegar nuns quantos temas e dar-lhe “o tratamento das cordas”? Os originais não serão suficientemente bons? É preciso dar-lhes um cunho clássico para se tornarem-se credíveis? Ou é só vontade de tocar naquele instrumento chato habitual aquela música divertida que conhecemos, à falta de podermos ser nós a dar às teclas e a ferir de morte a guitarra? Será a vingança dos funcionários públicos sobre os artistas? São pensamentos que me ocorrem enquanto ouço “The String Quartet Tribute to The Flaming Lips”

11 dezembro 2008

Twenty Sixty Six and Then

Mais obscuras fugacidades da galáxia heavy - prog dos anos 70.
A edição em Cd não é uma reedição, porque as tapes do CD original perderam-se e estas são versões mais antigas e mais longas.
As três primeiras faixas valem a pena,

18 novembro 2008

Avisos à navegação

Hoje choverá a Sul do cabo da Roca e há um farol desligado por incuria profissional do faroleiro que está sem receber desde Julho. Entretanto, ouçam Department of Eagles.

09 novembro 2008

Grandes temas aos quais ninguém liga - Nº 347

The Shirelles - Will You Love Me Tomorrow Tonight you're mine completely You give you love so sweetly Tonight the light of love is in your eyes But will you love me tomorrow? Is this a lasting treasure Or just a moment's pleasure? Can I believe the magic of your sighs? Will you still love me tomorrow? Tonight with words unspoken You say that I'm the only one But will my heart be broken When the night meets the morning sun? I'd like to know that your love Is love I can be sure of So tell me now, and I won't ask again Will you still love me tomorrow? So tell me now, and I won't ask again Will you still love me tomorrow? Will you still love me tomorrow?

16 outubro 2008

Info CD: A vida é uma canção 1

Publicação da mui insígne Vindimador Furioso Records. Outubro 2008 Faixas: 01. Kevin Ayers - Something in between 02. Christine Lavin - Bumblebees 03. Midlake - Bandits 04. American Music Club - All my love 05. Fleet Foxes - Mykonos 06. Josh Rouse - Oh, I need all the love 07. The Divine Comedy - Commuter Love 08. American Music Club - The decibels and the little pills 09. Bonnie 'Prince' Billy - I came to hear the music 10. Lee Hazlewood - Please come to Boston 11. Leonard Cohen - A thousand kisses deep 12. Lambchop - The new cobweb summer 13. Mick Jagger - Angel in my heart 14. Bonnie 'Prince' Billy - I've seen it all 15. The Smiths - Last night I dreamt that somebody loved me 16. Lou Reed - Magic and Loss

25 agosto 2008

Mercury Rev em Portugal para concerto a 29 de Novembro

Edição de novo disco + 1 gratuito para download a 29 de Setembro. Já há temas novos em

Lost Tunes

Para procurar coisas antigas
Cerca de 500 títulos, cátálogo ainda em construção. Precisa de crescer para ser uma referência, mas já tem algumas coisas.
Por exemplo, procurem Moloch.

O que roda no prato I

Sigur Rós goes Beatles (tanto como eles conseguem ser), ou como os islandeses também têm Verão.

21 julho 2008

L Cohen was here

Leonard Cohen à beira Tejo, numa noite em que o vento se suspendeu e deixou a Canção estender-se pelas margens. Cohen já não desafia ninguém, sabe que já não tem força e portanto refugia-se no crooning: no seu poder evocativo, na sua presença magnética, na voz enterrada. Longe vão as provocações, o desafio, o desacato sentimental, a inquietude metafísica, o desacerto com o mundo. Resta a pose. Se se retirassem alguns arranjos miseráveis, até podiamos perdoar-lhe, assim apenas contemplamos a decadência e achamos muito bem. A voz está lá, quase roçando as profundezas, mas já não canta, declama. Os últimos álbuns vivem de composições sofríveis, de versos encadeados e certos; apesar disso, a capacidade de achar um significado relevante nos velhos símbolos ainda lá está. A sedução, o sexo, a religião, a perversão ainda estão lá, mais sincréticos e menos explícitos. Como se vivesse mais de imaginar do que experimentar. No concerto, elevou-se a alturas desmesuradas com Hallellujah, cantando com os testículos que lhe restam e menos com o peito mirrado. Buscou alguns temas pré 1979 ("Recent Songs" é o início do fim, fim esse que dura há 30 anos, o que não deixa de ser admirável), mas deixou de fora aquilo que não cabe num concerto-evocação e que podia torná-lo num desafio, como todo o "Songs of Love and Hate"; e também nem uma desse álbum maldito pela mão de Spector e no entanto tão decadente como fascinante: "Death of a Ladies Man". Oh Suzanne, o que é que ainda pensas deste eterno amante ausente? Ainda te apaixonarias por ele? Isso não sei, talvez o convidasses para um chá. Mas cuidado, a fera espreita e pode envolver-te com as suas metáforas insinuantes e arrastar-te para uma cama cada vez mais metafísica. Cohen, e porque tens que estar sempre a agradecer a todos e dar graças por tanta dádiva? Quem te conhece sabe que tu não respeitas ninguém. Apenas o deus Pã, o deus Baco e Eros. O resto, são comuns, vulgares e esquecidos mortais... No final, a grande satisfação de estar perante A Lenda e ouvi-lo dar sentido às suas palavras fortes com a autoridade de quem já viveu até se consumir. Até quem não conhecia se deixou envolver nesta onda suave e simbólica, nesta musica feita simples e poderosa. Goodbye, Cohen.

17 julho 2008

DJ D+ anima as Marias

Dia 25 de Julho, a partir das 22,30, O DJ D+ anima as Marias que vão com as outras, no bar MARIA VAI COM AS OUTRAS, na Rua do Almada 443, Porto (http://maria-vai-com-as-outras.blogspot.com/ ). Para animar as Marias, haverá degustação de objectos gourmet dos anos 70 e 80. Luís C., aka DJ D+

16 julho 2008

DJ D+ apresenta: fauno

Esta quinta-feira, 17 de Julho, no Centro Cultural O Século , o Dj D+ vai fazer os faunos sairem das tocas com as suas flautas e tocarem canções alegres, evocando o espírito do Verão.
Sei que estarás lá, com os teus amigos, imbuído(a) de um profundo sentido de comunhão com as forças telúricas da Natureza e que partilharás das libações erguidas em honra dos deuses pagãos.
Não haverá matiné para as crianças. A partir das 22h No Centro Cultural O SéculoRua de O Século, 80 ( http://www.ruadoseculo.com/ ) Em Lisboa http://www.oseculo.com/

Neil Young no Optimus Alive, 12 Julho 2008

Neil Young dá um concerto espantoso no Optimus Alive, a recordar-nos porque é que gostamos destes dinossauros dos ano 60 / 70: porque eles tocam como ninguém, com uma dedicação á música que desapareceu quase completamente desde aí. Neil Young é, ainda assim, um caso excepcional, de vitalidade, criatividade, rage, e compromisso. Quem já conhece os discos ao vivo dele, especialmente "Weld", sabe o que espera. Mas nada nos preparar para ver este sexagenário arrancar com raiva da sua guitarra solos de vários minutos, tocar virado para os músicos, desafiar em confronto directo o baterista (que ás tantas se perdeu com tanto pára-arranca). Há verdadeira alegria vital, e, perdoe-se o inglesismo, mas não encontro melhor, commitment na forma como Neil conduz o concerto. Ele é o líder absoluto, incontestado, os outros estão lá para o seguir, muito bem, muito competentemente, mas sem que haja margem para grandes exposições individuais. Pontos altos do concerto foram Rockin' in a Free World, o inevitável Cortez the Killer, a versão de mais de 20 minutos de No Hidden Path, o lirismo pastoral de Mother Earth tocado num orgão de tubos e o espantoso encore de A Day in The Life, dos Beatles. Pus-me a pensar porque escolheu este tema. Acho que é por causa do verso "I'd like to turn you on", afinal aquilo que Neil tem feito ao longo da vida, interessar / excitar / provocar o público com a sua música. E também porque o tema termina com aquela progressão sem paralelo (que eu conheça) na música popular, até atingir a tal nota inaudível que se diz que só os cães conseguem captar que, no original, é produzida pela orquestra. Procura Neil a nota final gloriosa e que está tão acima que se torna inaudível? A julgar pelo esventramento final da guitarra, as cordas arrancadas, a explosão de distorção e o depósito final do instrumento em estertor no chão do palco, provavelmente sim. Notável, ficará na memória de todos os presentes como um dos grandes concertos a que assistiram na vida. Hats off to Neil.
Alguns links sobre o concerto:

Carlos Bica no Museu do oriente, 11 de Julho

Carlos Bica está num grande momento, com uma segurança que lhe permite tocar com várias formações de cariz diferente. Believer, o seu último álbum esteve em destaque no concerto do passado dia 11 no Museu do oriente. A formação, além de Bica, era composta por João Paulo nas teclas e acordeão e por Mário Delgado na guitarra e "devices". Esta música é jazz puro e duro, Bica move-se nas franjas do rock, flirta com a electrónica, o reggae e a música pimba (?), através de associações livres em que o que releva é a criatividade. A inserção de uma composição de Marc Ribot não é acidental). Muita segurança, controlo da composição, critividade nos arranjos. Delgado está em grande forma, investindo mais no controlo das multiplas possibilidades de som que é possível extrair da guitarra e pedais do que em show off virtuosístico. Um concerto de grande nível, numa sala com uma acústica muito boa. Pena é que tivesse pouco público...

13 maio 2008

The Cinematic Orchestra - Live at the Royal albert Hall

Sou fã da Cinematic Orchestra desde o primeiro álbum, Motion, em 1999. Vão no sexto. Não sei bem como defini-los. Fazem uma espécie de soul cinemática. Uma soul que é mais alma que James Brown. Uma soul de grandes espaços e vozes dramáticas. Movimentos de massas arrastados por batidas magnetizantes. Este é o album que vou guardar deles por muito tempo. Deve ter sido um concerto fantástico. É música de grandes espaços, intensa e humana.

11 maio 2008

Ketil Bjornstad e Terje Rypdal, Life in Leipzig

Lançado a 15 de Abril, o terceiro álbum do duo Ketil Bjornstad e Terje Rypdal resume a colaboração anterior e outras obras pessoais num álbum ao vivo em Leipzig (Life in Leipzig). O álbum é uma experiência emocional intensa, pelas características dos dois músicos, especialmente de Rypdal, que é um guitarrista de grandes e variados recursos e os uso com uma intensidade invulgar. Rypdal é um "romântico", não no sentido do músico lamechas, mas no sentido usado no século XIX, do homem em desafio com a natureza e o amor. A qualidade melódica do seu toque é profunda, como se continuamente contasse histórias apaixonadas através das suas ondas sónicas. O duo ouve-se como dois instrumentos separados, Bjornstad não é o suporte da guitarra de Rypdal. Complementam-se, intergaem, deixam espaço para cada um evoluir. Bjornstad tem uma qualidade "clássica", que faz lembrar aos meus ouvidos pouco treinados, Keith Jarrett em certos momentos. Trata-se de um álbum apaixonante e apaixonado. Links com mais informação http://www.allaboutjazz.com/php/article.php?id=29007 http://www.jazzloft.com/p-47206-life-in-leipzig.aspx

06 maio 2008

Lincoln Jazz Center, 3 de Maio de 2008

Uma noite de excelente jazz no Lincoln Jazz Center, no Time Warner building, em Nova Iorque.
Infelizmente, Bireli Lagrène não compareceu, mas foi uma excelente noite de jazz e de guitarra, com os três guitarristas em formações do solo ao trio. Frank Vignola mais próximo do modelo original de Django, a sua guitarra semi-acústica. Russel Malone pleno de invenção, estilo e rapidez. O baterista, Lewis Nash, rápido, inventivo, vibrante. O contrabaixo competente. Apenas o piano de Mulgrew Miller me desiludiu, porque sem chama e curto.
Avery Brooks, o anfitrião, criou um fio narrativo interessante, num estilo muito negro, muito americano e muito sólido, entre as histórias e as músicas dos dois guitarristas. Haja jazz...

02 abril 2008

T2

Uma das obras mais emocionalmente violenta de todo o rock dos anos 70 permanece virtualmente desconhecida: o álbum "It'll all work out in boomland", dos ingleses T2. Parece (mas não juro), que o CD só existe em edição japonesa, eu cá comprei o meu no Brasil numa loja num centro comercial esconso de São Paulo mas que tinha uma excelente discografia prog e incluindo gravações piratas "por debaixo do balcão" ou nem tanto assim. O álbum é fabuloso, merece destaque o tema "No more white horses", que teve uma versão nos anos 90, pelos suecos Landberk.

25 março 2008

THE Flaming Lips

O peru regressa, depois de ter escapado ileso às festividades natalícias. Do Natal apenas conservou um leve travo a vinho do Porto... The Flaming Lips - At War with the Mystics Os bons discos, tal como o vinho do porto que bebi no Natal, melhoram com a idade. Mais: defendo que alguma distância e audições repetidas nos impedem de ficar tontos com as bolhinhas do champanhe (a novidade) e permitem-nos apreciar os sabores persistentes. Neste caso, é um disco muito bom. Ah, e tem mellotron, como o povo do antigamente gosta.

U.F.O.S at the Zoo MVI (DVD interactivo ou lá o que é) Um concerto em Oklahoma em que se vê: (1) o fenómeno de popularidade alternativa que são os TFL (2) o quão excitante é um concerto deles É muito bom. É comprar. PS. - do MVI (ou lá o que é) sacam-se também os ficheiros de música, para quem quiser gravar o cdzinho ou por no mp3.

www.flaminglips.com

07 dezembro 2007

Grupos de que gosto I

Se este blog não segue nenhuma intenção crítica séria, se não pretende ser referência, nem tão pouco um êxito de público, o que pretende ser então? Ao menos que sirva para anunciar à escuridão circundante da internet, entidade vagamente fantasmagórica, vagamente humana, os meus gostos e o escasso porquê deles. dEUS - aquele grupo belga que ninguém percebe porque é que é belga e no entanto não encaixa em nenhuma outra geografia. Aquilo que se manifesta mais, depois de os ouvir faz já uns anos, é a sua interpretação calmamente disléxica de uma realidade que na primeira abordagem parece normal. Há uma deriva nas raias do borderline que torna os significados correntes reconhecíveis mas estranhos. Não consigo explicar melhor. Vem na capa do último álbum da Róisin Murphy (ex Moloko), uma frase muito curiosa da Laurie Anderson, e que pode ajudar a explicar esta dificuldade: "writing about music is like dancing to architecture". As dificuldades da tradução deixam a língua original intocada, e com o seu esplendor intacto. Portanto: ouvir "The Ideal Crash", ou fazer um percurso pela obra em "no more loud music".

04 dezembro 2007

LEMONGRASS é BOM

Os Lemongrass têm feito ultimamente vários álbuns que não tenho acompanhado, mas há um, de 2001, que é das melhores coisas que conheço de música electrónica, o que é uma expressão muito redutora, mas não me aventuro nas múltiplas designações que esta pode tomar, sob pena de ser ridicularizado por alguém que perceba do assunto. Chama-se "Windows", foi editado pela Mole Listening Pearls, e gosto de tudo nele. Desde a capa, até ao último dos temas. Há um tema de uma leveza extrema, perante o qual ninguém é capaz de deixar de sorrir e pensar que a vida é bela, chamado "Winnetou Melody".

21 novembro 2007

Boston -Newbury Comics

Uma breve estadia em Boston revelou-se devastadora em efeitos patrimoniais, mas compensadora em prazeres auriculares. A Newbury Comics, em Newbury street, é um poiso predilecto, com novos e usados, cds e dvds, comics e bonecos para todos os gostos. É possível perder-se lá durante 2-3 horas, na companhia de um cartão de crédito, e ainda sair com um sorriso estúpido na cara. A cotação do dólar ajuda. Os estragos de hoje, a analisar mais detalhadamente: -Neil Young, Chrome Dreams II (2007) - The Flaming Lips - Heart it is (1986) - Joni Mitchell - Shine (2007 - Elliott Smith - New Moon (2007) - Herbie Hancock - river- the joni letters (2007) - Mahavishnu Orchestra - Mahavishnu (1984) - Clare & the Reasons - Movie (2007) - Silver Apples - Silver Apples (1968) - Robert Plant + Alison Krauss - Raising Sand (2007) - Gilles Peterson - Digs America 2 (2007) - Vanessa Carlton - Be not nobody (2002) - Two Gallants - Two Gallants (2007) - Eddie Vedder - Into the Wild (2007) - Neil Young - Crazy Horse at the fillmore 1970 (2006) - Robert Wyatt - eps (1999) - Led Zeppelin - Mothership (2007)

17 novembro 2007

What is prog?

Um texto que escrevi há uns anos em inglês, sobre o que é rock progressivo. Na altura achava que ainda havia alguma coisa a dizer, antes de descobrir o manancial que a internet nos serve, quase sem o pedirmos. Like belonging to a club, being a progger is not a matter of science. Is a matter of faith. And, like faith, it can’t be explained. But believers always try to bring new believers on board. So they must a build a theory to explain their faith. Here’s mine. Having a crush on a prog would require defining prog before, so that it can be understandable to non-proggers. But I’ll skip that. Let’s assume you will recognize prog when you hear it, after a few samples or drawing from your own experience. So, what defines prog? First of all, prog music is not an island, it doesn’t stand apart from the rest of the world. Prog music exhibits links to other types of music - be it classical, jazz, ethnic, folk, blues or contemporary. So the bridges are open to appreciators of other kinds of music the prog to appreciate the pro edge – what is that they’ll consider prog does to their favourite music. To them, prog would be like a simplification of the styles that turns them on. But prog has its own edge to it. This type of music draws heavily on changing time signatures, interplay between instruments and extended soloing. But that’s not the end of it. If it would be so, acts like Procol Harum or Moody Blues would be excluded from the concept. Also more contained performers are considered prog, because they explore new forms of song, combining voice with unusual orchestrations. Such is the case of above groups, but others could be mentioned, like Supertramp, Styx, Spirit or Ithaca, a rather obscure English group close to the Pink Floyd's Ummagumma. Psychedelic music, either in is English or Californian form would fall into this category. Although some of the groups display exquisite solo performers, psychedelic music is deeply anchored in the format of song. Pink Floyd is one of the examples of groups starting from a song based approach and developing into extended soloing. Some of the deep proggers, let’s say, will just start a song as an excuse to solo all the way through, That is that case of Phish, for instance, that can fall into this range, but to some ears will sound like extended rock soloists. And how to classify Frank Zappa, for instance? Prog music bears a challenging mood to convention that can assume many forms. The most extreme ones are exemplified by bands like 5uuu’s, Art Bears, or Magma. They fall into the categories of zeuhl and RIO (rock in opposition), and can differ substantially to the sweet and mild twist and turns of Camel or Barclay James Harvest, for example. But the regular prog is a defying convention in some way. What convention? I think the best way to explain is to look to what was the matrix of popular music before prog. In an extreme simplified look, you can reduce it to a R’n’b matrix that in some cases is tempered by soul. Other styles co-existed, like jazz or classical, but never mixed. So the novelty that prog brought to the popular scene was to mix styles. A song would begin with a bach-like introduction just evolve into some form of rock’n’roll jam (Curved Air, for instance, who were keen on Vivaldi). Renaissance was one of the goups to rely heavily on classical influences. Procol Harum’s A Salty Dog and Grand Hotel are great example of fine craftsmanship of blending rock’n’roll and classic music. Other groups melted very successfully jazz and rock. I’m not talking about the jazz rock movement, which is a chapter of popular music in itself, and should be considered progressive music (not rock), following what Miles Davis initiated in the end of the sixties. I’m talking of more down-to-earth approaches, solid mixes of jazz beats and solos and rock harmonies. Take Brian Auger, Catapilla, the wonderful Keith Tippet records or King Crimson’s Lizard. Are they jazz, are they rock? They are jazz with a rocking flavour to it. Or rock extending its boundaries into swinging territory of jazz. Lizard is one of the most wonderful works of the entire prog movement. Blending psychedelia, jazz, rock and classical it creates a unique body of sensations that are entirely new not only to its time but to ours. This challenging mood has assumed more frequently than not some forms of its own. Some groups like Gentle Giant, Genesis, Van Der Graaf Generator, Can, Tangerine Dream, Pink Floyd created new musical languages of their own. Can prog be defined? Yes, by the listener that suddenly says: this is prog. He has learned that prog is a quality that invades some of the best music we’ve (never) heard. Otherwise, it’s just jargon, and one can easily mistake the concept with some pompous or empty orchestration.