01 novembro 2011

O single, esse renegado

Coleccionar discos é um enorme prazer, porque os discos são objectos que nos dão prazer; não é só a avidez da colecção e possuir raridades que move os coleccionadores. A música, ao contrario de outras colecções, tem uma utilidade que não se esgota na posse do objecto.

Diria mesmo que neste tempo de democracia digital, em que tudo está acessível a todos, coleccionar discos é uma forma de resistência. Quanto mais o computador é inundado de downloads, maior é a vontade de o fechar e pôr no prato o disco preto.

A última panca que me deu é procurar singles. Nunca liguei nada aos singles, que eram vistos como o parente pobre do disco nobre, o 33 rpm. Contudo, e não ignorando o facto de que por vezes os singles tinham melhor som que os irmãos mais velhos, o single tem o apelo especial de ser o tema escolhido do LP. E por vezes precediam mesmo a edição do LP. E depois há os misteriosos lados B, que às vezes acumulavam pó, outras vezes escondiam pérolas.

As horas passadas a vasculhar discotecas são horas de expectativa: até que nos sentemos em frente ao gira-discos (depois de convenientemente lavados os discos) e comecemos a desfrutar.

O que é importante é criar uma colecção que tenha a nossa cara. Procurar as músicas com que nos identificamos. Ou então procurá-las com um fim específico, como fazer uma festa revivalista.

E depois há o prazer físico do objecto: a capa (quando não é uma das capas genéricas brancas), o rótulo da editora, as próprias editoras míticas, como a Vertigo, a Blue Note ou a Tamla Motown...

Uma discoteca de Lisboa tem à venda a preço de saldo um espólio importante de singles, a maior parte proveniente de rádios, com muitas edições inglesas e americanas. Nas buscas no espólio tem aparecido coisas interessantes, embora seja preciso estar atento à qualidade dos discos. É que os singles, pela sua menor importância e maior portabilidade, sempre foram a festas onde se entornavam copos e conviviam com agulhas rombudas e foram desprezados para cantos esconsos onde às vezes os gatos e os cães iam aninhar-se. Daí ser fundamental a "desparasitação"...

Os raids recentes permitiram desenterrar algumas preciosidades:

Laura Nyro . It's Gonna Take a Miracle / Desiree - edição original americana, lançada a 11 de Fevereiro de 1972. Laura Nyro foi uma das melhores autoras e cantoras americanas dos anos 70, um verdadeiro ídolo da ala mais esclarecida da música popular americana. Joss Stone é uma herdeira da sua intensidade (embora não da sua criatividade).

David Crosby - Traction in the rain / Orleans - 1971 - edição portuguesa

Beach Boys - God Only Knows / Beach Boys Medley - 1966 - edição inglesa - belíssimo tema

Beach Boys - Surfin' USA / Shut Down - edição inglesa

John Lennon & Plastic Ono Band - Power to the People / Open your Box - 1971 - edição inglesa da Apple Records

Plastic Ono Band - Give Peace a Chance / Remember Love - 1969 - edição inglesa da Apple, com a nota impressa: recorded in room 1742 Hotel La Reine Elizabeth, Montreal

John Lennon - Mind Games / Meat City - 1973 - ed. inglesa

Amen Corner - (IF PARADISE IS) HALF AS NICE / HEY HEY GIRL - 1969 - curiosidade de Gales que conta como vocalista com Andy Fairweather Low, actualmente a tocar com Roger Waters

Joni Mitchell - Casey / This Flight Tonigth - 1971 - ed. portuguesa - do álbum "Blue", uma das suas obras-primas

Jimmie Spheeris - The Original Tap Dancing Kid / Beautiful News - ed. americana, 1973 - é quase impossível encontrar cds deste autor americano de culto (há alguns à venda na net, usados, entre 20 e 30€), mas ainda se vão encontrando alguns vinis.

John Kongos - Sometimes it's not enough/ He's Gonna step on you again - 1971 - mais que uma raridade, é uma obscuridade, porque este sul africano que se mudou para Londres em busca de êxito produziu muito pouco.

Elvis Costello - Accidents will happen 1979 - ed. inglesa - um single de um dos primeiros Lp's de Costello (Armed Forces), tem a particularidade de, em referência ao título, a capa estar impressa na parte de dentro e não da parte de fora.

Marlene Dietrich - Lily Marlene / Symphonie - O tema mais conhecido da diva do cinema, numa reedição de 1980.

21 outubro 2011

19 outubro 2011

O novo prog

A maior parte do chamado prog recente soa como uma versão degradada dos Genesis - segunda encarnação ou, pior ainda, dos Marillion, eles próprios uma fotocópia em papel higiénico dos Genesis II. Ou seja, muito do que se ouve por aí é um neo-prog descarado, sem pinga de originalidade. Ou então são aqueles tipos do prog metal, que metralham música e mudam de tons para parecerem progressivos.

Por isso não acompanho com muita dedicação o que se vai fazendo (o investimento raramente compensa). No entanto, tem havido algumas boas surpresas. Os Anekdoten (já com uns anos), os White Willow ou os Paatos (todos nórdicos...), são bons exemplos.

Quando surge uma voz original (nota: não estou a dizer "sem referências"), é algo muito bem vindo. É o caso de Phi Yaan-Zek, guitarrista londrino. Há aqui Frank Zappa de The Adventures the Greggary Peccary (De "Studio Tan"), mas é uma outra coisa. É uma mistura pessoal de jazz, clássico e hard rock. Mas com o espírito de liberdade criativa que é a grande herança musical de Zappa.

Encontrei muito pouca coisa dele no TeuTubo, mas esta é um bom exemplo. Ora ouçam:


http://www.phiyaan-zek.com/

18 outubro 2011

Edições 30 e 40 anos dos King Crimson

Continuam... A 24 de Outubro vão ser lançadas as edições em CD 40 anos de Starless and Bible Black e 30 anos de Discipline (24 Outubro).

Starless & Bible Black: 40th Anniversary Edition

Discipline: 40th Anniversary Series
As remasters, do que já conheço são boas... os extras, dispensáveis, o preço elevado. E a qualidade continua  a não ser tão boa como o vinil.

Lou Reed and Metallica

And now, for something completely different...

Lulu is a musical collaboration between Lou Reed and Metallica.
After Lou performed with Metallica at the Rock and Roll Hall of Fame concerts in New York in 2009 they all knew they wanted to make more music together.
Lulu is released on 31 October 2011 and is available to pre-order now in two formats.
Lou Reid & Metallica 'Lulu' Deluxe Poster Tube Edition:





- 2 x CDs in a digipack fold out wallet
- Giant lyrics poster (1.2 metres x 1.6 metres)
- 3 frameable Anton Corbijn Prints (50cm x 50.8cm)

It is all contained within a fully artworked bespoke numbered cardboard poster tube (13cm x1.24m).

O concerto de Crosby & Nash no Royal Albert Hall – 10 Outubro 2011

Crosby and Nash… dirão muitos que lhes falta o Stills e o Young, que, esse sim, era o dream concert. Era sim senhor. Mas, como o sonho não há maneira de se realizar (pelo menos o Young não está para estes actos de revivalismo, o caminho dele é sempre em frente), há que aproveitar o que há.

E o que houve foi um excelentíssimo concerto, que digo sem hesitações que foi dos melhores que vi. Pela música, pelos músicos, pelo local e pelo facto muito especial de dois velhotes (mais de 70 anos!) estarem ali a fazer música por pleno direito, com emoção e força como há 40 atrás, sem que esse facto parecesse revivalismo ou um esforço para contentar o público…

David Crosby já passou por muito na vida, terríveis dependências e doenças, viveu os píncaros da glória e a amargura do esquecimento; fez a travessia do seu deserto pessoal (porra! Isto agora parecia o Paulo Coelho!...). Engordou e parece uma pêra, que já foi bebêda. Já Graham Nash mantém a pinta de englishman sedutor que lhe permitiu fazer rodear-se de algumas das beldades da sua geração (Joni Mitchell incluída, a destinatária de “Our House”). No palco, tratam-se como dois velhos amigos, picando-se mutuamente e demonstrando a cumplicidade de uma carreira e uma vida já longas.

O que é arrepiante é ouvi-los. Os dois juntos fazem uma das mais belas harmonizações do rock. E cantam hoje como antes, Crosby melhor que em muito do seu trabalho a solo. “Almost cut my hair”, a bandeira libertária de uma geração e um dos hinos dos 60, soa hoje mais urgente e poderosa que ouvida no mítico “Crosby, Still, Nash & Young”. E o mesmo se repete em todos os temas. “Guinnevere”, do primeiro álbum, é uma filigrana medieval para duas vozes. “To the last whale” é de fazer subir aranhas pela coluna. “Wooden ships” foi uma excursão pelos antigos e novos caminhos - e é preciso coragem para arriscar fugir das fórmulas já provadas.

As mais de duas horas do concerto sumiram-se como areia na mão. Começaram com “Eigth Miles High”, numa homenagem aos Byrds de Crosby antes dos CSN. Pelo meio houve a subida ao palco de Allan Clark, dos Hollies, a banda anterior de Nash, para cantar “Bus Stop”. Houve uma dedicatória do concerto a David Gilmour, “pela trabalho inspirador dele”. Houve uma secreta esperança de que ele se juntasse à banda em palco, retribuindo o que eles fizeram no concerto dele no RAH, mas em vão. Foi com a sensação de oportunidade perdida que soube depois que Gilmour assistiu ao concerto num dos camarotes…

Acabou com o Royal Albert Hall a cantar em coro “Teach your children”.

A banda era de excelente qualidade, qualquer um deles músico de excepção, sendo difícil destacar algum deles, embora o guitarrista me tenha parecido incrivelmente versátil e competente. Mas qualquer um deles é um músico de mão cheia por direito próprio. Com a curiosidade do filho de Crosby tocar (e bem!), piano.

Um comentário final para a especulação sobre as verdadeiras motivações de tournées como esta. Acredito que sejam pecuniárias, o que para mim não levanta problemas de maior. São músicos, vivem da música, têm que fazer dinheiro dela. Provavelmente, os royalties, se os souberam acautelar através de contratos correctamente feitos, não são hoje o que foram no passado. Tanto a sua projecção como artistas como a pirataria digital devem fazer com que a sua notoriedade seja bastante superior à sua rentabilidade… Os concertos são hoje uma das fontes de rendimento dos artistas, aos quais somam as edições em DVD (também eles pirateados…)e o merchandising. Curiosamente, no concerto era possível comprar por 20 libras a gravação do mesmo, a fazer por FLAC, lossless ou mp3 a partir de um site. Uma forma inteligente de fazer dinheiro e satisfazer a nostalgia de quem assiste. Acabo de fazer o download do concerto, e é certamente diferente poder dizer “este é o concerto que ouvi no RAH” de ouvir uma qualquer outra gravação ao vivo. Portanto , façam o dinheiro que quiserem desde que nos dêem música desta qualidade.

A banda:
James Raymond -keyboards
Dean Parks – guitar
Kevin McCormick- bass
Steve DiStanislao on drums.

O alinhamento
(tirado de memória, alguns nomes podem não corresponder ao nome real dos temas…)


1ª parte
Eigth miles high
I used to be king
Long time gone
Marrakech express
Lay me down
Old soldier
A song before I go
Slice of time
Don't dig here
Critical mass
To the last whale
Almost cut my hair

2ª parte
Alan Clark the hollies - bus stop
Our house
Guinnevere
In your name
Who are the men
They want it all
Having it all
Vendome
Cathedral
Deja vu
Military madness
Wooden ships

Encore
Chicago
Teach your children


Alguns "takes" do concerto carregados no Youtube:

Almost Cut my hair


Cathedral


Lay me down


Teach your children

2012 promete

O Hélio J fez chegar esta mensagem que Neil young publicou no seu blogue...

13 outubro 2011

Uma opinião muito válida

Da newsletter semanal da Record Collector, um ponto em defesa do vinil, que eu partilho.

Também já me vi olhado como um lunático por defender o disco preto, um fulano raro, no mínimo. Nada que me afecte, mas tenho visto as pessoas "normais" mudarem de opinião muitas vezes, a maior parte das vezes sem se aperceberem e sem se darem conta das razões das posições que defendem. Sempre foi assim, sempre assim será. A memória é um instrumento  poderosíssimo, a maior parte das vezes incómodo. Quando as posições passadas se tornam incómodas (mesmo que devidamente registadas sem margem para dúvida), entram em cena as teorias de interpretação da história. Mas isso já é muita filosofia para um tema tão simples...

I’ve got friends who regard me as a lunatic for buying records. They can’t understand why I’d want to clutter up the house with sheets of black plastic encased in cardboard. After all, why not invest in an MP3 player and free up 40 acres of floor space occupied by vinyl? Actually, I am not the sort of idiot who thinks a laptop is another name for a cat. And I do own an MP3 player, but it’s full of vinyl that I’ve ‘ripped’ on to it – what’s the point? But sometimes there’s an advantage in being a Luddite. The newspaper – yes, an old-fashioned paper, not an cyberspace transmission – tells me that PlayStations have been under cyber attack, and that the Blackberry has been knackered for days owing to some wee glitch. I am glad to report that my portable entertainment system (no, no, not that one missus) of two Technics SL 1200s, a mixer and a prohibitively weighty box of 45s is still fully functional. It might not be completely convenient to carry with me on the daily commute but at least it doesn’t depend on anything other than 240 volts delivered via a 13 amp plug to work. As someone once said of The Troggs, it’s so far behind, it’s in front. In fact, some experts in technology believe that vinyl will be the last survivor of our musical era: it is delivered by mechanical means and long after the current computer musical formats have been made redundant and CDs have disintegrated, someone will be able to create the means to play these funny bits of black plastic to hear what it was shook our groove thang back in the early 2000s. The future is apparently vinyl. Who’d have thought it...

Radio Soulwax

A música já não é o que era...


Os Soulwax, famosa dupla de Dj's, deixou de publicar obra em suporte físico, pelo menos para já.

Conhecidos pelos discos em nome próprio, pelas inumeras colaborações (ver Wikipedia) e pela longa série de misturas Hang all the DJs, decidiram agorar dedicar-se a transmitir via web (http://radiosoulwax.com/) e a lançar uma aplicação para iphone, ipad e android através da qual fazem broadcasting das suas misturas (das quais também se pode fazer downoad). E esta, hein?

Não é uma forma de promover a música, é a própria difusão da música.

As misturas são boas e têm o plus de serem acompanhadas de animações das capas dos discos usadas.

Alguém quer apostar comigo o Ano da Morte do CD?

Ver também
http://www.2manydjs.com/

Bert Jansch - Mais um que se foi...

A semana passada, no dia 5, morreu, sem grande alarido, Bert Jansch, um dos maiores guitarristas do Reino Unido na área folk, embora a sua obra transcenda o género. Com John Renbourn, Jacqui McShe e Danny Thompson criou os Pentangle, grupo ainda hoje muito admirado pelo cruzamento entre a folk e o jazz.


Era um guitarrista de grande sensibilidade, e compositor muito apreciado. O seu último álbum, "The Black Swan", data já de 2006 e foi considerado um dos grandes trabalhos desse ano.



http://www.bertjansch.com/

Colectânea gratuita

Na editora Adult Swim, de música electrónica contemporânea, há uma colectânea para download gratuito:

http://www.adultswim.com/promos/201109_unclassified/

Eddie Veder

O novo álbum do Pearl Jam solitário, agora dedicado às delícias do ukulele. O meu irmão Pedro recomenda.

A banda sonora de "Into the Wind", o anterior trabaho dele, é também muito recomendável.

(de "Ukulele Songs")

10 outubro 2011

Tori Amos, a filha e Polemicas sortidas

Tori Amos não se cansa de lançar álbuns. As opiniões dividem-se sobre esta autora-compositora, sobretudo desde que lançou "boys from Pele", que rompeu com o que tinha feito anteriormente. Há quem a ache muito sedutora, há quem a deteste. Inegavelmente, tem uma bela voz, por vezes muito parecida com a de Kate Bush. Eu confesso que lhe perdi o rasto ao fim de vários álbuns, por não ver nada de realmente diferente entre eles.

Não viria ela aqui hoje não fora a atenção que o seu ultimo, e décimo segundo, "night of hunters" está a despertar. Trata-se dO primeiro album que grava para a Deutsche Gramophon e é um álbum inteiramente orgânico, perdão, gravado com acompanhamento orquestral... É certo que o seu estilo pianistico tende frequentemente a ser demasiado literal, isto é, a acompanhar a voz, mas tenho que dizer que o resultado final é bom. Tem belos temas, como "snowblind", "battle of trees" ou "cactus practice", este, tal como "job's coffin", com a particularidade de ser cantado em dueto com a sua filha Tash. Aliás, este é um ponto que tem levantado mais polémica, com comentários azedos no youtube. Parece que há quem não aprecie crianças a cantar. Eu acho que o resultado está interessante e don't give a shit para os comentários. Ouçam e julguem pelos vossos ouvidos.
http://www.youtube.com/watch?v=VEIIn_cBzfU&feature=youtube_gdata_player

06 outubro 2011

É bom ver uma mulher de vermelho a tocar guitarra

A sensação do início deste ano, a loira e tonitruante Anna Calvi, ao vivo e em forma numa guitarrada.

John Grant no Sintra Misty

É já no dia 20 de Outubro que surge a oportunidade de ver ao vivo o dono do álbum do ano de 2010 para a Mojo.

Dia 22, o escandinavo frágil e melodioso: Jay-Jay Johanson.

A abrir, no dia 13, o Mr. Tindersticks, Stuart Staples.

http://www.sintra-misty.com/index.php/pt/



Miles Davis Quintet, Cookin'

O Tiago P. ofereceu-me esta obra-prima de 1956.

O quinteto durou até ao seguinte e era constituído po r John Coltrane (ts), Red Garland (p), Paul Chambers (b), "Philly" Joe Jones (d), além do próprio Miles claro.

São 6 temas, cada um melhor que o outro, mas confesso a minha predilecção pela versão de "My Funny Valentine", imbatível em discrição e elegância (competindo com a minha "all time favourite, a de Chet Baker no disco "The Last Great Concert"). Os temas, além desse: "Blues by Five", "When lights are low", "Airegin", "Tune up".

Clássico Absoouto.

03 outubro 2011

Esta mulher é um universo

Agora que está por aí a aparecer a sua nova experiência (a qual, ocasionalmente, inclui um CD), "Biophilia", parece-me lógico voltar onde tudo começou - ao momento em que Björk deixou de querer ser uma artista pop para ser só uma artista.

Note-se: ela sempre foi excelente. E é uma das poucas artistas (e não estou a escolher as artes em que eu a qualifico com este grau superlativo absoluto), a deixar permanentemente marca, a sua marca, independentemente do meio escolhido. O seu primeiro álbum já é um primor (trocadilho entre primeiro e amor...). "Venus as a boy" deveria ser administrado intra-uterinamente às gerações futuras, para fixar de vez o bom gosto na espécie humana.

Bom... esse momento foi quando Björk foi actriz em "Dancer in the Dark", de Lars Von Trier, e compositora da banda sonora ("Selma Songs"). No filme, um dos momentos sublimes é a negação do mundo pela quase-cega, dizendo que já viu tudo o que tinha a ver.



Título muito revelador, este "Dancer in the dark". Mesmo para quem vive no escuro é possível dançar. Ou sobretudo para quem vive no escuro?

Desafio qualquer alma (excepto, naturalmente, alguns que conheço, sem alma), a ver este filme sem se comover.

Este Selma Songs foi sucedido no mesmo ano (2000) pelo belíssimo "Vespertine", que permanecerá para mim sempre enredado numa teia subterrânea de sonhos. Há dez anos atrás, costumava ouvi-lo antes de adormecer e em não poucas noites foi o som da minha insónia.

Poderá a perfuração de um mamilo ser um momento de poesia? Sim, se for poesia pagã. Sim, se a poetisa for Björk.

Steve Hackett - A place called freedom

Sem juízos de valor, o primeiro tema a ser entubado do novo álbum do Steve Hackett.

A notícia Pop do Ano

Pois é. Assim como quem não quer a coisa, Shakira junta-se a Roger Waters para comprar uma ilha nas Bahamas, destinada a um resort turístico. Está no Expresso desta semana.

Almas gémeas, hein? Pelo menos nos negócios.




Consta que após o primeiro encontro RW ficou assim:

DOWNLOAD "DON'T DIG HERE" - A NEW DIGITAL SINGLE FOR FREE

A new digital single, "Don't Dig Here" by Crosby & Nash is now being offered for free, from iTunes.

The song was written by James Raymond. Performed by David Crosby, Graham Nash, James Raymond, Russ Kunkel, Leland Sklar, Dean Parks and Jeff Pevar. Produced by Russ and Nathaniel Kunkel.

REVIEW OF CROSBY AND NASH AT VICAR STREET 09/27/11

Review - Sean Cullivan September 29, 2011 9:00 AM

The always intimate Vicar Street played host to veteran folk rockers Crosby and Nash on Tuesday night. The two great friends and founding members of dysfunctional super-group Crosby, Stills & Nash (& Young) turned in a captivating and stunning show full of passion and verve that belied their age.

The concert kicked off strongly with the Byrds' psychedelic anthem Eight Miles High and with more solo works from both artists, newer tracks from their most recent releases and several diamonds from their late 60's and 70's chart-topping peak it was a show that had something for everyone. Crosby and Nash's trademark hippie activism was also to the fore throughout with genuinely angry and passionate introductions to songs dealing with topics such as nuclear waste, saving the whales, corporate greed, the distribution of wealth, and war.

As a whole, the two and a half hour show the featured some near flawless performances. The two starts were ably backed by four excellent musicians, including Crosby's son James Raymond on keyboards. The between song bantering between Crosby and Nash was also terrific, a real highlight. They played off each other wonderfully and they come across simply as two great friends who enjoy making music with each other, even after forty odd years together. Crosby bringing up the Black and Tans to slag the Englishman Nash and Nash forcing Crosby to admit to having a body shaped like an avocado were just two of the funnier wisecracks from the pair, who were in really good form throughout.

And the songs. Classics such as a hard rocking Long Time Coming, a wonderfully eccentric Marrakesh Express, an extended Déjà vu including a rare harmonica solo from Nash, Our House with a funny stat about women losing their virginity to it from Crosby, a delicate acoustic duet on Guinnevere, Cathedral and Military Madness just some of the highlights of a fabulous show. The great thing about this concert was that Crosby and Nash saved their best for last, blowing everybody in the audience away with the closing four songs. No one in the audience was sitting down by the end of this gig, people were getting lost in the amazing occasion.

First of the four was Almost Cut My Hair with that distinctive throaty Crosby vocal showing he's still got it was the highlight of the evening for me. The raw power of the song really had an impact and got people standing. They followed this with a similarly powerful version of Wooden ships which the band really rocked hard before they then left the stage to huge applause. After a short break the band returned for an encore starting with a version of Chicago sounding every bit as powerful as it was when first released 40 years ago before Crosby and Nash closed the show with a lovely version of Teach Your Children which had everyone singing along, bringing us all down gently and letting us float off into the night on the back of an amazing experience.

01 outubro 2011

Crosby & Nash - Guinnevere

.. em preparação para o concerto da próxima semana em Londres - este clássico absoluto - do primeiro disco dos CSN.

dEUS está mais perto

Intervalo nas velharias para bom som novo. O próximo álbum dos belgas dEUS "Keep you close" está aí a estourar e chama-se "Constant Now".

Progresso a Leste - 2

Nurt - "Nurt" - 1971

Estes são polacos, e descobri-os por intermédio do dono de uma loja de discos de rock progressivo em Varsóvia, num páteo nas traseiras da cosmopolita Nowy Swiát. Garantiu-me que eram uma preciosidade e lá trouxe o CD. Soam muito a Cream polacos e estão na mesma linha dos dinamarqueses Young Flowers que o Sérgio R. partilhou aqui há uns dias em comentário e que eu aproveito para por aqui por extenso.



Progresso a Leste - 1

O rock progressivo tem estado muito activo a Leste, com boas bandas polacas e húngaras, por exemplo. Os After Crying são um coelctivo de oito elementos, húngaro, excelentes instrumentistas e compositores. Os primeiros álbuns apontam para um cruzamento do clássico com o rock, sobretudo com as cores dos King Crimson do período 73-75 e também dos ELP. Este tema é do último trabalho deles, de 2003, "Show", e é o melhor tema de um disco desiquilibrado, que procura muitos caminhos e encontra poucos. Mas este, sendo diferente de tudo o que fizeram antes, é um tema que não desmerece em qualquer antologia completa do prog. Como é um tema muito longo, vai em três partes.





28 setembro 2011

Rumer - Am I Forgiven?

Esta inglesa suave lembra a voz extraordinaire de Karen Carpenter. Laura Nyro não anda longe. Os arranjos neste tema são puro Bacharach. No álbum, até tem uma versão de "Alfie"! Tudo boas raízes para um fruto muito saboroso. Desculpem lá vocês que gostam de coisas rock musculadas, mas Rumer é uma delícia retro que ficará bem em qualquer antologia no futuro quando as décadas não forem um critério de selecção. Isto é um clássico.


27 setembro 2011

Vídeo recomendado pelo Perú Honorário (e em breve contribuidor?) Sérgio R.

Mary Griffin & George Clinton & Parliament/Funkadelic, Paris 2011

26 setembro 2011

Novidades - Peter Gabriel e Steve Hackett



Peter Gabriel - "New Blood" - A lançar em 11 de Outubro.


Tratamento à moda de "Scratch my back" de temas próprios, isto é, temas refeitos com o auxílio de orquestra / cordas / metais. O alinhamento percorre diversos trabalhos a solo de Gabriel:

Disc: 1
1. Rhythm of the Heat
2. Downside Up (featuring Melanie Gabriel)
3. San Jacinto
4. Intruder
5. Wallflower
6. In Your Eyes
7. Mercy Street
8. Red Rain
9. Darkness
10. Don't Give Up (featuring Ane Brun)
See all 14 tracks on this disc

Disc: 2
1. The Rhythm of the Heat (instrumental)
2. Downside Up (instrumental)
3. San Jacinto (instrumental)
4. Intruder (instrumental)
5. Wallflower (instrumental)
6. In Your Eyes (instrumental)
7. Mercy Street (instrumental)
8. Red Rain (instrumental)
9. Darkness (instrumental)
10. Don't Give Up (instrumental)

Steve Hackett : "Beyond the Shrouded Horizon" - saiu hoje na Europa


Álbum duplo, que Steve Hackett descreve assim:


My new album Beyond the Shrouded Horizon breaks free from its moorings in early autumn and sets sail through choppy riffs and sudden electric storms to the odd romantic isle...
From Sinbad seas to Startrek oceans of deep sky, it's an odyssey. Invisible chords link pop to pomp, blues to baroque, embracing all genres discovered along the way. Let ethonic guitar forces and power of song take you to where waves crash through de-tuned orchestras over the edge of charted territories.

Willie the Pimp empata com Montana

No nosso modesto poll sobre o melhor tema de Frank Zappa, Willie the Pimp, de "Hot Rats", empata com "Montana", de "Over-nite sensation". Qualquer um dos dois um excelente tema!

Relembrando:

Willie the Pimp


Montana

Os porcos voltam a voar

:)

Entretanto, em
http://www.youtube.com/OfficialPinkFloyd, every hour, on the hour, between now and September 28th, you can hear Pink Floyd's performance of The Dark Side Of The Moon from Wembley 1974, accompanied by some of the original concert screen films, and connecting with fans across the world who are also watching - and commenting - with you:

25 setembro 2011

Vibravoid

Os Vibravoid são uma banda psicadélica alemã formada no inicio dos anos 00, com um look underground, muito sixties - swinging london. Tocam temas dos Pink Floyd, como este "Set the Controls for the Heart of the Sun" ou "Let there be more light".

http://www.vibravoid.com/ip.html

Este tema é do álbum de 2011 "Minddrugs".

Dobradinha nº1

Este tema dos Jefferson Airplane, cantado pela Grace Slick, que inaugurou o canto das gatinhas aqui no Peru, é um tema especial, pela importância (identificação com o movimento hippie californiano), pelo significado (a temática lisérgica), pela música (com uma progressão oriental terminando numa explosão rock)e pela vocalização intensa e misteriosa.

Motivos mais que suficientes para inaugurar a secção "Dobradinha" aqui do Perú, onde serão trazidos temas originais e versões interessantes que deles foram feitos.

No caso, começamos com a June Tabor com a Oyster Band e depois temos o original.

A versão de June Tabor


A versão dos Jefferson Airplane, de 1967

Haddy N'Jie

Esta norueguesa tem três álbuns publicados, o último dos quais "World of the Free" de 2010. De mérito seu,uma voz própria e muito feeling. Uma voz a seguir!

O primeiro vídeo não está completo, é apenas o primeiro minuto. O título significa "My little country" é um tema dedicado à Noruega.



20 setembro 2011

Hoje entraram no espólio


Amazing Blondel, "Fantasia Lindum" - 3º álbum, de 1971, desta banda de progressive folk ou música medieval revisitada  ou... edição espanhola em muito bom estado auditivo! Muito bom.


















Obra maestra dos Van Der Graaf, "Still Life" de 1976. Capa das mais icónicas do rock. Estado impecável, o que é uma sorte.

















Esta é uma compilação dos anos de fusão (sobretudo) de Bill Bruford, incluindo trabalhos com Patrick Moraz. Evitei comprar este disco desde que o ouvi pela primeira vez, até hoje em que achei que provavelmente a minha juventude não me permitia apreciá-lo devidamente. Veremos...

Este já tinha... mas numa cópia gasta e chegou a altura de render novamente tributo ao primeiro disco de matemática avançada dos King Crimson. Embora RED já tivesse umas equações, este é definitivamente o salto para a cibernética... Indispensável!

And that's all folks! Agora vou ouvi-los!

18 setembro 2011

Os melhores temas de Zappa

5 temas é curto para uma carreira como a do Zappa, mas estes estão certamente entre os melhores.
Qual o melhor? Faz a tua escolha


Willie the Pimp


Montana


The Torture Never Stops - live in New York


Watermelon in Easter Hay


Black Napkins

Filme de Jonathan Demme sobre Neil Young

Clip do filme, apresentado a semana passada no Festival de Toronto:

14 setembro 2011

Communism, Anarchism, Nihilism

Algures no tempo, ao longo do ano de 77, era bastante vulgar ver-se, nas montras das discotecas, uma capa que tinha a imagem de um disco em forma de lâmina de serra eléctrica. Era o “Saw Delight” dos CAN. Na verdade, nada de especial numa época em que a indústria discográfica permitia aos artistas plásticos e aos fotógrafos uma liberdade criativa sem precedentes. Mas a imagem impressionou-me bastante (ao ponto de ainda recordar os momentos em que a vi), talvez porque contrastava com muito do que se via na época ou, melhor dizendo, com muito do que eu via na época – nada que se parecesse com as capas do Zappa (algumas desenhadas pelo próprio), do Roger Dean, do Andy Warhol, do Matias Klarwein e de outros que normalmente entravam e saíam de minha casa.

Como diz o velho aforismo, “quem diz a verdade não merece castigo”. Confesso que não fiquei, nessa altura, particularmente impressionado com a música “Krautrock” e, no que respeita os CAN (co-fundadores do movimento), não vibrei com o primeiro álbum da banda, “Monster Movie” (gostava mais da música dos Amon Düül II…). Porquê? Certamente porque ouvi o disco uma ou duas vezes sem prestar atenção; porque não é um disco fácil e andava ocupado a ouvir outras coisas ou porque as capas dos discos eram, na época (talvez sempre o tenham sido), uma espécie de extensão plástica da música gravada…

A verdade é que perdi bastante até ao dia em que o “Saw Delight” me foi oferecido pelo Luís, no início do passado mês de Agosto… Mas o importante a dizer é que vale a pena conhecer este álbum dos CAN, o qual utiliza uma linguagem eclética (há diferenças importantes face ao “Monster Movie”, a avaliar pela remota memória que tenho deste) que precede e anuncia a expansão desse imenso caldeirão musical a que se chama “world music”. Vale a pena apreciar a beleza encantatória das ambiências que raiam do seu universo minimalista, envolvente e magistralmente integrado numa secção rítmica precisa e intrépida (o Jaki Liebezeit faz inveja às melhores caixas rítmicas do mercado). Quase paradoxais são também as sensações de relaxamento e de euforia que parecem coexistir num contexto muito arejado, jubiloso e fresco … tudo muito claro, leve e luminoso, a contrastar com a precisão matemática da secção baixo-bateria! Excelente música! 

Curiosamente, a segunda música do álbum, “Sunshine Day and Night”, imediatamente me fez lembrar partes do “CANtigas de Maio” do nosso José Afonso, trabalho genial e indiscutivelmente inovador, cujos elementos étnicos me ficaram mais nítidos depois da audição deste delicioso “Saw Delight”…

Finalmente e para quem não sabe, foi durante uma estadia relativamente prolongada na cidade de Nova York (1968), durante a qual conviveu bastante com músicos como Steve Reich, Terry Riley, John Cale, Lou Reed, restantes membros dos “The Velvet” e outros, que Irmin Schmidt – distinto pianista e compositor nascido e criado nessa Alemanha de poetas e pensadores, cujo génio foi tão (justamente) celebrado no período romântico –, diz ter sido corrompido pelo inefável fulgor criativo da época, designadamente pelo que se andava a fazer na música Rock! Uma vez regressado à Alemanha (país em grande efervescência intelectual que continua a valorizar a educação musical dos seus filhos do pós-guerra), apressou-se em fundar os CAN, com outros músicos de carreira e abertos a novas experiências, como sejam o excelente baixista Holger Czukay, o guitarrista e violinista Michael Karoli, o baterista Jaki Liebezeit e o vocalista Malcolm Mooney (este último acabou por sair logo em 1969).

Não me vou alongar sobre o grupo propriamente dito. Há imenso material disponível para quem quiser saber mais sobre os CAN, sendo certo que o importante é mesmo ouvir a extraordinária música produzida por este extraordinário grupo. E o “Saw Delight” é apenas o nono álbum de um conjunto de doze, que certamente vale a pena conhecer!

O canto das gatinhas I: Grace Slick

O Canto das Gatinhas é um canto dedicado à beleza feminina em que a música popular tem sido pródiga. Rende-se aqui homenagem sentida não só ao encantamento da musica como da presença  de algumas das mulheres que fazem ou fizeram História na música.

E para que não se pense que nos encantamos pelos ícones da moda que também cantam, escrevem livros e apresentam programas, começamos com uma Gata bem antiga: Grace Slick, dos Jefferson Airplane, depois Jefferson Starship e que também deu um ar da sua graça a solo. Quem não conhece "White Rabbitt"? Ou "Somebody to Love"?






Com Janis Joplin
Hoje - beleza não tem idade!

EMA, "California"

Para acabar por hoje, o som de EMA (Erika M Anderson) no seu recente primeiro álbum a solo (anteriormente com os Gowns). Som dramático, teatral, a deixar espaço para a voz e a presença dela. Interessante.

(ouvi alguém a pensar que há aqui algo de Velvet?)

Portanto, de "Past Life Martyred Saints":

Bert Jansch, The Black Swan

Uma  associação livre de ideias trouxe-me até Bert Jansch, um guitarrista folk inglês, companheiro de John Renbourne nos Pentangle (além de ter editado um disco só com ele), os quais não eram apenas folk, mas um crossover com rock e jazz. Ouvindo bem, à noite, esta música também soa como um blues do deserto - o violino pode mesmo ser o vento que levanta a areia sob a luz lunar e os acordes repetitivos os drones de uma guitarra sahariana.

É do último álbum dele, intitulado precisamente "The Black Swan", de 2006.

(as imagens que acompanham são dispensáveis, por isso fechem os olhos e ouçam).

Tinariwen - "Desert Sessions"

Concluindo o fio lógico, dois TVOTR - Tunde Adebimpe and Kyp Malone - participam neste tema do último álbum dos Tinariwen, lançado há pouco, chamado "Desert Sessions". Blues do deserto, guitarras tuaregues, este Malianos do Sahara têm feito grande furor entre as fileiras menos dadas a encantar-se pelas curvas musicais da Rhianna ou pelo espalhafato da Senhora Gaga e logo mais dadas a encantar-se com Música verdadeira.

TV On The Radio

E porque vai bem e porque é um grande tema, do seu teceiros, de 2006, "Return to Cookie Mountain", aqui vão os TVOTR, ao vivo no Letterman:

Gang Gang Dance

Para os Peruanos mais chegados às novas sonoridades, aqui vai uma:

Os Gang Gang Dance lançaram em Maio o seu mais recente "Eye Contact", que, do que ouvi deles (e não foi muito), é o que mais me chama à atenção. Nova Iorquinos de Brookçyn, partidários da estética irrequieta, na senda de uns já bastas vezes referidos e nunca por demais incensados TV On The Radio.

Este som vai bem a estas horas nocturnas... Mind Killa!

11 setembro 2011

Marina And the Diamonds

Há boas razões para gostar da Marina. Tem uma boa presença, canta bem e faz canções orelhudas, como este I'm not a robot. Não é uma provocadora nata como a a Senhora Gag, mas é criativa e segue uma linha melódica que nos soa familiar a nós, europeus, e que vem de vozes fortes e marcantes, como Tori Amos e Kate Bush, e de uma linha que vem dos anos 80. Cheira-me que vamos ter estrela.

Em Paredes de Coura apresentou-se em versão loura-branca, mas, como sabemos, estas coisas são efémeras.

Portanto, sem mais delongas, senhoras e senhores, Marina and the diamonds.

Dirty Projectors + Björk

Les beaux esprits se rencontrent toujours...

A Björk está quase a lançar o álbum Biophilia.

Entretanto, tropecei nesta associação que desconhecia e que deu origem a um mini LP: Mount Wittenberg Orca. É de 2010. Os temas ganham uma dimensão mais vocal e despida.

O álbum está disponível para download em http://www.mountwittenbergorca.com/, mediante uma doação para o National Geographic Society Oceans que começa em 7USD-

10 setembro 2011

Swans, The

Do melhor álbum dos Prefab Sprout (para estes ouvidos), "Andromeda Heigths", hoje com uma dedicatória especial para a Ana. (e há que não ligar as afirmações de Paddy McAloon de que é o melhor compositor do mundo; mas teve alguns momentos de génio, isso é verdade,e a maior parte neste álbum). (merecia vídeo melhor, mas é o que se chama uma interpretação literal...)

Crystal Silence - part II

Não resisto a publicar esta belíssima versão do mesmo tema, desta feita com Chick ao piano e Gary Burton no vibrafone. Esta versão não é do álbum "Chick Corea and Gary Burton in Concert (Zurich, October 28, 1979)", que é absolutamente obrigatório para quem gosta de MÚSICA, mas é fabulosa.

08 setembro 2011

O regresso do Floydo Cor-de-Rosa

Já aflorei aqui o tema há alguns dias, e agora começa a fazer-se luz: as edições 40 anos dos Pink Floyd são porque os PF resolveram finalmente abrir os arquivos e pôr cá para fora os extra takes, outtakes, versões alternativas e temas não publicados, para acompanhar as edições "40 anos" da sua obra. Dizem que é da idade, dizem que é porque os discos estão aa cabar. Eu acho que é porque já não vão lançar mais nenhum disco e a EMI tem que os pôr ainda a render qualquer coisinha... Milk the Cow (sem piada ao Atom Heart Mother)!

A Uncut de Outubro faz tema de capa com os Pink Floyd vaults e inclui uma visita aos arquivos do memorabilitsa do grupo, o inefável Nick Mason.

A questão é sempre a mesma: se os temas não eram bons na altura, sê-lo-ão agora? Houve algum erro histórico de julgamento?

Fala-se numa versão do Wish you Were Here com solo de Stéphane Grappelli. Ok, é uma curiosidade. Que mais haverá na arca?

Se os remixes forem bons, pode ser uma oportunidade de comparar se os cds já se aproximam dos vinis, já que algumas obras têm uma gravação fraquinha (ex: Atom Heart Mother).

A poesia de Stanley Jordan

Stanley Jordan surgiu nos anos 80 como um cometa de habilidade extraordinária, um prodígio que parecia ter mais mãos que as legítimas, extraindo sons de uma só guitarra que faziam supor que ouvíamos duetos (por exemplo, o emblemático Eleanor Rigby, de "Magic Touch") . Desapareceu da esfera mediática ao fim de alguns discos, como sói acontecer com os prodígios que só têm uma habilidade para mostrar. Continua a publicar esporadicamente, mas o seu momentum perdeu-se. Contudo, e em defesa dele, assinalo que é uma guitarrista de uma grande sensibilidade, que talvez a pirotecnia não tenha deixado revelar-se como devida n alatura própria. Aqui fica um exemplo:

All the Children, de "Magic Touch"

04 setembro 2011

O Tiago P, aproveitando o ensejo de relevar o que o Brasil tem de mais notório (musicalmente...), e sendo tímido por natureza (!), escreveu-me em privado que:


(...) Brasil, Cultura notável, nunca nos devemos esquecer o facto de termos alguma responsabilidade relevante no que é o hoje este nobre País, e de sugerir uma breve passagem por alguém que já comentamos, que é o ED Motta.

Acho que de facto, vamos poder ouvir e apreender muito com esse carioca, apaixonado pelos EUA.
Recentemente encontrei um vídeo muito bom, embora ele se encontrasse algo diminuído pela situação, em que se junta a alguém que não me lembro de contigo ter comentado. Uma musa Brasileira, também ela de vivência Americana, mas que simplesmente, me enche as medidas:

Tânia Maria!

Aproveito para, em comentário ao Chico, enviar um dueto com outra voz alucinante e arrogante, do Brasil, que se chama Elza Soares. Não encontrei no youtube, mas segue a música, essa sim, já algumas vezes abordada por nós, do conhecido compositor Cole Porter, desta vez em versão Brasileira – Façamos
http://www.youtube.com/watch?v=F5tG8FvZrEw  (n.e: esta não dá para incorporar )

Uma visão mais íntima da Miss Liberty

Álbum Virtues and Sins dos Kin Ping Meh, 1974



Aqui está um som que diz algo aos Peruanos Progressistas, que, como sabemos, são a elite cultural que domina o Perú. Reconhecemos este som e esta forma de tocar algo e o tema tem balanço.Pormenor: não se trata de alguma reminiscência da Era Dourada. É do disco de 2010 dos PFM (ou Premiata Forneria Marconi), de seu nome "AD 2010 - La Buona Novella". Um disco de temática mariana, but WTF.


Os PFM foram pontas de lança do progressivo italiano dos anos 70, tendo gravado na Manticore dos Emerson Lake & Palmer e colaborado com Pete Sinfield (no início), e embora tenham durado até aos anos 80, entraram num período de ausência (embora os seus elementos, mormente o mui falado Fabrizio de André nunca tenha deixado de gravar. Nos anos 00 deste século voltaram a reunir-se e gravaram quatro álbuns de originais. Este é o mais recente.

PFM, Laudate Hominem

03 setembro 2011

Uma para o Tiago P.

Aqui no Peru pouco se tem falado de música brasileira; não por falta de interesse ou de lembrança. Na verdade, é algo que caiu em desuso: no entanto, em roda de amigos (alqueles já com alguma patine, claro), surge sempre a recordação deste ou algum tema que alguem imediatamente de "fantastico", aquela voz "fenomenal". E depois ha o Chico, claro.

Como aqui não se fazem concessões e para os Peruanos queremos apenas o melhor, cabe-nos fazer a divulgação de obras-primas, a par de bagulhos diversos e curiosidades anamórficas. Ontem o Tiago falava do Vinicius; o poeta, o músico, o bon vivant, o mito.

Portanto, aqui fica um dos meus temas preferidos, a Carta ao Tom 74, em que Vinicius dedica uma memoria muito pessoal e partilhada ao Tom Jobim. Esta versão video tem o encanto especial de mostrar os lugares de que fala a canção.

Um som perfeito para um Sabado de manhã.

E haverá mais brasileiros no Perú... Alguém aí tem sugestões de obras-primas, temas inolvidáveis e etc?
Ainda recentemente descobri o Quinteto Violado  - e que grande descoberta! Como se dizia num famoso sketch dos Python: say no more, say no more...

O Mestre e a Guitarra

Santana, Samba Pati

Som inimitável, emoção no máximo.

Do fundamental álbum de 1970, "Abraxas"

30 agosto 2011

Uncut




Ainda deve andar por aí a edição da Uncut de Setembro que traz em CD anexo o melhor de 2011.. so far! É de ouvir. O tema de capa são os Doors e os últimos ritos de Jim Morrison.

Curiosidade: nas escolhas da redacção, aparece recomendada a reediçãod o álbum "Guitarra Portuguesa" de 1971 de Carlos Paredes.

Pink Floyd - afinal quantos são??

Está a começar a vaga de reedições dos 40 anos dos Pink Floyd. o Público vai lançar os discos reeditados e material promocional.

Em Roterdão haverá um concerto comemorativo pelos Pink Project, uma banda tributo.

Confesso que isto me faz alguma confusão. Então os Pink Floyd não começaram em 66? E o "Piper" não foi lançado em 67? ora bem... 40 anos daria... 2007! Enfim...

Entretanto, o site da Uncut diz que vão relançar o primeiro disco, mas já existe uma versão comemorativa dos 40 anos, que até foi lançada em mono....

Pink Floyd's debut LP 'Piper At The Gates Of Dawn' is to be reissued next month, to mark the band's 40th anniversary.

The remastered three-disc set comes in a specially designed cloth-covered book, along with an eight page reproduction of one of Syd Barrett's notebooks.

As well as stereo and mono versions of the full 'Piper At The Gates Of Dawn' LP - the bonus tracks include all of Pink Floyd's singles from 1967.

'Arnold Layne', 'See Emily Play' , 'Apples And Oranges' and B-sides 'Candy And A Current Bun' and 'Paintbox' all feature.

Other highlights for Pink Floyd completists are the exclusive edit of 'Interstellar Overdrive', previously only available on an EP in France and the 1967 stereo version of 'Apples And Oranges' which has never before been officially released.

'Piper' is to be released on August 27 in the UK and September 3 in the US.

The tracks on ‘The Piper At The Gates of Dawn’ are:

'Astronomy Domine'
'Lucifer Sam'
'Matilda Mother'
'Flaming'
'Pow R Toc H'
'Take Up Thy Stethoscope and Walk' (Roger Waters)
'Interstellar Overdrive'
'The Gnome'
'Chapter 24'
'The Scarecrow'
'Bike'

22 agosto 2011

E vai mais um: Battles

Do novo "Gloss Drop". Tocaram esta em Paredes de Coura.

Os Battles

Os Battles, para mim a revelação de Paredes de Coura.



Paredes de Coura - o fim (com lágrima)

Do último dia, e para não vos maçar, dois excelentes concertos:

Two Door Cinema Club: o que deve ser o concerto de um festival - toda a gente a dançar, energia, música divertida. O mais festivaleiro do festival.

Mogwai - grande concerto dos estetas sónicos escoceses. Um wall of sound impressionante (por vezes lembrei-me dos Spiritualized). Nem foram preciso palavras (em que eles são escassos e elas ininteligíveis), para arrebatar a audiência.

Quanto aos muito esperados DFA 1979, nem com o conselho das brasileiras CSS - "let's make love and listen to Death From Above" - me convenceram a esperar. Não tenho paciência para o punk, por muito "mítico" que seja.

(a propósito, os YES continuam a editar discos e a ter toneladas de fãs, acabam de editar mais um e fazem tournées - os grandes dinossauros visados pelo punk estão de boa saúde - e onde estão os punks, além de alguns exemplares para registo em Picadilly? Ah ah ah! A História não se escreve no próprio dia, há que esperar...).

Venha mais, para ao ano!

20 agosto 2011

Paredes de Coura, dia 3

Dia em cheio no festival.

A já proverbial canseira de fim-de-tarde impediu-me de ver os You Can't win Charlie Brown, que tanto queria ver, através de um artifício simples, que consistiu em manter-me amarrado à cama.

Mas estava a postos para os The Joy Formidable, power trio que deu um bom concerto de rock. Mais uma banda com uma cantora... As mulheres estão a tomar conta do rock? Quando são tambem guitarristas, como é o caso, até adquirem as posturas masculinas... O concerto acabou com os três membros a percutir violentamente a bateria, com a guitarra e o baixo em agonizante feedback sobre o palco...

De seguida, os Trail of Dead. Durante a actuação desta banda surgiu-me a questão do desaparecimento da censura como uma das maiores vias abertas para a explosão de fenómenos Musicais Explosivos Radicalmente Diferentes e Anarcas (M.E.R.D.A.). Os T.O.D. e mais 1.500 bandas de hard, heavy, progressive metal e alt metal podiam ser calmamente dizimados com um lança-chamas (méTodo que seguramente se enquadraria nos seus ambientes estéticos), resultando numa clara purificação da atmosfera (como se sabe, o cheiro dos M.E.R.D.A.é altamenTe poluente) e talvez abrindo o palco para músicos que saibam tocar.

Os T.O.D. Fizeram-me tambem reflectir que talvez a amplificação dos instrumentos não seja afinal uma coisa tão boa. Musicalmente indigentes, fizeram muito barulho. Os seus temas encadeiam-se sobre os mesmos dois ou três acordes, mas sem qualquer graça(pelo menos os Ramones tinham piada e sabiam rir-se de si próprios) e sem desenvolvimento, propulsionados por um matraquear insano da bateria e levados ao limite da amplificação... Urghhh...

Animado por estes pensamentos fascistoides, fiz-me a uma bifana.

Felizmente que a seguir entraram os Battles. Verdadeira surpresa para mim, este trio que publicou à pouco "Gloss Drop"encheu o palco com peças angulares, invenção e complexidade inteligente. Os três são poucos em palco para dar conta da complexidade técnica, de modo que introduziram um vocalista virtual, que cantou a partir de uma projecção na tela. Um ovo de colombo, que liberta os musicos para tocar. O melhor concerto do PC até agora.

Os Deerhunter deram um espectáculo de feedback e acidez, volume e melodias disfarçadas sob a melodia acre das guitarras. Nada a apontar.

Os Chapel club são uma banda alternativa dos anos 80 que se enganou na década. Tocam bem, mas não trazem novidades. Não deixa de ser curioso que uma forma de ser alternativo hoje em dia é soar igual à 30 anos atrás... Mas fará sentido hoje em dia falar de rock alternativo com o mesmo sentido dos 80 e 90? Uma discussão para iniciar noutra altura...

A surpresa da noite surgiu com os King of Convenience. O duo norueguês apresentou-se no palco, em versão acústica e deu um grande concerto, perante uma encosta repleta de gente. A sua mistura de housemartins com Everything but the girl e Simon & Garfunkel resultou em cheio num publico que em grande parte talvez não estivesse à espera de algo tão ligeiro. Erlend, a metade mais comunicativa do duo, esteve sempre a falar com o publico, ora dizendo "é sempre divertido tocar em Portugal", ora fazendo perguntas e contando histórias. Eirik também meteu a colherada, como para falar do passeio no rio e da sua crença de que nunca tinha estado tão perto do paraíso... Muçulmano, devido a quantidade de virgens no rio! É algo de que muitas bandas se esquecem, o público quer sentir que em cima do palco está alguém que comunica e tem personalidade. A meio do concerto entraram dois convidados, um violinista alemão e um baixista italiano. Enfim, os KC tiveram direito ao unico encore a que assisti no festival, que começou com ...Eirik a tocar o Corcovado e Erlend a acabar com... Trompete vocal!

Para acabar a noite (para mim, claro!), Marina and the Diamonds deram um bom concerto, muito centrado na figura carismatica da Marina, que agora anda loira e é senhora de uma voz potente e musical (abismos da memoria, mais do que a Kate Bush com que costuma ser comparada, lembrou-me mais a Sally Field...). um bom final de noite no palco principal.

Sabado acaba a festa...

19 agosto 2011

Paredes de coura, dia 2, parte 2

As warpaint ( e não "os", como erradamente referi), nao foram nada más, ouvidas da minha bifana, e cheguei mesmo a pensar por momentos que Dame Elizabeth Frase tinha reencarnado numa versão courense dos Cocteau Twins.

Bons mesmo foram os Esben and the Witch, que deram, na minha opinião, o melhor concerto até agora. De um psicadelismo alicerçado em baixo bateria voz e percussões em tarola e prato ocasionais, prescindindo de um baterista a tempo inteiro, com uma witch saltitante que não raras vezes pareceu possuída (pelo ritmo, entenda-se) e um guitarrista que de tanto saltar por trás da frondosa cabeleira só a meio do concerto lhe vimos a cara, cativaram uma parte da audiência e estranharam a outra, provavelmente a que estava à espera dos Blonde Redhead.

Por falar neles, o concerto foi bom, dentro do seu estilo de pop ácida e levemente dissonante, pouco conclusiva, mas com um fio melódico e energia por parte da Redhead. Convenceram.

E os Pulp? Tocaram em Paredes de Coura? Nã, deve ser mentira. Também nunca gostei da pose de nerd de suburbio do Jarvis Cocker, além do péssimo gosto para óculos. Sopa neles.

18 agosto 2011

Paredes de Coura, dia 2

O primeiro dia do Ritek PC 2011 terminou com os Crystal Castles que, com o seu alt.techno introduziram movimento nas placas tectónicas adormecidas do solo courense.

O segundo dia iniciou- se com outros cristais, os Stilts, cujos brilhos confesso que me escaparam, devido a uma preguiça de final de tarde que se apoderou do meu ser e que levou a que chegasse ao recinto já os ultimos acordes diletantes se esvaíam no poente... Bela imagem pagã!

Seguiram-se os Here we go magic, fraquinhos, temas incipientes e banda sem interesse. O publico respondeu morno ou simplesmente debandou.

Finalmente chegou o primeiro grande concerto de Coura - os Twin Shadow arrancaram com um show curto, mas concentrado, temas fortes (confesso que não os conhecia e por vezes soaram-me muito a Cure), um bom vocalista que arranha bem a guitarra - especialmente sonoro na Rickenbacker - e uma banda coesa. O publico gostou.

Neste momento tocam uns desinteressantes portugueses We Trust e já devem estar no palco principal os warpaint, mas a bifana e a cerveja falam mais alto a este peru esfomeado...

Paredes de Coura, dia1

O primeiro dia a sério do Festival de Paredes de Coura começou com Oumar Souleyman, um cantor pop sírio que, acompanhado de um sequenciador manipulado por maos humanas (seria dificil chamar-lhe teclista), deu o pontapė de saída a um publico muito jovem sedento de ritmo - que lhe foi servido em doses generosas e contagiantes. Repetitivo, mas eficaz.

Depois de um longo soundcheck entraram os Wild Beasts, uma sensaçãozinha actual, que publicaram "Smother" este ano. A esta hora ainda tocam, o mesmo tema repetido em variações pouco imagiativas, num ritmo desacelerado que næo está a convencer o publico. O nivel de proficiência musical é mínimo, embora o aparato de equipamento seja grande. soam a um interpol desacelerado com laivos ocasionais de falseto (if you know what i mean...). Uma desilusão.

A seguir tocam os Crystal Castles.... Aguardamos que a noite aqueça. O cheiro emanado pelos inumeros cigarros divertidos pede algo animado...

17 agosto 2011

Darryl Way's Wolf

Darryl Way foi o violinista dos Curved Air nos três primeiros e mais importantes álbuns e depois siu para criar um grupo próprio, com um membros que depois tocariam em bandas bem conhecidas, como os Caravan ou os Soft Machine (John Etheridge).

A propósito, os Curved Air estão de volta e em grande a dar espectáculos este ano, sempre com acarismática Sonja Kristina como frontwoman, num dos raros casos de liderança de uma banda prog por uma mulher.

Este tema de Darryl Way's Wolf tem muito em comum com os Curved Air, e vale bem a pena ouvir a sua produção fora do grupo. Mais hard, mais jazzística, mas com uma ligação sempre presente que lhe é dada pelo violino de DW.

16 agosto 2011

Hoje temos: Masters Apprentices

Os Masters Apprentices foram uma banda dos 60/ 70 australianos, com um belo som da época e energia para dar e vender.Foram evoluindo do R'N'B para um som mais hard e acabando no progressivo. Confiram a energia.



12 agosto 2011

The Old Grey Whistle Test 40th Anniversary


Um programa clássico da BBC, que inaugurou um espaço especificamente dedicado aos longa duração e aos espectáculos ao vivo, faz 40 anos e a efeméride é assinalada com um cd triplo, que antecede uma série de outros organizados por temas ("folk", "prog", etc). Este é uma compilação de bandas clássicas nos dois primeiros cds, algumas das favoritas do programa e do seu apresentador do período "aureo", Bob Harris, como os Led Zeppelin, Focus, ZZ Top, Talking Head, Elton John, Yes, etc. O terceiro CD, mais interessante, é uma compilação de registos ao vivo, obrindo o espectro setentista e oitentista do programa. John Lennon, Alice Cooper, Tom Waits, Robert Wyatt, Janis Ian, Iggy Pop, Ramones... Aguardamos mais novidades...


06 agosto 2011

Yes ao vivo em Portugal em Novembro


Os Yes sobem ao palco do Coliseu de Lisboa no dia 3 de Novembro.

"Fly From Here" é o mais recente trabalho do grupo, editado em Junho.


As portas abrem às 20h e o espectáculo está marcado para as 21h.

Os bilhetes, que custam 30 euros, estão à venda desde o dia 4 de Agosto.

Do you Like Li?

I do. Lykke Li, do seu álbum deste ano, "Wounded Rhymes"

ZNR

Afogado no torpor estival, o Perú abana as suas penas e o longo monco e decide-se a lançar um tímido glu.

Relembrando um grupo francês dos anos 70, os ZNR, que soam a música de câmara-rock, se é quje tal coisa existe. Os ditos publicaram, um outro álbum antes deste, o "Traité de Mécanique Populaire", numa blague (alas) a um popular livro de mecânica lá das bandas dos cinquenta (ou sessenta?). A música é propulsionada por guitarras, pianos, violinos e outros avulsos, para bom efeito e deleite do ouvinte culto.


Não digam a ninguém que ele está aqui 

28 julho 2011

Hoje: Before I die themes

Este é dos que cantarão as luzidias moçoilas que transportarão o meu caixão, derreadas pelo peso mas felizes por se verem livres de mim. Sim, a musica não tem letra, por isso as aprecio tanto pelo esforço de cantarem.

Este é um vídeo caseiro on the road, que acho que vai muito bem com a música. A temática da estrada - o sinal de "turn left" pintado no alcatrão - está na capa deste álbum , "Offramp". Are you going with me?

26 julho 2011

Hoje Temos: Pavement

Outra vez os Pavement.

Uma banda dos 90 que tem um culto sólido. Também vale a pena investigar as obras posteriores de Stephen Malkmus. É uma daquelas bandas que fica e vai re-emergindo periodicamente.

Aqui no seu lado mais solar:
"Spit on a Stranger"

24 julho 2011

John McLaughlin dixit

"I'd rather play for rock and roll audiences than jazz audiences (...). Jazz listeners are too narrow - too purists for us. Rock audiences are more open".

"I'm not a musician for musicians. I'm a musician for non-musicians"

Livro "Guitar Heroes of the 70's".

22 julho 2011

dEUS aparece aos homens...

.. no dia 5 de Agosto, na Zambujeira do Mar. Motivo mais que suficiente para alterar as férias e rumar ao festival.



Entretanto, a 19 de Setembro sai o novo álbum de originais da banda -"Keep you close".

Está tudo em
http://www.deus.be.

20 julho 2011

Um tema por dia (20/07/2011)

The Doors, "Indian Summer"

Trata-se da primeira faixa alguma vez gravada pelos Doors, mas ficou de fora do primeiro álbum e só veio a ser incluída em Morrison Hotel. É um tema muito simples, mas muito especial.

18 julho 2011

Terra à Vista

As nórdicas são frescas... e no Verão sabem tao bem como o geladinho picolé... A Oh Land fica agora à vista, no mesmo território de Lykke Li e, vá lá, Fever Ray.

Voltaram os 80?

Yacht - Summer Song

Bolhinhas de champanhe português junto à piscina e raparigas com penteados insuflados e maquilhagem viva.

Shawn Lee's Ping Pong Orchestra

Hoje o Perú anda nas franjas de si mesmo. Procurando outras cores, que é o que o Verão faz aos corpos. Dá-lhes calor e excitação.

Quanto ao primeiro tema, you tube considera nos "comentários principais" logo este, que eu acho relevante: "I just got a killer handjob to this song!". Eles lá sabem!

A este Shawn Lee eu chamaria um Reggae desacelerado, mas há-de haver quem diga que é dub, dubstep, easy listening, eu sei lá... Eles é que são críticos!



O segundo é um tema dos Gorillaz:

17 julho 2011

E AINDA: A ORQUESTRA DA FELICIDADE DO BRILHO E DA GLÓRIA

Já viram que título mais optimista? Portuguesa, ainda para mais. Big band activa ainda hoje.

Pode se dizer que isto não interessa.Mas é importante que existam estes projectos que saem das malhas da produção normal, de músicos competentes e versáteis. Em disco de vinil soam bem melhor do que nesta versão Youtube - sou feliz possuidor de "Cinco Anos Depois".


HOJE: Os Meninos de Deus

Os Meninos de Deus: O Amor nunca falha

Capa e título irresistiveis. Produto seventies de uma seita religiosa americana, que passou a chamar-se A Familia do Amor depois de 1978.


Musicalmente, um must.

Diz a omnisciente Wikipédia:

Os Meninos de Deus, depois conhecidos como Família do Amor, a Família, e agora a Família Internacional (FI), é um novo movimento religioso, amplamente referido como uma seita, que teve início em 1968 em Huntington Beach, California, Estados Unidos. Foi uma dissidência do Jesus movement do final dos anos 1960, com muitos dos seus primeiros convertidos saídos do movimento hippie. Esteve entre os movimentos que inflamaram a controvérsia das seitas nos anos 1970 e 1980 nos EUA e na Europa e provocaram o primeiro movimento antiseita

15 julho 2011

Um tema por dia (15/07/2011)

Um assunto de família

Os Family não foram bem prog nem bem blues nem bem rock nem psych, mas foram uma excelente mistura disso tudo, se consideramos que a mistura é filtrada pela voz de trovador louco de Roger Chapman.

Parece que eram uma grande banda ao vivo. Não consigo encontrar a versão ao vivo na BBC de "A Song for Me" para o provar.

Este tema é dos mais elegantes e comedidos - do álbum "Fearless", 1971, Senhoras e Senhoras, "Larf and Sing"

10 julho 2011

Fresquinho

Pop Levi - Wannamama

Morreu Jorge Lima Barreto

Morreu o musico e musicólogo Jorge Lima Barreto, figura essencial na divulgação das margens mais alternativas da música.

Para não repetir o que está bem feito, deixo aqui um link para o bodyspace.net, onde Nuno Catarino diz o que há para dizer.

http://bodyspace.net/noticia.php?id=1560&utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%253A+bodyspacenet+%2528Bodyspace%2529

Um tema por dia (10 de Julho de 2011)

Spacemen 3 - Revolution

Antes de ser Jay Spaceman nos Spiritualized, Jason Pierce era o combustível dos Spacemen 3. Guitarras ácidas em longas excursões psicadélicas eram a imagem de marca. Como neste "Revolution", que poderia ser um "samba de uma nota só", pela simplicidade da construção. Mas, como provou o Mestre Fripp em Starless, uma só nota, se devidamente tocada e repetida, pode desencadear uma Revolução.

09 julho 2011

Heartland

É inquestionável que Owen Pallete é uma figura incontornável no panorama musical contemporâneo. Conta com inúmeras participações no que de melhor se tem feito nos últimos anos, compondo regularmente arranjos para grupos como os Arcade Fire, Pet Shop Boys, Grizzly Bear e outros, para além de compor e executar, a solo, música de grande qualidade. Owen Pallete já actuou algumas vezes em Portugal. Conta com muitos admiradores e fãs entre o nosso público e existe imenso material sobre este violinista/compositor disponível na net. Não é, de todo, objectivo desta breve nota falar do Owen Pallette e da sua carreira como músico, mas sim do seu terceiro álbum, Heartland, que do meu ponto de vista merece uma audição cuidada. Lançado em 2010, Heartland desde logo manifesta uma tradição sinfónica e “belcantista” pouco vulgar no rock, caracterizada por um movimento contínuo de notas cantadas que se ligam suavemente entre si (legato), mas neste caso magistralmente alicerçadas em harmonias complexas e por vezes densas, que geram singularidades ambientais de grande beleza. Trata-se de excelente música – este jovem sabe mesmo compor e tem gosto – que em vários momentos nos faz lembrar o incrível Veckatimest dos Grizzly Bear! Heartland é um álbum muito bonito, fluido e atmosférico que nos inspira e surpreende verdadeiramente… vale bem a pena dedicar-lhe alguma atenção.

07 julho 2011

Um tema por dia (07 Julho 2011)

Hoje assiste-nos Kate Bush, no seu espantoso tema de estreia: "Whuthering Heights" - um tema imediatamente reconhecível, uma vocalização irrepetível, uma imagem de marca instantânea. Lembremos que aqui ela ainda não tinha atingido a idade adulta sequer...

Muito haveria para dizer sobre Kate; que é uma paixão, e, como todas, não pode ser partilhada, apenas vivida. Portanto, vivam-na or die trying.

Um tema por dia (7 ded Julho de 2011)

Hoje o destaque vai para este tema de romântico abandono e conveniência natalícia dos Pogues, com a participação em dueto da tão cedo partida desta vida Kirsty MacColl. Cheers, mate!

Edição especial de "In the Land of Grey and Pink", dos Caravan

Esta obra mestra do chamado Canterbury Sound faz 40 anos e recebe um tratamento especial, com uma edição especial numerada e limitada a 500 exemplares, em vinil de 180 g rosa e cinza.

04 julho 2011

Um tema por dia (4 de Julho de 2011)

Para continuar o post anterior, esta recordação, de um espectáculo de 1972 de Crosby, Nash & Young (só som). É cerca de uma hora de espectáculo.

PS - Crosby and Nash vão actuar no Royal Albert Hall em Outubro - adivinhem quem vai lá estar... eh eh

Neil Young and the International Harvesters - A Treasure

Sai agora a lume (uma expressão catita), um registo velho de 26 anos de Neil Young, que, após o possante "Le Noise" intervala, como é sua imagem de marca, com um álbum de country folk rock. Desta feita um registo ao vivo com uma banda de velhos trutas, misturando temas antigos e novos, grande parte deles nunca editados em disco.

Reza a história que a editora o andava a aborrecer porque os seus álbuns eram demasiado ligeiros e virados para o country. Vai daí, o homem vai para a estrada fazer espectáculos country...

Não sou nada fã de country, mas sou um fã empedernido de Young e sou incapaz de renegar uma única nota que ele tocou. Quem gosta de temas como "Old Man" de "Harvest", "Comes a Time" ou "Human Highway" vai adorar.

Vejam o Neil a dizer bem do Blu Ray e muito mal dos mp3 e cds... ajuda a perceber a obsessão que ele tem pelo som e serve como introdução ao disco.


E uma versão de um tema clássico, tocado com esta banda na tal digressão.