09 outubro 2012

Procol Harum

A propósito de uma das últimas newsletters do Perú (e no seguimento do post anterior): Há um site americano (perdi o link) de um tipo que inventaria versões de Whiter Shade of Pale. Descobri lá isto.

AVISO: É SIMPLESMENTE TERRÍVEL. APAGAR QUANTO ANTES!!!!


Um clássico revisitado: Procol Harum - A Salty Dog

A Salty Dog fez 40 anos em 2009. Para muitos, será um sinal da passagem do tempo (mesmo para mim, que o conheci mais tarde). Mas, vendo as coisas pela positiva, é um testemunho de que as coisas boas duram. Ainda hoje é uma obra que dá prazer ouvir (o que, se pensarmos bem, não tem nada de especial: muitas das obras de referência de hoje - Wagner, Beethoven, Chopin - tem mais de cem anos; Albinoni escreveu o seu famosíssimo Adagio no século XVII, etc. O tempo é uma medida relativa e a novidade é uma efeméride). O tema título foi o primeiro tema em que os PH utilizaram uma orquestra; uma história de marinheiros que cheira a sal e a cordas molhadas.

Não há nenhum tema fraco no álbum, embora os dois temas orquestrais, o já referido e Wreck of the Hesperus (outro tema nautico) são os meus preferidos.

Aviso: esta música precisa de colunas grandes e boa definição. Youtube e auscultadores de ipod são mínimos para transmitir o punch. A minha edição é a comemorativa dos 40 anos (em CD, custou menos de 10€ na Amazon) e recomendo vivamente; está a anos luz das edições anteriores, plena de presença, detalhe e espacialidade (nem parece um CD!). Estamos a falar de um álbum gravado há 43 anos atrás, precisa de alguns cuidados para estar à altura da qualidade das gravações de hoje, o que foi efetivamente feito. Embora muitas gravações dos anos 50 e 60, muito bem feitas, continuem brilhantes - é um paradoxo, mas nada substitui a sabedoria de quem sabe o que faz..

Recomendado a jovens de idade e de espírito...

 

08 outubro 2012

Desenterrados Vivos: Pilgrim's Progress, Procol Harum

Esta nova secção instantânea do Perú vai procurar trazer temas esquecidos, iluminações fugazes do passado  que o presente merece lembrar.

Para começar, um tema de "A Salty Dog", dos Procol Harum - "Pilgrim's Progress", que fecha o álbum.

Um hino de boa disposição (notem as palmas no final) e simplicidade, com o mesmo orgão Hammond B3 de Whiter Shade of Pale, só que aa voz não é a de Gary Broker, mas a de Matttew Fisher, o que lhe confere um ar mais angelical. Simples, eficaz e com um good vibe.

Estamos a falar de 1969, rapazes!

04 outubro 2012

A agitação é livre: em Tóquio, com passagem pelo Porto!

Os Agitation Free foram umas das bandas grandes do krautrock, fundindo no seu álbum Malesch ritmos hipnóticos com percussões hipnóticas de Marrocos, em grandes excursões instrumentais que bem poderiam ter por fundo as montanhas do Atlas. Acabaram depois de três álbuns de originais, em 1974, voltando a editar em 1999 e regressando de seguida às sombras.

Em 2011 lançaram um álbum ao vivo em Tóquio, que abre precisamente com o mesmo tema de Malesch: "You play for us today". Ouçam bem. E atenção, portistas aí fora: ouçam a introdução!!

Covers: Turn Turn Turn! - Papa M

Este tema clássico dos Byrds ganha uma versão instrumental, looonga (16 min!), mas com uma estética muito garage, muito banda a ensaiar que a torna interessante e viciante, quase hipnótica.

Está a fechar o CD da Uncut deste mês, muito justamente dedicado a covers dos Byrds.

02 outubro 2012

Colheitas irlandesas

É sabido que a baixa-mar traz destroços à costa. Em Dublin por poucos dias, o final de tarde proporcionou um passeio pela baixa e alguma recolha interessante...

Paul Buchanan - Mid Air - 2012 - destroço existencial recente, álbum a solo do líder dos ex-Blue Nile, que se arrisca a ser um dos melhores do ano e um clássico.

CocoRosie - Grey Oceans - 2010 - manas irrequietas, muito irrequietas, com sangue muito fresco nas faces rosadas.

Gentle Giant - Artistically Cry - gravação de 1976 - som muito mau, gravação de concerto na Suécia destes clássicos progressistas.

"Mercy and Grand" - 2011 - espetáculo ao vivo em 2006 organizado por Gavin Bryars com Música de Tom Waits e Kathleen Brennan. Uma releitura interessante.


Cat Power - Sun, 2012 - o disco "da resolução" desta gata problemática. A (ou)ver...

Agitation Free - Shibuya Nights - Live in Tokyo - 2011 - Uma das melhores bandas do krautrock ressurgiu o ano passado com este show em Tóquio.

Amazing Bondel - England - 1972 - Folk Proggers ingleses em vinil.


Atom Heart Mother: it was 42 years ago today

Em 1970, os Pink Floyd eram uma banda muito jovem, com algum relevo ganho através de três álbuns psciadélicos incendiários (tão incendiários que continuam à frente de muito o que se fez desde aí) e que influenciaram hordas de autores (que seria de uns Spacemen 3 sem eles, por exemplo?) - e uma banda sonora para um filme de Barbet Schroeder, "More". O seu quarto trabalho seria composto de 5 temas apenas, um deles ocupando um lado, uma suite orquestral composta em parceria com Ron Geesin. Se os discos anteriores são trabalhos imprescindíveis, pelo génio criador à solta neles e pela imersão nos fluidos espaciais (disse fluidos?? fumos!!), Atom Heart Mother será o primeiro a ostentar um fôlego de fundo, e é já a um passo em direção ao compromisso entre experimentação e mercado que haveria de marcar os PF até hoje. Sem discussão, uma obra-prima, um marco na história do rock, e com uma capa que se tornou icónica. A Harvest não gostou da capa, uma simples vaca (holandesa!), num campo verde, mas a verdade é que a força da imagem e o fato de o disco não fazer referência ao nome da banda ou ter qualquer título tornou-o num objeto único, o "álbum da vaca".

O lado 1 e o último tema, o famoso "Alan's Psychedelic Breakfast", são criação comum da banda, mas os três temas restantes do lado 2 são composições individuais - If, de Waters, Summer 68 do saudoso (já vão 4 anos !) Richard Wright e Fat Old Sun de Gilmour. Como curiosidade, o tema que hoje aqui fica a lembrar este álbum é dos poucos que Rick Wright cantou. Foi o primeiro tema que ouvi dos Floyd, teria uns 5 anos, e é dos que mais gosto deles.




23 setembro 2012

Musica Nova: Squackett

Os Squackett  têm chamado a atenção por a) terem um nome ridículo b) esse nome resultar da junção de duas vacas sagradas do progressivo inglês, Steve Hackett e Chris Squire. Steve Hackett tem uma prolífica carreira, entre formações várias e uma carreira a solo, pelo que é redutor dizer que é "o guitarrista dos Genesis", embora tenha sido esse "posto" que lhe deu fama. Já Chris Squire é o baixista de sempre dos Yes, bastante parco em gravações a solo, embora, logo no primeiro registo em nome próprio tenha arrancado críticas justamente muito positivas (se não estou em erro, e hoje estou preguiçoso, em 1974, ou 75, com "Fish Out of Water").

Portanto, pelas razões que são o que menos interessa, juntaram-se e fizeram uma obra, "A Life Within a Day", que tem recebido honras devidas ao estatuto dos seus autores e recebeu até um prémio da única revista que publicação regular que eu conheço dedicada ao mundo do rock progressivo, a Prog, edição da Classic Rock.

E vamos ao que interessa: é bom? Nim. No seu pior, são uns Asia requentados, e isso é muito mau. No seu melhor, produzem algumas baladas interessantes (Aliens, Perfect Love Song). Não está em causa a mestria, mas sim a composição, o sentido de risco e a relevância. Isto é rock bundão, daquele que pisa e repisa clichés de há 30-40 anos. Ouve-se, aprecia-se o apontamento ocasional, mas é para guardar na prateleira.

É por isso que de todo aprecio sobretudo as duas baladas, que ficam no ouvido.

A nova música desafiante, inovadora, não passa por aqui. Passa por Owen Pallet, Sufjan Stevens, Radiohead, Grizzly Bear, Efterklang, Dirty Projectors... e tantos outros. Deixemos dormir os avozinhos...

O que tem sido mais destacado e que dá nome ao álbum.
Para mim, o melhor reside em temas mais simples, mais melódicos. Neste "Aliens", a temática sci-fi é evidente...
Ou este "The Perfect Love Song", que fecha o álbum:

Nova Música: Thousands

Refresco de fim de verão, da Bella Union (etiqueta dos Fleet Foxes, por exemplo)

17 setembro 2012

Mais sobre os Led: trailer do lançamento do DVD

Alinhamento:
“Good Times Bad Times”, “Ramble On”, “Black Dog”, “In My Time Of Dying”, “For Your Life”, “Trampled Under Foot”, “Nobody´s Fault But Mine”, “No Quarter”, “Since I´ve Been Loving You”, “Dazed And Confused”, “Stairway To Heaven”, “The Song Remains The Same”, “Misty Mountain Hop”, “Kashmir”, “Whole Lotta Love” e “Rock And Roll”.

16 setembro 2012

Neil Young: Psychedelic Pill


... a caminho o novo álbum de Neil Young, depois de Americana, um álbum baseado no folklore norte-americano. O álbum mais longo que alguma vez gravou, com longas digressões instrumentais. Aguardemos!

Led Zeppelin: Video da reunião final a caminho



Em 2007 os Led Zeppelin reuniram-se pela última vez, na O2 Arena em Londres, com  o filho de John Bonham na bateria, para uma homenagem a Ahmet Ertegun. Não parece fácil que se voltem a reunir, pelo que a saída do DVD do Concerto é aguardada com expetativa.
O vídeo deve sair a a 22 de Novembro (portanto, a tempo para as compras do sapatinho, isto é, se houver compras do sapatinho este ano...)
Sobre uma possível nova reunião da banda, Robert Plant declarou à Rolling Stone:
"I've gone so far somewhere else that I almost can't relate to it... It's a bit of a pain in the pisser to be honest. Who cares? I know people care, but think about it from my angle - soon, I'm going to need help crossing the street."

13 setembro 2012

Favoritos: Joni Mitchell - Both Sides Now

Já devo ter falado aqui deste tema, mas é cíclico como as estações, volto sempre a ele. Há temas assim, que nos acompanham durante a vida toda, e com as nuances da própria vida vão ganhando novos sentidos e as memórias de alguma forma acomodam-se a ele, até serem como baús de recordações que se abrem de cada vez que os ouvimos.

Joni Mitchell era bastante jovem quando compôs o tema. Em Abril de 1967 eu nem era nascido e ela tinha 24 anos. Foi um sucesso, primeiro na versão de Judy Collins (os Fairport Convention também a gravaram, mas não foi publicada na altura), depois na voz da própria Joni, que nesta altura ainda era bastante aguda, com algumas parecenças com a Joan Baez. Ao ouvirmos hoje a forma quase pueril como o cantava na altura (e até sobretudo a versão da Judy Collins), toda a letra parece uma interrogação filosófica quase trivial sobre um jogo de sentidos quanto à observação das nuvens e o duplo acepção de "up" and "down". Como podia ser de outra forma?



Em 2000, o tema ganhou uma nova versão no álbum precisamente chamado "Both Sides Now", em que Joni recriou com uma orquestra alguns dos seus temas favoritos.

É nesta versão que o tema ganha novos sentidos, por força da interpretação. A forma quase recitativa, grave e meditativa como a canta mantém a angústia existencial, mas revela um estado de paz, de aceitação que é quase um juízo final. Aqui o tema parece roçar o autobiográfico e já não é apenas um jogo, mas uma verdade sentida.

Terei ouvido este tema centenas de vezes e de todas as vezes o acho comovente. A letra segue um formato típico de canção, voltando sempre ao refrão, mas evoluindo num sentido mais lato: primeiro o leit-motiv da canção, as nuvens, depois o amor, depois a vida. E a conclusão: "I really don't know life at all".



 Arrisquei-me a fazer uma tradução ad-hoc e sem pretensões de inteiro rigor, mas que creio que capta o espírito, porque, embora o inglês não seja difícil de perceber, acredito que muitas vezes o lemos levianamente e o português sempre é o português... Espero que gostem.



Joni Mitchell - Both Sides Now
Autora: Joni Mitchell 

Arcos e voltas de cabelos de anjos
E castelos de gelado no ar
Canyons de penas em volta
Já olhei para as nuvens assim

Mas hoje elas só tapam o sol
Elas chovem e nevam sobre todos nós
Tantas coisas que eu poderia ter feito
Mas as nuvens meteram-se à frente

Já olhei para as nuvens de ambos os lados
De cima, de baixo e no entanto
São as ilusões das nuvens que eu recordo
Na verdade, não conheço as nuvens de todo

Luas em Junho e carroceis de feira
A tontura rodopiante que sentes
À medida que os contos de fadas se tornam reais
Já olhei para o amor dessa maneira

Mas hoje é só mais um espetáculo
Deixa-los a rir qando te vais
E se te importas, não os deixes perceber
Não te entregues a eles

Já olhei para o amor de ambos os lados
De dar e receber, e no entanto
São as ilusões do amor que eu recordo
Na verdade não conheço o amor de todo

Lágrimas e receios e sentir orgulho
De dizer “amo-te” em alto e bom som
Sonhos e esquemas e multidões do circo
Já olhei para a vida desta forma

Agora os novos amigos comportam-se de forma estranha
Abanam a cabeça e dizem que mudei
Bem, algo se perdeu, mas ganhou-se também 

Algo em viver o dia a dia

Já olhei para a vida dos dois lados
Da derrota e da vitória e no entanto
São as ilusões da vida que eu recordo
Na verdade, não conheço a vida de todo.



12 setembro 2012

Nova Música: Muse - Madness


Os omnipotentes Muse estão a chegar com novo álbum, "2nd Law", e saiu o video do segundo tema, "Madness". Batida poderosa, tema morno... a ver o que nos reserva o álbum, a 1 de Outubro.

Sempre achei que os Muse pretendiam seguir as pisadas dos U2 e de fato o final inflamado do tema pode muito bem passar por um exercício pro-Bono (muito boa, esta!)

O mini-solo de guitarra... bem, pode-se dizer que Brian May dos Queen fez escola!
 

11 setembro 2012

Prog Rock Awards

Curiosamente, só agora, em 2012, o género parece encontrar algum reconhecimento e dinâmica que lhe permite ter os Prog Rock Awards (promovidos pela revista Prog Rock, spin off da Classic Rock).

A peça jornalística é pouco menos que idiota e insiste nos clichés estafados - perguntar a Justin Hayward se o prog é um pouco embaraçoso? A um dos que, com os seus Moody Blues, mais contribuiram para definir o género? É como perguntar a Maria João Pires se Chopin não é um bocadinho piroso... Mas pouco se pode esperar de décadas de incultura jornalística e desprezo (ignorância) por parte de jornalistas sem qualquer cultura musical  - de qualquer tipo.

É curioso ver as "personalidades" juntas no evento - desde Justin Hayward a um sempre caustico Rick Wakeman,  a um muito envelhecido Peter Hammill, Steve Hackett... É como uma gala da TV, só que com os nomes que para muitos de nós foram e são ídolos "sérios" e nomes reconhecidos - nada a ver com Armando Gama e o Seu Asteróide ou o hiperbólico Herman José...

A propósito, o visionary Award foi entregue a Peter Hammill e o prémio Anthem à reunião de esforços de Chris Squire e Steve Hackett sob o nome de Squackett - um prémio de que eu discordo, mas infelizmente não me chamaram para o júri... Mais sobre Squackett em breve no Perú!

 

St. Vincent Vs. David Byrne

Dois temas de "Love this Giant", que sai hoje:

Assim à primeira, parece que Mr. Byrne trouxe algum ecletismo e variedade às paisagens às vezes áridas Annie Erin Clark aka St. Vincent.

Claramente, o segundo tema é mais Talking Heads.

Ouçam:
Só Annie: Dueto

Coelhinhos Dourados


Para quem se deixa tentar pelas sonoridades electronicas (por onde vai alguma da música ritmicamente mais interessante que hoje se faz), este lançamento dos portugueses Golden Bambi pode ser uma descoberta.

EP de Golden Bambi, “Little Rabbits” - Tunacat Records, 2012

(o vídeo é mau, é preferível ouvir de olhos fechados).

04 setembro 2012

Vibravoid - Ah, valentes!

Atenção fãs do krautrock, do delírio cósmico e do delirium tremens, amantes do Piper At Gates of Dawn (para os fãs-bebés do Peru, concedo em dizer que é o primeiro disco dos Pink Floyd!), fumadores inveterados de substâncias proibidas e outros Evasores Mentais: chega nova obra dos germânicos Vibravoid, "Gravity Zero", composta de riffs monstruosos, baterias imparáveis, remoinhos sónicos encharcados de fuzz guitar e Atmosfera Alienígena Ilimitada.

Para terem uma boa noção do assalto sónico perpretado, ficam dois temas, um do álbum ao vivo no Burg Herzberg Festival, e outro do novo álbum.

PS - não é descabido - eu fiz a experiência - pôr os dois temas a tocar em simultâneo - para efeito agravado...