Aqui fica o top 20 da lista dos 200 melhores álbuns dos últimos 15 anos segundo os leitores da Pitchfork. Curioso como nos primeiros 20 lugares aparecem 4 álbuns dos Radiohead. Tendo a concordar, no que diz respeito aos Radiohead, com os leitores da pitchfork relativamente ao posicionamento dos 4 álbuns entre si... 1 RADIOHEAD OK Computer 2 RADIOHEAD Kid A 3 RADIOHEAD In Rainbows 4 RADIOHEAD Amnesiac Não aparece no Top 20 mas sim no 40º lugar mais outro grande álbum destes 5 rapazes de Abingdon, o "Hail to the Thief", o que lhe confere o 5º lugar relativamente aos outros discos dos Cabeça de Rádio... Parece-me bem! People's List | Pitchfork
1 RADIOHEAD OK Computer 2 RADIOHEAD Kid A 3 ARCADE FIRE Funeral 4 NEUTRAL MILK HOTEL In the Aeroplane Over the Sea 5 THE STROKES Is This It 6 RADIOHEAD In Rainbows 7 WILCO Yankee Hotel Foxtrot 8 ANIMAL COLLECTIVE Merriweather Post Pavilion 9 KANYE WEST My Beautiful Dark Twisted Fantasy 10 SUFJAN STEVENS Illinois 11 LCD SOUNDSYSTEM Sound of Silver 12 INTERPOL Turn On the Bright Lights 13 BON IVER For Emma, Forever Ago 14 THE FLAMING LIPS The Soft Bulletin 15 THE XX The xx 16 ARCADE FIRE The Suburbs 17 MODEST MOUSE The Moon & Antarctica 18 FLEET FOXES Fleet Foxes 19 THE FLAMING LIPS Yoshimi Battles The Pink Robots 20 RADIOHEAD Amnesiac
Dazed and Confused, escrito em 67 por Jake Holmes para o seu album de estreia intitulado "The Above Ground Sound", aparece muitas vezes, senão quase sempre, associado aos espectáculos ao vivo dos Led Zeppelin.
Melhor do que estar a repetir o que já se encontra escrito e detalhado, nada como vos deixar o link do wikipédia a respeito deste tema: Dazed and Confused (song)
Nesta minha revisita a vários álbuns e telediscos (fruto de andar a fazer um "test-drive" ao meu novo set-up audiovisual), tenho feito aquilo que raramente tenho tempo, ouvir e ver sentado no sofá com ouvidos de ouvir (e olhos de ver :P ) os concertos do princípio ao fim ao invés de os meter a tocar e fazer outras tarefas ao mesmo tempo. Fiquei completamente vidrado com este trecho que aqui vos deixo.
Aqui fica um dos muitos registos deste tema presentes no youtube, sendo o mesmo retirado do filme "The Song remains the same". Recomendo vivamente a aquisição da versão remasterizada para blu-ray!
Por causa do uso ilegal de imagens no meu "teledisco" não o posso incorporar aqui... mas pouco importa. O fundamental é que podem ter acesso aos sons psicadélicos de uma banda que marcou a cena cultural na terra das sanitas durante os anos 80 e parte dos 90. É só clicar:
Os australianos Dead Can Dance acabam de publicar "Anastasis", depois de um interregno de 16 anos (disponível numa grande variedade de formatos, como se tornou hábito ultimamente).
Por isso, ou talvez não, ando a revisitar obras mais antigas. Ainda não descobri o meu preferido, mas "Into the Labirynth", de 1993, é um bom candidato. Este "The Carnival is Over" é fabuloso e o vídeo não lhe fica atrás.
Geoff Downes e Trevor Rabin dos Buggles (Video Killed the Radio Star, lembram-se?), foram recrutados para a formação dos YES para fazer "Drama" (1981) e foram responsáveis por alguns dos momentos mais pop do dinoussauro progressivo. Também, com o passado negro que tinham...
Ainda Geoff Downes colabora com os YES, como no mais recente "Fly from here" (que não está tão longe do que os YES fizeram nos anos 70 como possa parecer).
Bocas à parte, Geoff Downes é um respeitado produtor e continua ativo. Lançou agora o projeto DBA, com Chris Braide, naquilo que parece ser uma aventura pop eletrónica.
Neste site é possível ver as várias 1001 coisas a fazer antes de morrer - óbvio que quem tentar todas não vai conseguir!
Além dos já bem conhecidos "1001 álbuns" e "1001 movies", há alguns menos óbvios, como o "1001 children books you must read before you grow up...". Enfim a utilidade destas listas é sempre duvidosa, porque outros critérios ditariam outras escolhas - e há sempre o dilema entre o que é relevante do ponto de vista histórico e o que tem qualidade intrínseca e perdura.
Indo para o que mais interessa aqui ao Perú, a lista dos 1001 álbuns a ouvir antes de morrer começa em 1956 e termina em 2007, o que deixa de fora muitas obras fundamentais, e mistura, de forma pouco credivel álbuns de pop, rock e jazz - esquecendo, nomeadamente, obras essenciais do jazz.
De qualquer forma, é possível consultar a lista de cada uma das publicações por ano, o que pode ser interessante para usar como referência e conhecer obras que nos tenham escapado.
Só para que conste, o ano do meu nascimento, 1967, regista 29 títulos, 3% do total, quando a média deveria ser de 19 discos por ano (se todos fossem igualmente importantes), pelo que só pode ser um ano de uma excelente colheita!
Como curiosidade, encontrei um site que permite fazer o download de uma grande lista destes álbuns em 35GB, em formato FLAC. Não experimentei...
Entre amigos geram-se às vezes turbilhões; nascem e morrem movimentos alados de sentimentos e paixões que atingem o pico da emoção com velocidade e que se mantêm, gerando não poucas vezes elevação e destruição na mesma medida. Depois morrem, passa-se a outro turbilhão e eventualmente restará no inalcançável futuro uma memória ocasional de tão grandes encantos.
Vem este palavrório a propósito de música, mas poderia vir de um pintor, um escritor, uma pessoa ou de um lugar. São coisas que acontecem entre amigos, segundo a Teoria Geral da Amizade.
Um dos mais recentes turbilhões de que me apercebi, um fenómeno viral (tão ao gosto do momento!), tem a ver com esse grupo alter ego de Neil Hannon, os Divine Comedy.
Valha em abono da formação das massas do turbilhão que é merecida a eclosão do fenómeno metereológico. Trata-se, apenas, do equivalente musical e muitas vezes literário de um Oscar Wilde (mas sem o gosto twisted). Neil Hannon é um dos maiores escritores de canções do final do século XX, e pronto (como diria o meu amigo Hélio, muito justamente no centro do turbilhão, "Pim!").
A composição, a adequação da música e da orquestração às letras, a fina ironia, a subtileza, a grandiloquência ocasional, o portento vocal quando se impõe, fazem deste músico uma riqueza bem maior do que a tem em bolsa o Royal Bank of Scotland (esta comparação foi um bocadinho mázinha, dada a cotação miserável do banco, mas pronto, estou farto de pagar a crise!).
Em álbuns maiores como o enorme "Casanova", "A short album about Love" ou "Fin de siècle" este agent provocateur destila veneno e doçura em doses iguais (mas nem sempre proporcionais), num preparado à mão que garante o deleite dos sentidos e do intelecto.
Enfim, para que o turbilhão se mantenha, deixo um dos temas maiores, uma sinopse escrita com bisturi, de uma relação ocasional equívoca e em que a escrita é perfeitamente secundada (diria elevada), por um crescendo orquestral que sublinha a conclusão com laivos de perversidade...
Para que nada fique por dizer, vai a lírica para acompanhar o tema...
No matter how I try, I just can't get her out of my mind And I when I sleep I visualize her
I saw her in the pub, I met her later at the nightclub A mutual friend introduced us We talked about the noise And how its hard to hear your own voice Above the beat and the sub-bass We talked and talked for hours, We talked in the back of our friend's car As we all went back to his place
On our friend's settee, she told me that she really liked me And I said: "Cool, the feeling's mutual" We played old 45s And said it's like the soundtrack to our lives And she said: "True, it's not unusual" Then privately we danced We couldn't seem to keep our balance A drunken haze had come upon us We sank down to the floor And we sang a song that I can't sing anymore And then we kissed and fell unconscious
I woke up the next day All alone but for a headache I stumbled out to find the bathroom But all I found was her Wrapped around another lover No longer then is he our mutual friend
Há quem não aprecie os MagneticFields, nem se encante com a voz do fundador
da banda, Stephen Merritt, um irreverente e criativo filho da geração hippie. A
condição não me choca especialmente, mas…
Abstendo-me de falar sobre outros projetos de Merritt (Gothic
Archies, 6ths, entre diferentes manifestações identicamente requintadas e cáusticas,
por vezes), de que não tenho experiência sensível mas que granjearam reconhecimento
da crítica e manifestos elogios do Lou Reed, entre outras figuras do meio, considero
que os cinco álbuns dos Magnetic Fields anteriores a “69 Love Songs”, bem como
os que se lhe seguiram, estão longe da riqueza e genialidade deste triplo álbum,
sendo, por comparação, trabalhos inferiores.
Estávamos no início do ano de 2001, quando, à semelhança do
que me havia acontecido uns anos antes com o “OK Computer”, dei por mim a percorrer
as lojas à cata de exemplares do “69 Love Songs”, com o intuito de os oferecer
a amigos e familiares – ninguém podia ficar na cegueira da ignorância! Havia que
divulgar a cura (aconteceu-me o mesmo em 2009, com o admirável “Veckatimest”
dos Grizzly Bear*)…
Que tem este triplo álbum de especial? O melhor é mesmo
ouvir este surpreendente sortido de sessenta e nove pequenas canções, estilisticamente
muito livres e arejadas (algumas são mesmo muito bonitas), que incorporam um
todo coerente e único… verdadeiramente extraordinário!
Bella Union x Rough Trade :: 15th Anniversary compilation
This year marks the 15th anniversary of the birth of Bella Union Records, and to celebrate we have teamed up with the good folk at Rough Trade Shops to compile 145 minutes and 52 seconds minutes of music, old and new, that reflects fondly on the beginnings of the label and looks excitedly towards to the prospects of the future. As well as old favourites like Midlake, Lift To Experience and Dirty Three we have 6 new and unreleased tracks from Jonathan Wilson, The Walkmen, The Low Anthem, Lanterns On The Lake, Zun Zun Egui and Father John Misty.
Rough Trade Shops Bella Union 15 will be available on very special edition CD at the Rough Trade Stall at this years End Of The Road Festival, and widely available from all good retailers on Monday 17th September.
Here’s the track listing and artwork below… Various – Rough Trade Shops Bella Union 15 CD One
1. M Ward – Primitive Girl 2. Veronica Falls – Stephen 3. Wild Nothing – Shadow 4. Beach House – Lover Of Mine 5. Andrew Bird – Effigy 6. Laura Veirs – July Flame 7. Fleet Foxes – Montezuma 8. The Acorn – Crooked Legs 9. John Grant – TC & Honeybear 10. Stephanie Dosen – Vinalhaven Harbor 11. Explosions In The Sky – Your Hand in Mine 12. Hannah Cohen – Don’t Say 13. Poor Moon – Holiday 14. Treefight For Sunlight – Time Stretcher 15. Vetiver – More Of This 16. Lawrence Arabia – I’ve Smoked Too Much 17. Cashier no. 9 – Oh Pity 18. Marques Toliver – Magic Look CD Two
1. Van Dyke Parks – Be Careful 2. Mountain Man – Buffalo 3. Peter Broderick – Colin 4. Midlake – The Jungler 5. I Break Horses – Hearts (RAR mix) 6. Dirty Three – Everything’s Fucked 7. My Latest Novel – Wrongfully, I Rested 8. The Czars – Goodbye 9. Our Broken Garden – The Departure 10. Lift To Experience – To Guard & To Guide You Exclusive Bonus Tracks
11. The Walkmen – The House You Made* 12. The Low Anthem – Down There By The Train* 13. Jonathan Wilson – Journey from Eden* 14. Zun Zun Egui – Battlefield* 15. Lanterns On The Lake – Below It* 16. Father John Misty feat. Phosphorescent – I Would Love You
Os Metallic Taste of Blood andam num caminho que não anda assim tão longe do prog "orgânico" dos Storm of Corrosion, embora a sua via seja mais distorcida (leia-se: mais experimental).
Em Junho publicaram o seu primeiro álbum, homónimo.
Esta é música instrumental, extraída das mentes e mãos de quatro músicos experientes e com um passado de colaboração em vários projetos.
Eraldo Bernocchi - guitarra Colin Edwin (baixista com os Porcupine Tree desde 1993) Balazs Pandi - Percussão Jamie Saft - teclas
Embora o look-and-feel da banda seja bastante metálico, a música é bem mais diversa: por aqui passa alguma dureza associada ao metal, mas também piano jazzístico, reggae, dub, numa multiplicidade de ambientes que convida à exploração. Uma descrição aproximada daquilo a que soam seria "uma jam session cósmica".
Influências, é possível detetar algumas. Em "Fist Full of Flies", por exemplo, é possível ouvir um piano em fundo que eu juraria que foi tirado de um take de "The Devil's Triangle", de "In the Wake of Poseidon" dos King Crimson. No entanto, o conjunto é algo de novo e que definitivamente merece ser ouvido.
Então todo o suspense criado nos últimos dias era para anunciar um novo vídeo de Tom Waits e o seu lançamento no Youtube (where else?).
Aqui está "Hell broke Luce", do último álbum "Bad as Me", obra maestra do ano passado.
Não é para todos os gostos, é apenas 1) para as mentes psicóticas e bizarras, com fortes desvios de personalidade 2) para todos os outros com muito bom gosto :)
Esta tem que ser a pechincha do ano. A FNAC está a vender um pack de Miles Davis com 20 álbuns, publicados de 1950 a 1958 (produção colossal!), por 14,99€. Ou seja 0,75€ por álbum!
É uma edição da MCPS, que se especializou em lançamentos low cost, e garante que as obras foram "digitally remasterd and enhanced for superior quality".
Estes são os primeiros trabalhos gravados de Miles em nome próprio, com diferentes formações, desde os pequenso grupos do início do anos eguinte até às obras com Gil Evans no fim da década. Álbuns clássicos, considerados obras primas, como "The Birth of Cool", "Round Midnight" ou "Miles Ahead", estão aqui incluídos. Fica já de fora outra obra-prima, "kind of blu", de 1959.
Altamente recomendado, para conhecer ou para completar a coleção!
Morreu anteontem em Cuernavaca, Morelos, Isabel Vargas Lizano, mais conhecida pelo seu nome artístico de Chavela Vargas. Costa riquenha, mas sempre associada ao México, nasceu em 1919 e conviveu de perto com símbolos maiores da cultura latino americana, como Diego de Rivera e Frida Kahlo. Chegou a viver com eles. Foi-se suavemente, deixando de respirar. Aos 93 anos estava cansada, quem sabe esgotada por uma vida intensa. Nos últimos anos a sua voz já era só um murmúrio, levantando-se do silêncio como uma brisa ondulante. Já quase sem voz, era só o sentimento que se ouvia. Fica aqui aquele que é provavelmente o seu tema mais conhecido, La Llorona.
A Justiça norte-americana anunciou nesta segunda-feira ter chegado a acordo com a empresa Gibson, famosa fabricante de guitarras, depois de esta aceitar pagar uma multa de 300 mil dólares (242 mil euros) por ter usado madeiras exóticas de Madagáscar.
O Departamento de Justiça norte-americano deixou cair o processo contra a empresa, com sede em Nashville, depois da Gibson ter admitido a importação de madeiras exóticas de Madagáscar. Este país, com 17 milhões de habitantes, já perdeu quatro quintos das suas florestas.
A Gibson vai agora pagar 300 mil dólares de multa por violação à legislação ambiental, de 2008, e outros 50.000 dólares (cerca de 40.000 euros) à função nacional da vida selvagem para ajudar a promover a protecção de espécies de árvores protegidas.
“O acordo a que chegámos é justo porque aplica graves coimas pelo comportamento da Gibson, ao mesmo tempo que lhe permite continuar a fabricar guitarras”, comentou o procurador-geral Jerry Martin, num comunicado citado pelo jornal Washington Post. Esta empresa é considerada um dos melhores fabricantes de guitarras acústicas e eléctricas.
Este foi o desfecho de uma investigação que começou em 2009, depois de suspeitas de que a empresa estaria a importar madeira ilegal ou protegida de Madagáscar. Agora, “Gibson suspendeu as importações de madeira de Madagáscar e reconhece o seu dever perante a legislação de verificar a origem da madeira e as circunstâncias do seu abate e exportação”, disse Ignacia Moreno, da Divisão de Ambiente e Recursos Naturais do Departamento de Justiça norte-americano.
Já aqui falámos do http://33rpm-discos.blogspot.pt/, interessantíssimo local para parar na net e informar-se sobre Música, com especial incidência em tudo aquilo que se pode descobrir através de uma agulha de diamante...
O 33rpm achou por bem, vá lá saber-se porquê, entrevistar este humilde bloguista, sobre o Perú Antes do Natal e sobre as minhas paixões e preferências musicais. Podem ler a entrevista em:
De Charlotte Gainsbourg, o nome diz tudo (filha de Gainsbourg e de Jane Birkin, who else?). De Beck, a fama precede-o e, embora mais na sombra nos anos 10, o seu passado de inovador irrequieto nos anos 90 e 00 é suficiente para lhe continuar a dar um lugar de destaque. Este tema é já de 2010, do único disco da parceria ("IRM"), em que Beck resolveu dar uma mão a Gainsbourg, compondo, emprestando musicos, produzindo... O resultado é francamente interessante e vale a penar visitar ou (re)-visitar.
Eu tenho uma feição especial por vozes femininas suaves que cantam em francês, portanto a escolha não poderia deixar de ser este Le Chat du Café des Artistes para lembrar o disco:
Depois de InnerSpeaker, que causou algum furor há dois anos, estes australianos um bocado marados mas fixes e com uma música que pede atenção vão lançar um dia destes e que se chamará Lonerism e já tem capa:
Aqui pode-se fazer o download do tema de apresentação:
http://wwwidgets.modularpeople.com/tame-impala-apocalypse-dreams/
Mas vale a pena ir ao Sítio do Costume para ouvir esta explosão de jazz em Montreux em 1977 - uma parada de estrelas numa versão de 26 minutos do clássico "All Blues".
Encontrei o vinil à venda e desde aí que sou um homem muito mais feliz.
Eis a lista de temas e dos músicos que tocam no disco:
As cassetes, também carinhosamente chamdas de K7s, viveram connosco longos momentos das nossas vidas (sim! de todos nós com mais de 30 anos). Elas foram o antepassado do mp3 e o primeiro meio sério de pirataria que tivémos ao nosso dispôr!
Ferro, Ferro-Crómio, Crómio, Metal, tipologias que nos fazem sonhar com fitas castanhas a sair pelos buraquinhos e a enredarem-se no leitor de cassetes!
Havia-as por todo o lado: em casa, no carro e na rua, com o lendário Walkmen - o ipod original.
Muitas guardam ainda hoje tesouros que nunca foram editados noutros meios (era vulgar os grupos publicarem cassetes com obras que não saiam noutros formatos, para clubes de fãs ou não), ou gravações de espetáculos. Muitos deram origem a discos piratas, com gravações que pareciam feitas dentro de um balde plástico com uma esfregona molhada por cima.
Só eu tenho umas 500 a ganhar pó na arrecadação!
Partilha connosco as tuas k7 favoritas, o que tinham e os momentos mais espetaculares a que as tuas k7 assistiram!
Primeiro um musical de sucesso na off-Broadway em 1967, com estreia na Broadway em 1968 e, 11 anos depois, um filme de Milos Forman, Hair é um dos marcos da libertação cultural, racial e política dos Estados Unidos.
Com a devida vénia, e porque não diria melhor, cito o que a Wikipédia diz a propósito do musical original:
"A product of the hippiecounter-culture and sexual revolution of the 1960s, several of its songs became anthems of the anti-Vietnam Warpeace movement. The musical's profanity, its depiction of the use of illegal drugs, its treatment of sexuality, its irreverence for the American flag, and its nude scene caused much comment and controversy.[1] The musical broke new ground in musical theatre by defining the genre of "rock musical", using a racially integrated cast, and inviting the audience onstage for a "Be-In" finale."
Veio parar-me às mãos a banda sonora original do filme em estado novo. Diferente do original da off-Broadway (que saiu nas Selecções do Readers Digest - lembram-se das Selecções?), mais negra e cheia de funk.
Aqui fica um dos temas mais conhecidos da banda sonora. Cool, brother!
Os Cake são uma banda californiana dos anos 90, com um estilo muito próprio e beneficiando de muitas influências diferentes, do rock o jazz, ao funk.... Do seu álbum Fashion Nugget veio esta deliciosa versão de "I Will Survive" que merece tanto destaque quanto a de Gloria Gaynor...
O ano passado renasceram das cinzas (o álbum anterior era de 2004 com "Showroom of compassion", que é assim - assim). Muito melhor neste pastiche-rock do disco sound!
No link abaixo é possível ouvir os membros da banda a falarem dos três primeiros trabalhos e ouvir também os temas.
Lucky Men: Emerson, Lake & Palmer Celebrate The 40th Anniversary
Of Their First Three Studio Albums on InTheStudio.NET
Dallas,TX- July 28, 2012.
North American syndicated Rock radio show InTheStudio:
The Stories Behind History’s Greatest Rock Bands mark the 40th anniversary of
Emerson Lake & Palmer’s Trilogy album with a look back at their first three studio
efforts. ELP were a true supergroup in progressive rock, elevating the musical genre by taking it out of the science lab and onto FM rock radio, where ultimately millions of listeners would respond in favor. Greg Lake shares with show host Redbeard how
‘Lucky Man’ ended up making the cut on ELP’s debut album.
“ I wrote “Lucky Man” when I was 12 years old... And I never had any use for it... When it came to the album and we were due to finish the album there and them, it was just a case of, ‘Does anybody got any ideas?’ And there was a silence, and I said, Well, I got this. ‘So,all right then, give it a go.’ “
The InTheStudio.NET/ Emerson Lake & Palmer MEDIUM RARE’ show is an online
ONLY exclusive available now at:
HYPERLINK
Part 1
“http://www.inthestudio.net/online-only-interviews/emerson-lake-palmer-trilogy-40thanniversary/”
Part 2
“http://www.inthestudio.net/online-only-interviews/emerson-lake-palmer-trilogy-40thanniversary-pt-2/”
Snowy White não é um nome que sugira imediatamente um foco de luz sobre a sua cabeça. No entanto, se eu disser que acompanha os Pink Floyd desde meados dos anos 70 e que os acompanhou em digressões e tocou nos espetáculos do The Wall, e que toca regularmente com Roger Waters, o interesse começa a surgir. Snowy é um daqueles músicos demasiado bons para deixarem de ser requisitados pelas bandas e que tem dificuldades em conciliar o fluxo regular de trabalho que este tipo de convites geram com o desejo de ter a sua própria banda. Na verdade, o que vai fazendo é publicar albuns a solo no intervalo dos trabalhos regulares em que o solicitam.
Snowy é, naturalmente, um guitarrista experimentado; nos espetáculos ao vivo de Roger Waters cabe-lhe a parte de leão dos solos, sobretudo no Comfortably Numb, em que disputa o palco com um indivíduo mercuriano, cheio de hormonas masculinas capazes de derrubar um campo de futebol de Milfs suculentas. Na realidade, o outro indivíduo, que até não é mau guitarrista, fica-se pelo estilo e pela correção, enquanto Snowy toca com feeling e sentimento.
Cruzei-me com o seu primeiro álbum a solo numa excursão pela selva do vinil,e lá o capturei através de artimhanhas do multibanco. Deixando-o expandir-se em espiras soltas, revelou-se: no geral, fica uns furos abaixo do que Snowy sabe fazer. Demasiado pop, semi funk, a meio caminho entre ser e não ser Eric Clapton ou Mark Knopfler, não resolve as expectativas de quem, como eu, só conhece o seu trabalho na companhia de muito bons músicos. Mas, hélàs, o tema duplo "The Journey" mostra, num registo fusão, com quantas cordas se toca uma guitarra. É o tema que salva o álbum e dá um cheirinho a progressivo.
Há ainda "Bird of Paradise", um tema à la Clapton, que foi o maior hit do álbum na altura do seu lançamento e que não é de todo desinteressante, no género desossado em que Clapton se especializou (já ganhei inimigos figadais no you tube por dizer o que penso dele...). Enfim, estou para aqui com coisas, mas se me dissessem que era Slow Hand himself, comia que nem Nestum com Mel. Chapeau.
É destas figuras ultra competentes que se alimenta uma industria em que muitas vezes as cabeças de cartaz são só cartaz e pouca cabeça. Portanto, nada a dizer, sr, White.
Este é um concerto que há muito que ando para comprar em blu-ray mas que por força do preço que é exigido, uma média de 45€ a 60€ praticamente em todo o lado, acabei por nunca o comprar.
Felizmente há quem se dê ao trabalho de ripar estas coisas e fazer upload, e em HD, no youtube para que todos passem a ter acesso.
É com muita pena minha que nunca vi este senhor (e o Bowie, bolas!) ao vivo e a cores, exceptuando num dos melhores concertos que vi até hoje, onde o senhor lá apareceu de uma bancada VIP no RAH a acenar aos seus companheiros de armas Graham Nash e David Crosby que por sinal aparecem neste concerto e por momentos fizeram-me acreditar que haveria o mesmo câmbio que houve no anterior concerto, este!
Para agravar ainda mais a coisa, e tenho a certeza que me vou lamentar durante muitos anos, hesitei ir a Londres ver na O2 arena pela segunda vez o "The Wall" de Waters, verificar os rumores que corriam na altura e acabei por perder a oportunidade de ver (e ouvir) Waters, Gilmour e Manson juntos, on set!!
Mas enfim, é daquelas que mais vale não chorar sobre leite derramado...
O concerto que aqui deixo, foi realizado em Maio de 2006 no Royal Albert Hall na sequência da tourné de apresentação do ultimo disco a solo de Gilmour, intitulado "On an Island" (por sinal um disco que gosto muito) e conta com a presença de vários outros artistas, nomeadamente:
Richard Wright, Jon Carin, Guy Pratt, Phil Manzanera, Steve DiStanislao, David Crosby, Graham Nash, Robert Wyatt e David Bowie.
Depois de ver este concerto no youtube lá perdi amor aos euritos (antes para isto que para o triunvirato que nos ocupa o território) e lá acabei por meter no cestinho electrónico o concerto em blu-ray para poder passar a gozar o concerto em Full HD e Dolby TrueHD. Bom, quer dizer, para já como sou um homem do binário e ainda agarrado ao 10.0 (eheh) fico-me pelo LPCM a 24bit/48kHz!
Esta faz-me lembrar uma daquelas que uma vez deu origem a uma discussão de proporções épicas em que eu só me ria...
"Só há 10 tipos de pessoas que percebem de binário, as que percebem e as que não percebem!"
Set list:
1. Speak To
2. Breathe (In The Air)
3. Time
4. Breathe (In The Air) (reprise)
5. Castellorizon
6. On An Island featuring Crosby & Nash
7. The Blue featuring Crosby & Nash
8. Red Sky At Night
9. This Heaven
10. Then I Close My Eyes featuring Robert Wyatt
11. Smile
12. Take A Breath
13. A Pocketful Of Stones
14. Where We Start
15. Shine On You Crazy Diamond featuring Crosby & Nash
16. Fat Old Sun
17. Coming Back To Life
18. High Hopes
19. Echoes 1:44:20
20. Wish You Were Here
21. Find The Cost Of Freedom featuring Crosby & Nash
22. Arnold Layne featuring David Bowie
23. Comfortably Numb featuring David Bowie
PS: Se alguma vez alguém ouvir sequer o rumor de que há possibilidades de DG voltar a pisar o palco, PLEASE TAG THE RED FLAG!
Natasha Khan, aliás, os Bat for Lashes têm novo álbum, previsto para Outubro ("The Haunted Man"), que se segue a "Two Suns", apenas o seu segundo registo, de 2009. Para já, temos direito a aperitivo no youtube, com esta bela canção, pela não menos bela Natasha (a merecer um dia destes um post no nosso Canto das Gatinhas. Check out:
Os Rolling Stones que durmam descansados o seu soninho septuagenário. O Rock'n'roll continua vivo e de boa saúde, com energia para dar e vender, como se vê neste vídeo dos WELL HUNG HEART, nova banda de Robin Davey, dos Bastard Fairies.
Uma das bandas favoritas cá do Perú são os dEUS, que tocam em Agosto em Paredes de Coura.
Lançaram há pouco "The Following Sea", fato estranhíssimo atendendo a que a sua cadencia editorial é baixa e tinham publicado em 2011 o excelente Keep You Close. Segundo disse Tom Baarman na altura, não lhes apeteceu estar à espera quatro anos para lançar o trabalho. O resultado é irregular... abaixo daquilo que nos habituaram.
Entretanto, andam em digressão pela Rússia, e vão enviando postais visuais como este:
Um dos prazeres da música é a descoberta. É gratificante descobrir uma obra nova e ouvi-la, estabelecer ligações, enquadrá-la no seu tempo, tentar medir o seu valor relativo.
Muitas vezes, ao varar pilhas de discos em segunda mão,
surgem álbuns, quantas vezes a preços ridículos, que nos fazem parar e
interrogar: “o que será isto?” Há alguns sinais que nos levam a identificar
obras potencialmente interessantes, como os músicos que participam, a capa, a
editora…Às vezes arrisco e compro alguns discos que não conheço (nem sempre é possível ouvir tudo antes de comprar ). Tenho tido algumas boas surpresas...
Um destes dias, numa pilha de discos em promoção passei por
este “Smith Perkins Smith”, quase o descartava pela carta pirosa, mas depois
olhei para a contra-capa e vi um trio cabeludo, uma edição Island de 1972 e pensei “vale
a pena arriscar”.
Depois de pôr o disco a tocar e fazer alguma pesquisa,
confirma-se: é uma boa obra americana dos anos 70, no género soft rock, bem
composta, bem cantada, bem orquestrada. Tornou-se mesmo um clássico do soft
rock americano, li algures. O que não quer dizer que seja som soporífero e
melodias a desfazer-se. Há aqui um som consistente, mas eminentemente acústico,
apoiado nas guitarras, piano e com um bom trabalho de vozes.
Há influencia nítida de Crosby, Still & Nash em temas
como "Mighty Good Time". ou em baladas como “Say no More”.
É o único trabalho da banda.
Os músicos são os irmãos Steve and Tim Smith, a que se juntou
para o disco Wayne Perkins, que foi apontado como substituto para Mick Talor e
que viria a fazer dois discos com os Stones (
“Black and Blue” e “Tattoo You”
Para aqueles que se identificam com esta área musical, um
trabalho muito interessante e que vale a pena procurar.
Pronto! Agora é que o Perú entrou na silly season!
(ao mesmo tempo que outros dizem: Uf! Finalmente algo que não tem mais de 40 anos!)
Lana Del Rey é daqueles fenómenos lollipop, que surgem rodeados de muita publicidade e controvérsia. Aliás, parece que hoje em dia a controvérsia vende mais que a música. Que seria de Lady Gaga se estivéssemos apenas expostos à sua música e não fossemos bombardeados pela sua poderosa máquina de imagens e aparato mediático?
Quanto à Lana, o seu álbum Born To Die veio apresentar o seu conceito e a sua música - sobretudo o tema Video Games ganhou bastante airplay, versões e até já foi utilizado como parte da banda sonora de uma série. Tem-se discutido se é apenas mais um fenómeno musical pronto a consumir ou se há algo de mais duradouro debaixo do seu aspeto de virgem perversa. Em resumo, se tem "qualidade".
Eu não me vou meter nessa discussão, que aliás não me interessa muito. Como diria qualquer um dotado de regular senso comum, exceto alguns famosos videntes, o futuro é muito difícil de prever. Aquilo que posso dizer, depois de ter comprado a obra e a ter ouvido algumas coisas, é que se ouve bem, tem alguns temas ligeirinhos mas agradáveis, mas é chato. Suspeito que o talento dela não chegue para um álbum inteiro...
Agora lançou um novo video, "National Anthem", que apresenta uma imagem provocatória, à volta do assasinato de Kennedy, aparecendo a nossa Lana primeiro como Marylin a cantar "Happy Brthday Mr. president" e depois encarnando numa Jackie Kennedy a rigor, na mansão da família junto ao lago, no barco, no aniversário dos filhos... mas com um negro, de apareência rapper, que acaba assasinado no final. Uma alegoria sobre o dinheiro, ao fim e ao cabo. O dinheiro não pode ser rei, mas é o presidente. Será que estou a ler mal o conteúdo? Gostava de conhecer outras opiniões. Pelo menos o vídeo tem algum interesse narrativo e não é uma ilustração musical inócua. Digam de vossa justiça...
Já tenho falado a amigos e conhecidos deste álbum raro do
Duncan Browne – guitarrista/compositor inglês, injustamente desconhecido do
grande público.
Infelizmente desaparecido do mundo dos vivos em 1993 com apenas
46 anos de idade, Duncan Browne já beneficiava, ainda muito jovem, de formação
musical superior em harmonia e composição, quando decidiu ajustar a sua
experiência clássica à guitarra elétrica, influenciado por grupos como os Beatles
e os Moody Blues, entre outros vanguardistas e precursores da música “psicadélica”
e “progressiva” que caracterizou as décadas de 60 e 70, do século passado.
Não me vou alongar sobre o percurso artístico de Duncan
Browne. Há matéria na net, ainda que não muita, disponível para os mais
curiosos, bem como um registo integral (não bom mas decente) do “Streets of Fire” no Youtube. Apenas acrescentaria para os mais atentos que
o Duncan foi, conjuntamente com Peter Godwin, o criador do projeto Metro – uma
experiência de fusão com ingredientes de Glam (David Bowie, Roxy Music, T. Rex…)
e Rock progressivo. Recordam-se do “Criminal World” do Bowie? Pois vale a pena conhecer
a versão original desta música dos Metro (1976) … de resto, não é o único
exemplo de interpretações bem-sucedidas de temas do Duncan…
Indo diretamente ao objeto deste breve (eu queria que fosse…)
apontamento, o “Streets of Fire” (1979) é o álbum que sucede ao “The Wild
Places” (1978) e representa o pináculo de uma fase particularmente inspirada na
carreia do compositor. Trata-se de um trabalho muito bonito e coeso, delicado e
atmosférico, que contém qualquer coisa de nostálgico – a última música é o clímax
desta atmosfera melancólica…
Antecipando bastante do que se viria a fazer mais tarde, nos
anos 80, o álbum alia de uma forma muito natural (quase impercetível) elementos
do “Progressivo” e do “Glam”, dando origem a esta espécie invulgar de “Glamour
Sinfónico” (começo a ficar cansado destes rótulos, ainda que lhes reconheça o
mérito da comunicação).
Bill Fay não é nada novo, e tem andado afastado das gravações desde os anos 70. Será, para o grande público, um segredo, mas não menos interessante do que parceiros espirituais bem mais conhecidos como Nick Drake ou Leonard Cohen. Música da plavara, da balada, da inquietação metafísica.
Reconhecido mais pelos seus pares do que pelo público, Fay é visto como uma inspiração por bandas como, por exemplo, os Wilco.
De obra escassa, Bill publicou dois discos entre 69 e 71("Bill
Fay" and "Time of the Last Persecution"), e outro em finais dos 70,"Tomorrow
Tomorrow And Tomorrow". Agora voltou a gravar e vai lançar o quarto em Agosto.
O tom deste tema remete-nos para as últimas obras de Johny Cash, ou mesmo de Cohen. O tom é de pacificação, usando o gospel como metáfora da espiritualidade, num misto de aceitação e redenção. O vídeo remete-nos para uma comunhão com a Natureza que não anda longe de Terrence Malick e o seu último (e controverso filme), "A Árvore da Vida".
Obra obrigatoriamente a ouvir quando Agosto nos brindar com as suas noites tranquilas e ainda soalheiras...
Só para comparação, um dos seus melhores temas, de 1971 (ouvem ecos de Bob Dylan? Também me parece...)
Cat Power salta de novo e cai em quatro patas ao Sol a 4 de Setembro com novo disco: "Sun"
O tema de apresentação é Ruin - e dir-se-ia que esta gata anda saída. Depois de nos deprimir e embalar em obras anteriores, quase a apetecer que antes era de noite e todas as Cats eram pardas (desculpem, mas este trocadilho estava aqui a fazer-me cócegas nos dedos...), agora parece que o sol tomou conta da cena e que é outra vez 1982.
Está disponível para download em
http://stereogum.com/1067132/cat-power-ruin/mp3s/
Cocorosie têm novo 7"". Duas das irmãs (Bianca Leilani Casady ("Coco") e Sierra Rose Casady ("Rosie"), mais aventurosas a nascer nos Estados Unidos continuam a ser um delírio visual e um refresco sonoro. Embora elas estejam em fogo.
Convém alertar que os Dirty projectors estão mais mansos (parece!). O magnífico "Bitte Orca" já tem 3 anos... e têm andado pouco ativos, apesar da colaboração com Björk em "MountWittenberg Orca", de 2010.
"Swing Low Magellan" já está aí, este é o single de apresentação.
As lojas da Galp têm sempre uma caixa com cds avulsos, daquelas séries de coisas imprestáveis ou demasiado populares para receberem consideração séria. Daí o meu espanto quando, entre os inevitáveis Ada de Castro e Carlos Paião, me apareceu o Steve Howe a 3,80€... Capturado o espécime, houve que dissecá-lo um pouco...
A capa budget
Trata-se de um album de 2005, reeditado por uma editora budget, com uma capa diferente e com a informação reduzida ao nome das faixas e ao autor. O qual, nos 18 temas é o próprio Howe em 13, terminando o álbum com três temas dos YES: Your Move - Disillusion - To be Over.
A capa original
Steve Howe é / foi um dos grandes guitarristas do prog /do rock em geral. Técnica fabulosa, criatividade, versatilidade, são alguns dos atributos em nome próprio, além de um som límpido imediatamente reconhecível na guitarra acústica. Não é para agora enumerar a sua contribução no seio dos YES, mas é sem dúvida um dos pilares vitais da identidade da banda - para quem conhece, os minutos iniciais de Close to the Edge são vertiginosos.
A questão põe-se, nestes casos, como se sobrevive a uma identidade tão marcante. Steve Howe publicou vários álbuns pós YES. O álbum em presença demonstra uma versatilidade muito grande, entre classicos revisitados, a originais que lembram temas já conhecidos - "Intersection blues" é "the clap", claramente, (de The Yes Album).
Vários temas refrescam-se num ambiente rural, uma intenção campestre que é repousante. Já "Dream River", por exemplo, tinge-se de acordes a la Django. O album oscila entre o tema solo, os duetos, temas com acusticas e electricas, por vezes uma seção ritmica de baixo-bateria regular, intervenções de banjo e violino... Paisagem variada que não deixa o ouvido descansar e não é nunca monótona.
Afinal, uma surpresa agradável. Obrigado Galp!
E, já agora, a mesma série "Noble Price" regista edições de outros nomes progressivos:
Beggars Opera - The Final Curtain Curved Air - Live 1990 Caravan - Here Am I Emerson Lake & Palmer - Lucky Man Roger Chapman (dos Family) - Shadow n the Wall Vários dos Tangerine Dream Dois volumes do Le Mystère des Voix Bulgare Astor Piazzolla Miles Davis Chick Corea Santana Rick Wakeman
Boas razões para estar atento à caixinha das promoções da Galp...
Venho hoje aqui ao Peru prestar homenagem a um dos exemplos
mais impressionantes e marcantes do denominado rock progressivo: o álbum “Pawn
Hearts” dos Van Der Graaf Generator, banda pouco conhecida e certamente das
mais incompreendidas…
Vale a pena conhecer este quarto álbum dos Van Der Graaf
Generator, que considero ser a obra-prima da banda. Composto por três partes – “Lemmings
(including Cog)”, “Man-Erg” e “A Plague of Lighthouse Keepers” – , conta-nos
momentos de prenúncio e desastre, de introspeção e esperança, por via de uma
linguagem musical verdadeiramente inebriante e vertiginosa.
Uma linguagem feita de explosões e de silêncios que brotam dos
incríveis e caóticos saxofones de David Jackson, da ubíqua e poderosa voz de Peter
Hammill, da guitarra sombria e envolvente de Robert Fripp; do piano acústico
(Hugh Banton), irrompem sons opressivos mas também de alívio e serenidade, que
resultam da dissonância feroz e do cálido conforto da sua resolução. As síncopes
e as paragens instantâneas de uma bateria (Guy Evans) intrépida mas
simultaneamente delicada e voluptuosa, são os alicerces poderosos de toda esta espantosa
simetria de contrações espasmódicas e alívio de tensões!
É impraticável falar do Pawn Hearts e dos seus efeitos… trata-se de uma obra poderosíssima e verdadeiramente
inebriante que transporta o herói ouvinte ao longo de uma vertiginosa viagem, cujo
último estágio é a purificação!
Aviso importante: não ouçam este álbum em CD! Pura e
simplesmente não resulta (acaba por funcionar como bom exemplo das limitações
deste formato) … mais vale ir à loja dos discos pretos em segunda mão e comprar
um exemplar (encontra-se com relativa facilidade), ainda que contenha algum
ruído (maleita que normalmente se trata com uma boa limpeza, na ausência de outros
danos).
Confesso primeiro a minha ignorância e depois o meu espanto.
A ignorância: como foi possível ter vivido os últimos anos sem ter conhecido uma banda do calibre desta!?
O espanto: o calibre deles!
O enquadramento, dado pelo site oficial da banda: "Jaga Jazzist have become something of a musical phenomenon in Norway since they started 15 years ago. Not only is this 9 piece instrumental band regarded as one of the most exciting and innovative in Norway, the members are all involved in other musical projects and have in one way or another contributed to almost every significant recording to come out of that part of the world in the last few years. It has been this strong involvement with different projects, and different musical styles and sounds which is the key to the unique sound of Jaga Jazzist. With no boundaries and an arsenal that includes trumpet, trombone, electric guitars, bass, tuba, bass clarinet,saxes, keyboards, vibraphone and a rack of electronics, Jaga Jazzist create timeless music. Melodic, hypnotizing, delicate and subtle."
THE BAND 2010: Mathias Eick – Trumpet, upright bass, keyboards + vibraphone Marcus Forsgren – Guitars + effects Even Ormestad – Bass + keyboards Andreas Mjøs – Vibraphone, guitars, drums + electronics Line Horntveth – Tuba + percussion Martin Horntveth – Drums + drum-machines Lars Horntveth – Tenor sax, bass-clarinet, guitars + keyboards Øystein Moen – Keyboards Erik Johannessen - Trombone + percussion
Os Jaga Jazzist são, pela unca e mais recente obra que conheço deles, verdadeiro rock progressivo do século XXI, daquela qualidade que sempre apreciei no progressivo: são bons independentemente do rótulo que se lhes cole. Alías, também dizem que são uma banda de nu jazz ou jazz experimental. Não interessa. A musica sobrepõe-se, e essa é um caldeirão rítmico, andamento em progresso, intercambio de frases que configuram algo de verdadeiramente novo. Ouçam...
Curiosamente, no tema título ecoa Zappa da época de Burnt Weeny Sandwich... Bom sinal, uma vez que estamos a falar da época musicalmente mais ousada de Mr. Moustache.
Esta é uma das descobertas do ano para mim, embora o álbum seja já de 2010.
Os paíes nórdicos estão com uma cena musical verdadeiramente vibrante, especialmente no jazz e no rock progressivo. A criatividade fugiu para o frio?
(nota: este é o tipo de música com alguma amplitude e complexidade para a qual o you tube se revela pequeno):
Pode ser estranho para parte dos Peruanos habituais, mais puristas, mas os Hot Chip são um grupo que sigo com regularidade. O que gosto neles: um equilibrio precário entre som dançante e fragilidade, temas orelhudos, teclados retro e canções semi-obscuras. Isto é pop bem feito no século XXI! Serão, para os ouvidos progressivos, um guilty pleasure. E quem não gosta de guilty pleasures??
Aqui fica, do seu quinto e mais recente "In Our heads"
É tempo de trazer ao Peru um ilustre desconhecido que foi
muito ouvido e apreciado por um grupo restrito de amigos de que eu fazia parte,
em 1976, quando o seu primeiro (e único) álbum saiu.
Este extraordinário trabalho de características pouco vulgares, mesmo num meio
tão livre e criativo como foi na época (e continua a ser) o da música de fusão –
neste caso com fortes raízes no Jazz e na música erudita –, foi integralmente concebido
e escrito por Hermann Szobel quando apenas tinha 18 anos de idade!
É estranho nada mais se ter ouvido (que eu saiba) deste enigmático vienense…