Esta é uma notícia triste. Morreu Storm Thogerson, criador de algumas das mais icónicas capas de discos de toda a música rock, através do seu estúdio Hipgnosis, para os Pink Floyd, Led Zeppelin, Nice, Peter Gabriel, 10cc, Muse...
Aqui fica o link para o site oficial: http://www.stormthorgerson.com/
Este é mais um caso de talento esquecido que vem a ser
recuperadonos últimos anos. Como já
várias vezes se disse aqui, os anos 60 e 70 foram tão ricos em criação musical
que era literalmente impossível destacar todos os bons projetos - muitos caíram
nas fendas do olvido (poderosa imagem, hein?). Só nos últimos anos a busca por aspetos menos conhecidos e alguns trabalhos semi-arqueologicos têm permitido desenterrar algumas relíquias, quase semelhantes a artefactos pré-históricos que aparecem à luz do dia e provocam admiração por terem estado ignorados tanto tempo.
Por favor não relevem a parecença com outro Dino, o "nosso" Dino Meira, o qual é um artefacto que apenas é arqueológico no sentido de que está mais próximo da origem do Homem que do seu futuro.
Dino, que foi compositor e vocalista nos Quicksilver
Messenger Service, banda de São Francisco que recomendo, lançou um único disco
a solo em 1968, precisamente intitulado “Dino Valente” (com “e”, embora também
usasse o pseudónimo “Valenti”; o seu nome verdadeiro era Chet Powers). É um
disco de singer / songwriter, muitas vezes só voz e guitarra. Mas, como muitas
grandes obras (e só “por acaso” estou a lembrar-me de Bob Dylan), é a verdade
da intenção e a pungência da interpretação que separa o medíocre do sublime. Também
me lembrei de Jeff Buckley… Dino era um compositor medianamente inspirado, mas
os seus temas têm um tom confessional e uma intensidade na voz que o tornam
cativante. Às vezes a produção abusa do eco e do reverb, mas são pecados d’época…
Morreu precocemente, em 1994. Tem um site (de mau gosto!)
onde se pode percorrer a sua carreira e a sua música: http://www.dinovalenti.com/
Pode ser uma descoberta interessante para quem gosta deste
género. Outros nomes semelhantes, vindos da grande planície musical americana,
são Fred Neil, Jim Croce, Paul Siebel e Tim Buckley. Dois temas, para apreciar.
After receiving a few requests from interested readers to re-up portions of this series, I decided that featuring the entire collection of webcasts in one post would help to bring some attention to this marvelous historical narrative. Several years ago, Arkestra member and official Sun Ra archivist, Michael D. Anderson, "The Good Doctor," enhanced the ESP-Disc website with a 14-hour Sun Ra retrospective. In this unprecedented audio documentary, The Good Doctor presents a timeline of Sun Ra's career featuring both classic releases and unheard nuggets from the Archive. The tribute is divided into 6 parts, each approximately 2 hours for a total of 14 hours of amazing information and music. Throughout the broadcasts, Michael D. Anderson relates biographical information about Ra and shares many anecdotes of his time with the Arkestra; I find these are particularly interesting and entertaining.
A few of my favorite moments from these broadcasts have already been featured here. You might remember Rusty Morgan's "Blame Shame" or the Arkestra's remarkable performances of I Roam the Cosmos (if you missed these, rectify!). There are plenty more incredible rarities peppered throughout these broadcasts. If you are interested in reviewing the playlist for each segment, please click the 'part #' below each stream to be whisked away to the original post where you will find newly refreshed download options. Each post features the original master tape offered in both FLAC and 320k mp3 as well as an mp3 audio stream of the show.
If listening to the entire transmission in one sitting doesn't suit your schedule, please consider bookmarking this page so that you can easily return for future listens. Or if you happen to have 14 hours to spare... click & enjoy!
Quanto mais ouço música e fico velho mais encontro razões para gostar do passado. Pondo de parte discussões sbore Heráclito e o eterno retorno, o presente avança por circumvoluções, cada tentáculo de tempo buscando uma direção. O tempo unidirecional é um mito que só percebemos quando já temos muito pouco tempo; ou quando substancias psicotrópicas nos alteram o raciocínio linear. A convenção "tempo" torna-se visível como uma das linhas possíveis, não a única.
Vem isto a propósito dos sucessivos flashbacks de música feita há 40 ou 50 anos, que emergem regularmente e parecem suscitar um interesse raro. O que havia de diferente nessa altura que se torna tão interesante hoje e que atrai novos ouvintes? O mesmo que torna Bach um músico venerado hoje... apesar de a sua obra ter trezentos anos...Qual será a música de hoje que se ouvirá daqui a trezentos anos? Beyoncé? Justin Bieber? Madonna? Não me parece...
O mais provável é que se ouça Gershwin, Burt Bacharach, Ennio Morricone, Prokoviev, King Crimson, Gentle Giant... A qualidade da composição, a criatividade e a beleza da mesma hão-de sempre prevalecer. I may be wrong... o tempo devora ícones e promove outros... Mas alguns são perenes.
Enquanto o tempo não se torna tão cruel com o presente, olhar para trás dá-nos a dimensão em grande plano do nosso lugar na paisagem. A "Prog" dedica-se a um fenómeno específico, o chamado "rock progressivo", e curiosamente vende número após número com os nomes de há 40 anos, e, embora o género borbulhe de vitalidade hoje em dia, não são os nomes atuais que fazem a capa (raras exceções há, como Steven Wilson). Dirão que é porque são os cinquentões e sessentões que têm dinheiro para pagar os 12€ que custa a revista em Portugal. Certo, é verdade, mas não é só. Há uma coerência e um sentido de risco que se encontra na musica dessa época que se perdeu.
De uma forma muito simplista, o rock é um fenómeno americano, que vendeu muito bem, até que um punhado de ingleses decidiu afirmar que há muitas influências europeias, das músicas populares europeias ou das música orientais tão ao mais válidas que o blues. Heresia e trambolhão, exultação orgiástica e muitas sinfonias rock depois, o povo cansa-se e quer é o músculo operário dos rapazes que dizem que não sabem tocar e que querem é protestar contra a pobreza que a crise do petróleo lhes trouxe nos anos setenta. Anarchy in the UK. A que se seguem rapazes e raparigas, em gradações indistintas, para quem o baton é deus e o sintetizador liberdade. E volta-se a um novo ciclo de simplicidade, que apenas recentemente parece dar sinais de superação. Sufjan Stevens e Owen Pallet não são rock'n'rollers de três acordes; não andam a dourar uma pílula sorridente de "nuclear não obrigado" e muita força no refrão.
As gerações mudam, mas assim como o pendor simplista ganha visibilidade de forma cíclica (e note-se que produz continuamente música admirável; alguns dos meus all time favorites têm três acordes), a busca de intensidade na musica também.
Parentesis para explicar este último parágrafo. Assumo como pré-conceito que a intensidade precisa de alguma complexidade, ou pelo menos de veracidade, para se exprimir. Assim como raparigas muito atraentes se tornam irritantes passado meia hora e esquecemo-las ao ponto de não lhes recordar o nome duas semanas depois, outras perduram nos sonhos anos depois, mesmo se não inteiramente canónicas na sua beleza, mas devido à sua singularidade e presença; o mesmo se passa com a música. O mistério vem da complexidade, o encantamento da mistério e da memória dele. Recordamos as experiências sensorias intensas, não necessariamente as mais belas. Ora, recriar o mistério em música é saber ao alcance de poucos, e exige mestria e domínio da técnica. Mas não só: exige imaginação e exige entrega. Exige verdade e exige capacidade.
Tivemos a sorte de viver alguns anos no século passado em que a música era entendida como arte e não como mero negócio. Pelo menos houve a possibilidade de uma parte significativa dos atores se preocupar mais com a musica do que com o dinheiro. As ideias fluiam. Como diz um dos músicos da banda de que hoje se fala aqui. "we had no limits".
Quanto se pode criar, sem limites? Muito... ou pouco. Se as bases forem magras, se as influencias forem os três acordes, muito pouco. Mas se a mente estiver excitada pelo música, pela pintura, pelo teatro, pela natureza, pela história, pela literatura, ou por indutores químicos, muitíssimo. E assim, durante uns anos, a música foi frequentemente uma forma de arte, na sua vertente de fusão de influencias e de exploração das representações menos óbvias da mente.
A edição da "Prog" de Março homeageia uma das bandas que mais desbravou os limites da consciência e que foi absolutamente fundamental (a par com os Beatles de Sgt. Peppers e os King Crimson the In the Court), para criar as bases do chamado "rock progressivo". Os Moody Blues, após o desgaste de serem uma banda modelada no blues, enganaram a editora e usaram as horas de estúdio para gravar as suas próprias composições, com a ajuda de Peter Knight que fez os arranjos para a London Symphony Orchestra. Seria isto possível hoje em dia? Enganar a editora e usar os seus recursos sem ser processado? Felizmente a Decca, sobretudo por imposição dos americanos, decidiu avançar com a edição de "Days of Future Passed", e 1967
Curiosamente, os Moodys foram vistos sempre como os meninos bem comportados, mas a investigação a fundo da Prog vem revelar as facetas mais rock'n'roll: os aviões, as groupies, os ácidos... Afinal, este grupo vendeu até hoje 60 milhões de discos... o dinheiro entrava a rodos e a cornucópia dos prazeres logo de seguida. Mas até à última obra da linhagem "clássica", Seventh Sojourn de 1972, a obra é irrepreensível e mesmo os três discos seguintes (Caught Live +5, Octave e Long Distance Voyager), têm muito bons temas. Eles levavam-se a sério, condição essencial para levar a sério os seus ouvintes.
Recomendo sem reservas aos apaixonados de música que comprem e leiam a Prog deste mês e que (re)visitem a obra dos Moody Blues. De espírito aberto, como eles a fizeram. E sentem-se para ouvir. Para os elevadores, trabalho e ginásio há outras coisas...
E não resisto a uma anedota final: no final do mês, de 20 a 25 de Março, estão todos convidados para um cruzeiro nas Caraíbas com os Moody Blues e amigos, juntamente com vários músicos convidados, como Greg Lake, The Strawbs e outros. Uma companhia de cruzeiros achou que havia mercado para ter os fãs a bordo num... cruzeiro da saudade? It's the Love Boat, ah! http://moodiescruise.com/
Ao minuto 33:10, uma versão de Nights in White Satin ao vivo com orquestra no Royal Albert Hall
Em risco de perder os poucos fiéis que ainda vêm a esta paróquia, confesso mais um soft spot, um guilty pleasure, se quiserem.
Algumas pessoas dizem que eu tenho um fraquinho por cantoras - e há fraquinhos piores, parece-me... - e é verdade que uma bela voz feminina é capaz de me tirar do sério. Vide Carla Bruni, por exemplo.
Isto a propósito de uma cara conhecida com que me cruzei em vinil - a one time shot Beverley Craven, que vendeu mais de um milhão de discos do seu álbum de estreia nos noventa e quase mais nada fez.
O seu êxito mais conhecido, que ainda passa ocasionalmente em tardes de sopeiras da Rádio Moliceiro FM, é "Promise Me". Que eu acho um belo tema; mas do mesmo disco inicial é este "I listen to the rain" que eu prefiro.Mais dramático, mais emocionante. Eu acho que há muito de Kate Bush na forma como canta, embora as suas composições sejam mais redondas e doces.
Ainda fez um segundo disco, "Love Scenes", bastante próximo do primeiro, mas com muito menos impacto, e publicou um terceiro ainda nos 90 "Mixed Emotions", e um quarto em 2009, mas sem qualquer repercussão.
Faz 50 anos este ano e nasceu no Sri Lanka, daí talvez esta beleza exótica, que se parece por vezes à de Sade Adu. Poderia ter sido uma Norah Jones avant la lettre...
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Sim. Simone. A brasileira. Numa das obras mais excelentes da tão menosprezada musica brasileira: "O Grande Circo Místico", by Edu Lobo e Chico Buarque. WTF os preconceitos.
A portuguesa Carminho tentou também, mas parece que está com contorções dolorosas. É muito diferente, e o fado não é o samba e quando tenta fica triste.
Deutsche Elektronische Musik 2: Experimental German Rock and Electronic Musik 1971-83
A Soul Jazz Records, muito atenta editora londrina, tem dedicado alguma atenção ao krautrock, entre uma miríade de outros estilos, desde a mais deep dance aos ritmos africanos da Nigéria nos anos 70. Vale mesmo a pena visitar a loja deles no Soho, onde vendem edições próprias e alheias selecionadas e perder umas horas a ouvir sons novos e a deixar-se fascinar pela diversidade musical.
Sai agora o 2º volume da Deutsche Elektronische Musik, englobada nesse fenómeno cultural que eclodiu na Alemanha livre dos finais dos anos 60 e boa parte dos anos 70 chamado Krautrock. IMHO, trata-se do bloco de música mais radicalmente inovador produzido nos países ocidentais, pela criação de música sem amarras a rótulos nem estilos, embora bebendo neles. Espero com ansiedade a degustação destes bonbons musicais. Enquanto não chegam, aqui ficam os ingredientes. Posso atestar pela sua frescura, porque conheço grande parte deles.
Um tema de David Wilcox, songwriter americano venerado, chamado no original "Chet Baker's Unsang Swan Song". Numa versão incomparável de KD Lang, no seu melhor álbum, "Drag". "My Old Addiction", um velho vício...
Confesso que tenho um fraquinho por esta mulher, embora saiba que ela nunca gostará de mim, pelas suas razões muito pessoais :) Nunca a imaginei a cantar o I Will Survive, mas pensando bem, faz todo o sentido!
Canadiana, voz portentosa e um feeling muito grande: eis kd Lang.