13 agosto 2016

PERCURSO ALTERNATIVO DE VERÃO

Hoje pus-me a pensar qual poderia ser o percurso musical alternativo de Verão, sem passar pela musica ambiente de esplanada e fazendo slalom entre a pimbalhada sonora que grita e agita sem razão as ondas de ar estival. Uma banda sonora para o verdadeiro, profundo Verão. E então surgiu esta sequência, preparada para ser desfiada enquanto o cidadão se senta numa cadeira, caipirinha na mão, e olha o azul do mar.









23 maio 2016

Matte Kudasai: versão alternativa

Versão alternativa do single de Discipline, dos King Crimson, com mais trabalho de sustain de Fripp. Deve ser o único caso em que acho que é Fripp a mais, porque o original tem uma leveza e suspensão que esta versão perde. Boa escolha da produção para o disco original, portanto...



31 março 2016

Don't Worry, I've got it covered 2015 (chouriço nº1)

Queridos Peruanos,

O ano de 2015 demorou a digerir (como todos os anos), mas depois de algum tempo de repouso para deixar o pó levantar, começa a surgir matéria sólida. Matéria que foi transformada em embutido tradicional, embalada e pronta a consumir, sob a forma de Chouriço #1. Este produto de fumeiro contém versões. Ou, numa exceção (de acordo com a grafia modernizada), reedições.  Eis, portanto, o chouriço nº1: Don't worry, I've got it covered 2015, by DJ Porkka, o vosso DJ não dançante de serviço.

A seu tempo sairão outros chouriços, assim o Porkka esteja para aí virado.

http://ul.to/1t69xfna

Listagem dos produtos utilizados:
(nenhum animal foi molestado durante a concepção e produção deste enlatado e todos os samples se destinam ao consumo moderado e civilizado, com vista à compra dos originais).

Encriptado com 7 zip

01. Jono McClery - Age of Self  (cover de Robert Wyatt)
02. The Arcs - Stay In My Corner (cover de The Dells)
03. Duane Eddy - Peter Gunn (cover de Henry Mancini)
04. The Surfaris - Apache (cover de The Shadows)
05. The Unthanks - Sexy Sadie (cover de The Beatles)
06. Diana Krall - I'm Not in Love (cover de 10cc)
07. Diana Krall - Alone Again (Naturally) (cover de Gilbert O'Sullivan)
08. Crippled Black Phoenix - Echoes Pt.1 (cover de Pink Floyd)
09. Esben and the Witch - Planet Caravan (cover the Black Sabbath)
10. Kurt Vile - Pretty Boy (cover de Randy Newman)
11. The Unthanks - AlifibAlifie (cover de Robert Wyatt)
12- Crippled Black Phoenix - Echoes Pt. 2 (cover de Pink Floyd)
13.Kurt Vile & Steve Gunn - 60/40 (cover de Nico)

09 fevereiro 2016

Jon Lord, Ashton, Gardner & Dyke - The Last Rebel - 1971 Soundtrack

Jon Lord, dos Deep Purple/ Whitesnake é um dos autores desta banda sonora de um filme esquecido (parece que justamente...) saído em 1971. Uma curiosidade e uma peça de época...

12 janeiro 2016

Um Bowie por dia nem sabe o bem que lhe fazia

Durante o mês (espero), haverá aqui Bowie, do menos óbvio, do que não sai no Greatest Hits, mas também desse. É (quase) tudo bom

27 dezembro 2015

Peace dos King Crimson tocado na tournée atual

Musica de Natal...da boa

Os King Crimson, no tour atual, tocaram este tema de 1970, do álbum "In the Wake of Poseidon"

25 setembro 2015

The Best

Agora percebi porque é que tantos nomes consagrados do indie, do alt.folk. do folk começaram a lançar discos em catadupa: Setembro vai sair em Outubro (e Novembro) nas revistas da especialidade e está na altura de elas começarem a escolher os melhores do ano. Sucks.

14 setembro 2015

19 agosto 2015

O que liga os Supertramp aos King Crimson: Robert Palmer-James

Robert Palmer-James é mais uma das figuras quase desconhecidas, caídos no esquecimento apesar de terem participado em alguns dos grandes trabalhos dos anos 70 que conhecemos e de ter trabalhado em Música continuamente desde essa altura…

Compositor, guitarrista e sobretudo letrista, RPJ fez parte do trio da primeira formação dos Supertramp,  inclusivamente é o responsável pela escolha do nome do grupo (a partir da obra do poeta William Henry Davies (1871-1940) The Autobiography of a Super-Tramp). Escolha discutível, pelo menos em Português… Este, a par com o menor "Indelibly Stampede", são os álbuns menos conhecido da banda, muito antes de eles ascenderam ao estrelato em Inglaterra com “Crime of the Century” e antes do sucesso retumbante de “Breakfast in America” de 1979. De escrita menos sinfónica, com temas mais directos e mais excursões instrumentais, é, mesmo assim, um álbum com momentos interessantes e que vale a pena ouvir.




Amigo desde sempre de John Wetton, foi ele quem escreveu as letras dos King Crimson após os primeiros álbuns, da responsabilidade Peter Sinfield –Larks' Tongues in Aspic”, “Starless and Bible Black” e “Red”. O trabalho terá sido mais uma “encomenda” do que propriamente uma participação na banda, considerando inclusivamente que RP-J já vivia na Alemanha na altura. Do ponto de vista dos temas, contrastou com o estilo mais lírico e enigmático de Sinfield. Curiosamente, a banda deu-lhe total liberdade artística para criar as letras. É dele um dos melhores temas de todo o progressivo, o emblemático “The Nightwatch”, sobre a vida de Rembrandt e que é um pequeno e magnífco trabalho de miniatura sobre a Holanda do Séc. XVII – um tema que certamente poucas vezes se pensaria ver tratado por uma banda de rock. Este tema, assim como “Lament”, foi escrito antes dos King Crimson.  Outros temas imediatamente associados com “clássicos” dos Crimson escritos por ele são “Book of Saturday” e “Starless”, por exemplo.






RP-J ainda vive em Munich, onde tem feito parte de vários projetos musicais (incluindo o da banda... Munich) e esteve muito ativo nos anos 80, compondo centenas de letras para temas de gente tao díspar como La Bionda, Gilbert Montagné, Mireille Mathieu, Patrick Duffy, Moti Special, Michael Cretu e Sandra. Hoje em dia dá concertos em bares com a sua banda.

Mais informação em:

14 junho 2015

What's Playing (Junho 2015)

Este CD dos Slapp Happy ao vivo no Japão em 2002 é não só o ultimo grito, melhor seria dito sussurro articulado, de Dagmar Krause & compinchas, como o ressuscitar de um projecto morto para outros Henry Cow e Art Bears posteriores e ainda um descarnar acústico de uma das bandas mais palidamente brilhantes que a modernidade britânica produziu. Naturalmente imprescindível.



A publicação de "Simple Songs" de Jim O'Rourke agorinha mesmo deveria enviar arrepios de prazer pela espinha  de quanto peixe sensível à música houvesse no Mar, não sendo assim eu cá estou a ouvi-lo. Este temporário compagnon de route dos Sonic Youth e dos Wilco e experimentador nato, japonês por adopção e espírito livre, acaba de publicar o primeiro álbum em 14 ou 15 anos, deliverando a versão contemporânea mais próxima do que é o verdaedeiro pop rock progressivo, num álbum que demorou cinco anos a fazer. Excelente texto na Uncut deste mês, em que ele revela que é Genesiano convicto, fase Lamb Lies down, assim como todos os outros músicos que tocaram no álbum.  Curiosamente, cita como outras influencias os 10cc e os primeiros álbuns de Peter Gabriel e tudo isso faz sentido, de forma pouco linear, mas faz. Os 10cc precisam de ser revisitados, digo para mim mesmo - isto para todos os que conseguirem passar por cima do preconceito enjoativo de I'm not in love - que é excelente mas é como a mayonese nos hamburgeres, é sempre demais.




E um tema puxa o outro, acabo nesse excelente disco que ele publicou em 1999, Eureka,  o seu trabalho mais acarinhado  -  muito mercê de Ghost Ship on a Storm  e este excepcional Prelude to 110 or 220 / Women of the World



Parêntesis para trazer à luz essas pinturas marcantes de Mimiyo Tomozawa em Eureka e Insignificance e que definem o álbum mais que o seu conteúdo - tanto que Jim refere que o primeiro não teria saído sem aquela capa. É muito japonês, é muito perverso e é muito penetrante.




E toda a estranheza será recompensada, pelo que desemboco nas alturas tibetanas e na contemplação mística dos Popol Vuh. por via do compositor e pianista / teclista Florian Fricke, num álbum saído há muito pouco pela sempre atenta Soul Jazz Records - Kailash.  Temas inéditos em piano solo (mas inspiradores de temas dos Popol Vuh), a banda sonora do filme de exploração mística do monte Kailash lugar sagrado dos Himalaias e o próprio filme compõem esta obra em três peças. A mais interessante parece ser, para já, a segunda, a banda sonora de Kailash. À falta do costumeiro link youtube, fica o site da editora, onde é possível ouvir samples.

http://www.souljazzrecords.co.uk/releases/?id=41244



O ano progride por vias ínvias, avançando e recuando, como sempre acontece com a evolução. Saudemos o tempo.

06 maio 2015

O toque

Dizem que a música é imaterial; que não se prende a suportes. Que já não há cabeças magnéticas, como aquelas que liam as cassetes. Que a vida é feita de nuvens, que pairam, electrónicas, sobre as nossas cabeças desmagnetizadas. Que o contacto físico da agulha e da espira introduz sujidade; que um vírus maligno se apoderou das relações outrora inocentes.

E ainda acrescentam que tudo cabe numa mão, e se leva todo o lado. Acabaram com a ansiedade da espera, cada relação se concretiza de imediato e sem mistério, sem suspiros de antecipação nem gritos de prazer sonoro. É tudo comprimido, é tudo uma pílula que há que engolir e seguir, esperando nunca engravidar de sonhos.

E eu digo: pois é. A música sempre foi imaterial. A música sempre será imaterial e viverá onde tiver que viver. O que já não é o toque, o objecto, a obra de arte que se desvenda, o cheiro do papel, as fotos a uma cor de obras anunciadas no paper sleeve. Já não há a raridade: a raridade tornou-se uma relíquia.

Mas na realidade, quando tudo está disponível, nós é que podemos não estar disponíveis. E ficarmos raros (e feitos) de papel celofane ou seda selvagem e não nos apetecer ser trocados de faixa em faixa. Às vezes pode apetecer-nos sentar e ficar a ouvir o fio de Ariadne que entra no labirinto. E até fechar os olhos – lá está, desmaterializar-nos.

Portanto, decido: eu não gosto de objectos. Eu gosto é de arte. E a música tem ficado mais pobre de arte.