31 julho 2009

O Velho Leonardo

Leonard Cohen de volta a Lisboa, um ano depois! Desta feita em local mais aproproiado, o Pavilhão Atlântico. O concerto ao ar livre do ano passado não é o mais adequado para a intimidade da sua música. Não há que enganar, do velho Senhor espera-se sempre requinte, sedução, um tempo impecável. Está feito um perfeito mestre de cerimónias, que sabe receber e sabe satisfazer o seu público. O alinhamento foi muito semelhante ao do ano passado, os músicos creio que exactamente os mesmos. Pergunta: vale a pena ver de novo o mesmo? Vale! Como espectáculo, é simples, mas muito eficaz. O encadeamento das canções tem uma lógica, com piscares de olho ao público, como cantar, já no 3º encore, "I tried to leave you"... Os músicos, de excepção, embora não lhes seja exigido virtuosismo senão em doses diminutas. O melhor de tudo é mesmo Cohen, A Lenda, ouvir a sua voz inconfundivel, que flui sem esforço, ouvir as suas canções, que são únicas. Por mim dispensava, é verdade, algumas mais açucaradas, como o "Dance to the the end of love", que me fez não comprar o "Various Positions". Preferia a ironia de "New skin for the old Ceremony" ou o desepero de "Songs of Love and Hate". No entanto, é verdade que as arestas se arredondam, que os arranjos ganham mais doçura, mas em Cohen não é o arranjo que corta, são as palavras, e essas, continua a cantá-las com toda a intensidade. Vejam-se as fotos. Cohen agradece continuamente aos músicos, ao público, à equipa técnica. No fundo, agradece a dádiva de viver e o sucesso que tem. Pode ser que actue para ganhar a vida, mas nós a única coisa que releva é a foma intensa e sincera como o faz. Naturalmente que, se cá voltar para o ano, lá estarei outra vez...

Sem comentários:

Enviar um comentário