13 abril 2011

O que vale um preconceito?

Hoje comprei uma edição alemã, da editora Metronome, do segundo disco de Elton John, chamado, muito apropriadamente, "Elton John". Um vinil em segunda mão, pelo menos, entenda-se. Mas em muito razoável estado para um disco de 1970.

Há uns anos esta seria uma confissão embaraçosa. Elton John tem aquela carapaça pop fácil e um brilhozinho gay que se lhe cola de forma risível. WTF. Hoje, estou-me a desfazer em papelinhos de confetti e alguns pózinhos avulsos para essas considerações. A idade tira-nos algumas coisas, mas dá-nos discernimento para distinguir o bom do mau e não nos deixar cair em armadilhas fáceis.

Portanto, é com prazer que digo que este é um grande disco, que não envergonha um "Let it Be" que saiu no mesmo ano. Aliás, é mesmo um grandessíssimo disco, com uma joie de vivre e por vezes um mal a l'aise desajustados de jovens tão imberbes como estes. Curiosamente, dezasseis anos depois, se a memória não me falha, no concerto da Australia, EJ foi buscar pelo menos metade deste disco. A composição é grande, a lírica ao melhor do que Bernie Taupin alguma fez, a orquestração fantástica. A voz de Elton John é a de um jovem - no ponto de criar uma obra que haveria de definir o resto da sua vida.

"Your Song", "I need you to turn to", "Take me to the Pilot", "Sixty Years on", "Border Song", "The King must die", são alguns dos temas.

Reparem na capa - um jovem que sai do escuro, com óculos que Woody allen teria comprado em segunda mão, ar triste, cabisbaixo, as sombras marcando uma idade que não tem.

No mesmo ano os Supertramp publicaram o seu esquecido "Supertramp", aquele que tinha um homem dentro de uma rosa. Uma obra inaugural.

Há alguns momento em que se sente que se está a entrar em território virgem - o Homem tinha chegado à Lua há poucos meses e o firmamente tinha-se concretizado numa realização e aberto em múltiplas possibilidades.

São estes momentos que definem dobras no tempo - fendas, como dizia Roland Barthes - que nos permitem passar entre dimensões. Mas aqui já estou a falar de ficção científica, de obras contemporâneas de Philip K. Dick e outras alucinações que não têm a ver com isto. Ou têm?

1 comentário:

  1. Elton John é indiscutivelmente umas das figuras mais importantes e carismáticas da música popular de qualidade que se tem feito nos últimos 50 anos. Os álbuns “Goodbye Yellow Brick Road” e “Captain Fantastic and the Brown Dirt Cowboy”, de 1973 e 1975, respectivamente, são excelentes exemplos da genialidade criativa do compositor.

    Excelente música (da melhor que se fez na década de 70) que recomendo vivamente a quem, por pura ignorância, se deixe cair na tentação da detracção gratuita!

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