Agora que está por aí a aparecer a sua nova experiência (a qual, ocasionalmente, inclui um CD), "Biophilia", parece-me lógico voltar onde tudo começou - ao momento em que Björk deixou de querer ser uma artista pop para ser só uma artista.
Note-se: ela sempre foi excelente. E é uma das poucas artistas (e não estou a escolher as artes em que eu a qualifico com este grau superlativo absoluto), a deixar permanentemente marca, a sua marca, independentemente do meio escolhido. O seu primeiro álbum já é um primor (trocadilho entre primeiro e amor...). "Venus as a boy" deveria ser administrado intra-uterinamente às gerações futuras, para fixar de vez o bom gosto na espécie humana.
Bom... esse momento foi quando Björk foi actriz em "Dancer in the Dark", de Lars Von Trier, e compositora da banda sonora ("Selma Songs"). No filme, um dos momentos sublimes é a negação do mundo pela quase-cega, dizendo que já viu tudo o que tinha a ver.
Título muito revelador, este "Dancer in the dark". Mesmo para quem vive no escuro é possível dançar. Ou sobretudo para quem vive no escuro?
Desafio qualquer alma (excepto, naturalmente, alguns que conheço, sem alma), a ver este filme sem se comover.
Este Selma Songs foi sucedido no mesmo ano (2000) pelo belíssimo "Vespertine", que permanecerá para mim sempre enredado numa teia subterrânea de sonhos. Há dez anos atrás, costumava ouvi-lo antes de adormecer e em não poucas noites foi o som da minha insónia.
Poderá a perfuração de um mamilo ser um momento de poesia? Sim, se for poesia pagã. Sim, se a poetisa for Björk.
Muito bom. Tudo muito bom. O filme, a música, Vespertine, Lars von Trier... E a ideia da administração intra-uterina para conservar o bom gosto é também muito boa.
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