Atenção que os meninos vêem cá a 3 de Fevereiro (Sá da Bandeira, Porto) e 4 de Fevereiro (Aula Magna, Lisboa).
Adianto já que não é o melhor disco dos dEUS. O melhor é a obra completa. Aliás, eles não podem estar sempre a fazer o melhor. Já vi umas classificações fatelas a dar-lhes duas e três estrelas (provavelmente “críticos” que deram 5* aos Fleet Foxes…), mas não lhes liguem. Os dEUS são uma reserva estratégica da Bélgica, a par com a cerveja com o mesmo nome (e algumas outras), os chocolates e a cidade de Bruges. Ou mellhor, são uma reserva estratégica do Continente contra a hegemonia inglesa. Fazem do melhor rock que já se ouviu deste lado do Canal da Mancha.
E o disco é bom. A “keep you close” da abertura é fantástica, mesmo; “the final blast”, que lhe segue, é fantástica também. A terceira, “dark sets in”, remete mais para os deus mais antigos, os de “In bar, under the sea”. “Twice (We survive)” é gospel, com alguns toques de Spiritualized na maneira estática como o tema progride. “Constant now” ensaia um tema mais pop, de melodia alinhavada a piano, quase próximo do hip hop, mas que não soa nada a essa coisa. E por aí fora…

Estes iconoclastas deslumbradas pela anti-imagem do divino ganharam uma serenidade melódica soberba desde “The Ideal Crash”. Na realidade, estamos a falar sobretudo do seu líder Tom Baarman (que fez também um perturbante e muito recomendável filme, “Anyway the Wind blows”).
Se é certo que os dEUS já não são a banda disruptiva que nos deu pérolas alternativas como Suds’n’Soda ou For the Roses, não se tornaram, for sure, bundões alinhados ou coisa parecida. A sua consistência estilística é notável e desde 1994 editaram apenas 7 trabalhos, mas cada um deles merece ser ouvido com atenção. Não há mandioquinha para encher buracos na sua obra. Ouçam… e cheguem mais perto de deus.

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