Venho hoje aqui ao Peru prestar homenagem a um dos exemplos
mais impressionantes e marcantes do denominado rock progressivo: o álbum “Pawn
Hearts” dos Van Der Graaf Generator, banda pouco conhecida e certamente das
mais incompreendidas…
Vale a pena conhecer este quarto álbum dos Van Der Graaf
Generator, que considero ser a obra-prima da banda. Composto por três partes – “Lemmings
(including Cog)”, “Man-Erg” e “A Plague of Lighthouse Keepers” – , conta-nos
momentos de prenúncio e desastre, de introspeção e esperança, por via de uma
linguagem musical verdadeiramente inebriante e vertiginosa.
Uma linguagem feita de explosões e de silêncios que brotam dos
incríveis e caóticos saxofones de David Jackson, da ubíqua e poderosa voz de Peter
Hammill, da guitarra sombria e envolvente de Robert Fripp; do piano acústico
(Hugh Banton), irrompem sons opressivos mas também de alívio e serenidade, que
resultam da dissonância feroz e do cálido conforto da sua resolução. As síncopes
e as paragens instantâneas de uma bateria (Guy Evans) intrépida mas
simultaneamente delicada e voluptuosa, são os alicerces poderosos de toda esta espantosa
simetria de contrações espasmódicas e alívio de tensões!
É impraticável falar do Pawn Hearts e dos seus efeitos… trata-se de uma obra poderosíssima e verdadeiramente
inebriante que transporta o herói ouvinte ao longo de uma vertiginosa viagem, cujo
último estágio é a purificação!
Aviso importante: não ouçam este álbum em CD! Pura e
simplesmente não resulta (acaba por funcionar como bom exemplo das limitações
deste formato) … mais vale ir à loja dos discos pretos em segunda mão e comprar
um exemplar (encontra-se com relativa facilidade), ainda que contenha algum
ruído (maleita que normalmente se trata com uma boa limpeza, na ausência de outros
danos).

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