16 julho 2012

The killer lives inside me: I can feel him move...



Venho hoje aqui ao Peru prestar homenagem a um dos exemplos mais impressionantes e marcantes do denominado rock progressivo: o álbum “Pawn Hearts” dos Van Der Graaf Generator, banda pouco conhecida e certamente das mais incompreendidas…
Vale a pena conhecer este quarto álbum dos Van Der Graaf Generator, que considero ser a obra-prima da banda. Composto por três partes – “Lemmings (including Cog)”, “Man-Erg” e “A Plague of Lighthouse Keepers” – , conta-nos momentos de prenúncio e desastre, de introspeção e esperança, por via de uma linguagem musical verdadeiramente inebriante e vertiginosa.  
Uma linguagem feita de explosões e de silêncios que brotam dos incríveis e caóticos saxofones de David Jackson, da ubíqua e poderosa voz de Peter Hammill, da guitarra sombria e envolvente de Robert Fripp; do piano acústico (Hugh Banton), irrompem sons opressivos mas também de alívio e serenidade, que resultam da dissonância feroz e do cálido conforto da sua resolução. As síncopes e as paragens instantâneas de uma bateria (Guy Evans) intrépida mas simultaneamente delicada e voluptuosa, são os alicerces poderosos de toda esta espantosa simetria de contrações espasmódicas e alívio de tensões!
É impraticável falar do Pawn Hearts e dos seus efeitos…  trata-se de uma obra poderosíssima e verdadeiramente inebriante que transporta o herói ouvinte ao longo de uma vertiginosa viagem, cujo último estágio é a purificação!
Aviso importante: não ouçam este álbum em CD! Pura e simplesmente não resulta (acaba por funcionar como bom exemplo das limitações deste formato) … mais vale ir à loja dos discos pretos em segunda mão e comprar um exemplar (encontra-se com relativa facilidade), ainda que contenha algum ruído (maleita que normalmente se trata com uma boa limpeza, na ausência de outros danos).   


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