10 fevereiro 2010

Cuidado com o Grizzly Bear

A contrastar com a pobreza do ano de 2008, que se caracterizou mais pela sua vigorosa actividade reeditora do que pela criatividade (valha-nos o benefício de podermos começar a ouvir, em formato digital, as velhas músicas com alguma qualidade…), o 2009 acabou por se revelar um ano verdadeiramente extraordinário no que respeita a produção de música, sobretudo no contexto da denominada Indie Pop-Rock americana. Como mais um exemplo a juntar aos notáveis Dirty Projectors, Saint Vincent, Arcade Fire, Yo La Tengo, Bon Iver e ao incrível Sufjan Stevens, entre outros igualmente bons, temos os Grizzly Bear e o seu último álbum, Veckatimest, oficialmente publicado em Maio de 2009. Ao nível do melhor que se tem feito nos últimos anos, trata-se de uma música que consegue ser simultaneamente acessível, complexa, experimentalista e harmoniosa. No primeiro contacto que se tem com o álbum fica-se com a ideia de que se ouviu um conjunto de belas canções, cada uma com a sua própria identidade, mas também fica a sensação de que se ouviu uma obra musical única, de grande magnitude e complexidade, repleta de singularidades ambientais, indivisível – das que nos impedem de ouvir um outro disco nos minutos seguintes à audição! Os coros harmoniosos mas simultaneamente arrebatados dos Grizzly Bear surgem, neste álbum, intensos, inebriantes e alicerçados num denso emaranhado harmónico de onde sobressaem tramas complexas de grande beleza, pontualmente trespassadas por toadas enérgicas, percussões, solos e acordes de guitarra! É um álbum denso, poderoso e épico, mas simultaneamente fluido, atmosférico e delicado, que nos inspira e nos deixa verdadeiramente saciados… até à exaustão! Grande música, meus caros melómanos! Um dos melhores de 2009? Ou um dos melhores da década? Vale bem a pena adquirir este incrível Veckatimest e também ver e ouvir ao vivo estes jovens Nova-iorquinos nos dias 26 e 27 de Maio em Lisboa e no Porto, respectivamente.

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