Primeiro, quem são os Faust, perguntará o juvenil leitor. São uma das bandas míticas do krautrock, foram mesmo eles quem cunhou a expressão "krautrock" e normalmente são apontados como disputando o título de melhor banda com os Can. São também associados com o adjectivo "precursor". A este adjectivo oponho a minha reticência, porque os Faust não foram precursores de outras bandas, nem de estilos. Eles têm o seu estilo, que é diferente de todos os outros e, se há bandas que taqmbém seguiram nesta senda de liberdade radical e descomprometida de rótulos e generos, cada um tem a sua, ou pelo menos nenhuma é como a deles.
A sua produção é irregular desde os anos 70, nos quais publicaram 4 álbuns. Não publicavam desde meados dos anos 90. Em 2009 lançaram este "C'est com... com... compliqué".
Primeiras impressões: é Faust. É boa música. Continuam a não soar como outros. Nesta época em que cada vez menos é necessário usar de substantivos e adjectivos, uma vez que as imagens estão à mão de semear, dir-se-á que é pouco importante descrever a sua música. Cada um poderá ir a um qualquer youtube e apreciar por si mesmo. Mas não deixa de ser importante motivar e levar a que essa busca se faça - neste tempo de excesso de informação facilmente se descarta mais uma referência. Por isso, em três ou quatro palavras, ou mesmo mais, a música dos Faust, e esta em particular é: planante, progressiva, rítmica, hipnótica, gutural, instrumental, sem forma classica, normalmente não muito complexa, exótica, por vezes bizarra, inovadora. É uma surpresa, que agradará aos mais aventureiros, aos mais abstractos, aos alternativos que não se limitam a umas bandas com guitarras ácidas e maus vocais.
É com... com... complicado explicar. É melhor ouvirem.

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