(deixo propositadamente algumas linhas para que cada um possa fazer uma reflexão pessoal).
Caem-me de repente os ouvidos sobre uma obra de Al Di Meola de 2006, de seu título"Vocal Rendez-vous".
Vários pensamentos me ocorrem sobre tão descritivo título. Deixo, para ilustração popular, alguns: "Os americanos sabem o que é um rendez-vous? E dar-lhe-ão algum sentido além do imediatamente apreensível, i.e, um encontro, quiçá cibernético?"; "Um encontro vocal pode ser algo de excitante, musicalmente?"; e, mais prosaicamente "Alguém foi despedido por causa deste título?"
Como não há informação disponível que me permita escrutinar (e este é um belo verbo), mais densamente o significativo de tão pronunciado significante, nada me resta senão seguir adiante e esperar que o material musical, afinal a razão pela qual alguns de nós se aventuram nesta densa floresta de significados (obscuros), e símbolos (enganadores), justifique tão aparente decepção.Eis-nos na caverna do leão. Ou, melhor dizendo, na caverna bucal.
Entra-se a medo.
Em 1999 Santana descarregou sobre nós o seu "Supernatural" e desde aí o seu renascer, prodigiosamente apoiado em luminárias da modernidade obscura, continuou a revelar-se bastamente, como em "Shaman" e "All that I am". Era necessário? Alguma outra revolução cósmica se completou com o dedilhar do seu segredo? Que os vários deuses me perdoem, mas o homem que orgulhosamente ostentou outrora a marca sagrada de Devadip não precisava de ter ido tão longe na penitência dos seus pecados. Resultaram alguns grandes temas; algumas parcerias foram inusitadas e vencedoras, como a de Pavarotti, Eric Clapton e a de Wayne Shorter, mas a sua via já era conhecida, bem traçada e apreciada. Quem ouviu "Caravanserai" em 1972 já não se contenta com uma qualquer Lauryn Hill ou um qualquer Eagle Eye Cherry, por muito cativantes que sejam as suas melopeias R'n'B contemporâneas.
Contudo, o que Meola faz sete anos mais tarde é mais ou menos o mesmo; só que pior. Lá está o mesmo guitarrismo fácil para as massas, a facilidade, que nele é de pacote, de "épater le bourgeois". As parcerias orelhudas, com Macy Gray, Angie Stone, No Mercy e mais uns tipos que nem sei quem são, mas, à época, deveriam ter o seu nome inscrito em qualquer Top +. Para quê, Al? Tinhas que pagar algum divóricio? Estavas roído pelos milhões do Carlos? Querias provar que não eras um musico só erudito? Querias chegar às novas gerações? Para quê, pá?
Demorei uns anos, mas agora te digo Al: não valia a pena incomodares-te. Vamos fazer uma coisa: apagamos isto da tua discografia e eu prometo que de ti só conheço o "Racing with the Devil on a Spanish Highway". Vale? Hum? Ok, vai lá telefonar ao Paco de Lucia para fazerem mais um dueto e vê lá se largas os discos da tua filha, ok?
Ai, ai...
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