Para mim, que comecei a ouvir música seriamente nos anos 80 (mas não música "dos anos 80"), a ECM é uma editora de culto. Mesmo em Portugal, um pobre leigo que se aventurasse um pouco fora do formato mais mainstream do rock, facilmente se deparava nas discotecas (enfim, nas boas), com as belíssimas capas dos discos da ECM, de nomes que sonhavam algo estranhos para adolescentes imberbes, habituados a grandes produções anglo-saxónicas: Keith Jarrett, Jan Garbarek, Ralph Towner, Chick Corea, Gary Burton, John Abercrombie, Egberto Gismonti, Pat Metheny, Eberhard Weber, Dave Holland, Terje Rypdal... Nomes que íamos descobrindo em espiras espaçosas, discos de boa prensagem, design clean... e um som que muito justamente ficou conhecido como som ECM. Límpido, aéreo, com reverb... o som de Manfred Eicher, o (agora) lendário produtor (exclusivo?) dos discos da ECM. Alíás, o seu fundador.
Que belo trabalho, fazer uma etiqueta, uma editora, uma imagem exclusiva, lançar (ou re-inventar), tantos nomes consagrados, e dar-lhes um som único... Um trabalho de paixão, "labour of love", que só ele garante a elevação além da rotina.
O som da ECM ficou conhecido como "o mais belo som depois do silêncio".
Os anos 90 trouxeram umas new series mais a pender para a música contemporânea, mas confesso que lhes perdi um bocado o rasto, perdido nos seus sons e perdido em outros sons. Contudo... que prazer volta e meia descobrir outro disco, conhecido ou não, da ECM! A sua série "Master Series" (creio que não se chama assim...), em que reedita grandes álbuns remasterizados em edição de cartão a preço reduzido é uma perdição. Mas são os vinis, com as suas capas grandes, com os seus desenhos, sombras, fotos solitárias, cores nítidas e vibrantes, as suas névoas, as suas árvores e nuvens constrastadas, que me fascinam em lojas de discos usados, em vislumbres ocasionais de paixões passadas, sempre tão presentes.
Se não faltar o fôlego, e a pena, alguns dos meus preferidos trarei ao compasso da escrita.
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