05 julho 2012

Wowie Zowie! The World of Progressive Music


Este é o nome de um álbum que comprei em deambulação pelos Camden Markets em Londres esta semana. Editado em 1969, faz parte daquele lote de discos de divulgação de nomes novos que as editoras agrupavam sob um determinado rótulo. Alguns deles, como os lançados pela Vertigo, tornaram-se álbuns muito relevantes em si próprios. No caso, este dedica-se a divulgar nomes de alguma forma ligados à editora Decca e que se enquadravam no rótulo "Progressive Music".

Um  rótulo difícil de definir, convenhamos. Mas ao qual não é difícil traçar uma origem. O álbum Sgt. Peppers, dos Beatles, foi a primeira pedra fundadora, com capacidade suficiente para suportar convenientemente todo um edifício futuro que veio a ser erigido sobre ela. Mas outros culpados podem ser chamados à pedra (so to speak): Days of Future Passed, o primeiro disco da segunda encarnação dos Moody Blues, The Piper at the Gates of Dawn, o 1º LP dos Pink Floyd, o primeiro disco dos Procol Harum (o de Whiter Shade of Pale), ou, na Costa Oeste dos EUA, o álbum Freak Out!, de Frank Zappa. Todos eles pais consentâneos de um fenómeno que dominou musicalmente o final dos anos 60 e a primeira metade dos anos 70 (a 1ª encarnação do prog).

Mas estas estorias levam-nos por um longo caminho... que tem vindo a ser contado no Perú através de alguns dos seus discos, e que continuará em muitos mais. Para já, detenhamo-nos neste que hoje ressuscitei de uma poeirenta existência numa loja  2 X 2 no Camden Lock Market. 43 minutes 32 seconds of Wowie Zowie, promete na capa. O que é uma forma de dizer: coisas novas, espanto, raio e corisco, bum! Na altura acreditava-se que se progredia, porque se deixava para trás um mundo antiquado e formal, e porque se criavam novas formas musicais. Fosse através do psicadelismo feroz dos Pink Floyd, ou suave dos Quicksilver Messenger Service, ou na fusão música clássica - pop rock dos Moody Blues, ou no orientalismo dos Beatles (que começou antes de Sgt. Pepper, em Revolver). Tudo cabia no rótulo alargado do progressivo. E particularmente no caso da Decca, que tinha fundado uma etiqueta especificamente para o género - a Deram - havia que rentabilizar um género alargando-o a obras que hoje, rigorosamente, não se enquadram no conceito.

Na verdade, na altura a editora ainda não tinha assim tantos nomes para encher o disco. Ouvindo os 10 temas deste LP encontramos expressões verdadeiramente progressivas, como "Down at Circes Place", dos Touch, "Communion", dos East of Eden, ou "In the Beginning", do primeiro álbum dos Genesis, mas também blues de John Mayall e Savoy Brown e jazz gentil do John Cameron Quartet em "Go Away, Come back another day". Novos caminhos,isso sim, obras muito interessantes, algumas totalmente ignoradas hoje em dia.

Pelo que, se um dia destes vos encontrardes caminhando pelo empedrado do Lock Market e derem de caras com uma pequena casa repleta de discos de vinil, peçam este Wowie Zowie (5 libras). Havia lá outro, podem trazer à confiança. Ah! Isto caso já tenham tirado o gira-discos do sotão e trocado a agulha, como deveriam, se prezam os vossos ouvidos!


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