The Avalanches, "Since I left you"
Este video é fenomenal. Inclusivamente ganhou um prémio.
31 março 2011
29 março 2011
Um tema por dia (29/03/2011)
dEUS, Instant Street
Gosto muito destes gajos belgas.
Dão sempre uma volta no tema que me agrada.
O que me começa em uma balada acaba em tempestade.
Esperem até ao fim do video (embora seja mais curto que o original)
Estou farto de dizer ao H., ele não acredita!
Gosto muito destes gajos belgas.
Dão sempre uma volta no tema que me agrada.
O que me começa em uma balada acaba em tempestade.
Esperem até ao fim do video (embora seja mais curto que o original)
Estou farto de dizer ao H., ele não acredita!
Um tema por dia (29/03/2011)
Ennio Morricone: Orient Express
Ok. Chamem-me piegas.
Escrito para uma série de televisão, este tema tem uma melodia extraordinária. Ou não fosse Ennio Morricone um dos maiores escritores sonoros do século que passou. Deixou a sua marca em centenas de filmes e tornou-os inesquecíveis: Once upon a time in the West; Cinema Paradiso; Once Upon a Time in America; The Mission, Lolita... A sua versatilidade, sentido melódico e imaginação melódica e rítimica não têm, para mim, paralelo, em nenhum outro compositor de bandas sonoras. Mas não apenas: a sua música transcende o cinema: cada peça sua vive no seu mundo, inventa um mundo e pode ser um cinema imaginário.
Ok. Chamem-me piegas.
Escrito para uma série de televisão, este tema tem uma melodia extraordinária. Ou não fosse Ennio Morricone um dos maiores escritores sonoros do século que passou. Deixou a sua marca em centenas de filmes e tornou-os inesquecíveis: Once upon a time in the West; Cinema Paradiso; Once Upon a Time in America; The Mission, Lolita... A sua versatilidade, sentido melódico e imaginação melódica e rítimica não têm, para mim, paralelo, em nenhum outro compositor de bandas sonoras. Mas não apenas: a sua música transcende o cinema: cada peça sua vive no seu mundo, inventa um mundo e pode ser um cinema imaginário.
27 março 2011
Um tema por dia (26/03/2011)
ROGER WATERS, MUSIC FROM THE BODY
(o tempo não é linear; este era para ter sido publicado ontem...)
Será que Roger Waters ainda se lembra de ter feito isto?
É uma colaboração com Ron Geesin, que orquestrou Atom Heart Mother.
Ah, os impagáveis anos 70...
Já não é possível este lo-fi assumido.
(o tempo não é linear; este era para ter sido publicado ontem...)
Será que Roger Waters ainda se lembra de ter feito isto?
É uma colaboração com Ron Geesin, que orquestrou Atom Heart Mother.
Ah, os impagáveis anos 70...
Já não é possível este lo-fi assumido.
Um tema por dia (27/03/2011)
Pink Floyd, um dos meus temas favoritos - Cymbaline. Saiu em 1969, no álbum More, banda sonora do filme do mesmo nome, de Barbet Schroeder. Esta gravação é de 1971, numa igreja na Europa. Este tema surrealista, cheio de imagens fantasmagóricas, remete-nos para o mundo dos sonhos, naturais ou artificiais, como se vê no filme.
E a mesma música, no filme.
E a mesma música, no filme.
25 março 2011
Wyatt: never comfortably numb
Uma versão diferente de Comfortably Numb... Robert Wyatt quase recita, para uma versão semi-acustica. Ver Wyatt é sempre uma emoção, pelo que este homem carrega de mito. Será um dos músicos mais respeitados do mundo, no entanto está numa cadeira de rodas e canta mal. É um homem bigger-than-life; a sua música é absolutamente real; o seu compromisso vertical. Por isso é tão adorado. Gilmour é contido, reverente, mas mostra, na versão curta dos solos, que é ele o criador: pequenas nuances, toques suaves e transforma-os em algo diferente, mais bluesy e gutsy.
24 março 2011
Um tema por dia (24/03/2011)
Ainda Sufjan Stevens...
Desta vez do mais recente "The Age of Adz": "Too Much"
Pura imagem-som-poesia, o video.
Desta vez do mais recente "The Age of Adz": "Too Much"
Pura imagem-som-poesia, o video.
Em complemento: Comfortably Numb em Lisboa
Vejam como os isqueiros foram subsituídos por écrans LCD das máquinas fotográficas.
Avisos
Isto são só avisos para os mais distraídos:
June Tabor publicou um novo álbum, sobre a relação com o mar, chamado "Ashore"
June Tabor é a voz de um Reino, unido: o dos que já a ouviram e não conseguem parar de a ouvir.
Marianne Faithfull, a namoradinha-sexy-de Mick-Jagger-há muitos-anos-atrás-tornada-diva-de-pleno-direito, publicou também "Horses and High Heels".
Tomem nota.
June Tabor publicou um novo álbum, sobre a relação com o mar, chamado "Ashore"
June Tabor é a voz de um Reino, unido: o dos que já a ouviram e não conseguem parar de a ouvir.
Marianne Faithfull, a namoradinha-sexy-de Mick-Jagger-há muitos-anos-atrás-tornada-diva-de-pleno-direito, publicou também "Horses and High Heels".
Tomem nota.
Lisboa do lado de cá do Muro
A iniciar a digressão europeia, Roger Waters deu ontem o segundo concerto no Pavilhão Atlântico, uma recriação do espectáculo (actualizado) de "The Wall", que fez 30 anos e que pela ultima vez foi encenado há 12. "Encenado" é o termo certo, porque não estivemos perante um concerto de rock, mas sim perante um espectáculo operático, uma peça em "n" actos que convocaram cada um deles imagens, sons, actores e figurantes.
Em termos de encenação, de espectáculo, de dimensão, nunca vi nada assim. O muro serve de tela a uma sucessão de imagens e ambientes. Visualmente, um assombro. A actualização do espectáculo, que recupera imagens da digressão de 81 e animações de Gerald Scarfe para o filme de Alan Parker, traz o tema da alienação para o presente, bem marcado no ênfase dado a frases como "Mother, should I trust the government", com a pateada subsequente da assistência, ou os sucessivos iQualquer-coisa, como iKill, que alertavam para as tentativas de distracção dos problemas reais e encaixavam na construção do muro (digital?) à volta do indivíduo. Se o Muro tinha um significado bem real em 1979 (o muro de Berlim estava de pedra e cal...), também é verdade que a ideologia de Waters evoluiu - nos anos 70, os PF foram contribuintes generosos do partido comunista inglês, e certamente que o ditador da história era um fascista hitleriano. Hoje em dia, Waters mistura todos os símbolos: capital, comunismo, estrelas de David, a lua e estrela árabes, e o símbolo da Shell... Hoje o alvo é o controlo, a sedação da inteligência, em todas as suas formas.
Espectáculo feito de fantasmas privados, é certo, das memórias da perda do pai na guerra, da mãe dominadora, do professor-fantoche, etc; mas tornados universais na construção do indivíduo longe de tudo e de todos, resguardado para se proteger, atrás do muro. Muro que o espectáculo construiu; consta que em resultado da própria necessidade de Waters isolar a sua banda a determinada altura, no final dos anos 70, para se alhear do público que vi neles fonte de entretenimento mas não de reflexão. Waters pensou numa banda que tocava por detrás de um muro; e esse muro transformou-se em metáfora do isolamento do indivíduo, e logo de seguida fez-se canção.
Muro que o espectáculo destruiu também, no final do julgamento, deixando a sombra indefesa de uma pessoa revelar-se. A apoteose da destruição do muro é de certa forma um grito de revolta, que curiosamente é ordenado pelo poder judicial como uma punição. É uma contradição que nunca entendi no enredo da obra, mas certamente a mente de RW é bem mais tortuosa que a minha...
Não caberá fazer a crítica dos executantes, naturalmente competentes. O único aspecto, grave, que merece reparo, é a própria acústica do Pavilhão Atlântico, que em determinados pontos da plateia pode arruinar completamente a experiência acústica. Eco, compressão, sons parasitas, são o que não se espera de uma sala nova e multimilinária. Não houve dinheiro para um projecto acústico decente? Inacreditável...
Um espectáculo inesquecível para quem lá esteve, e também muito certamente irrepetível. A única coisa que faltou foi mesmo a guitarra de Gilmour durante o solo de Comfortably Numb...
Em termos de encenação, de espectáculo, de dimensão, nunca vi nada assim. O muro serve de tela a uma sucessão de imagens e ambientes. Visualmente, um assombro. A actualização do espectáculo, que recupera imagens da digressão de 81 e animações de Gerald Scarfe para o filme de Alan Parker, traz o tema da alienação para o presente, bem marcado no ênfase dado a frases como "Mother, should I trust the government", com a pateada subsequente da assistência, ou os sucessivos iQualquer-coisa, como iKill, que alertavam para as tentativas de distracção dos problemas reais e encaixavam na construção do muro (digital?) à volta do indivíduo. Se o Muro tinha um significado bem real em 1979 (o muro de Berlim estava de pedra e cal...), também é verdade que a ideologia de Waters evoluiu - nos anos 70, os PF foram contribuintes generosos do partido comunista inglês, e certamente que o ditador da história era um fascista hitleriano. Hoje em dia, Waters mistura todos os símbolos: capital, comunismo, estrelas de David, a lua e estrela árabes, e o símbolo da Shell... Hoje o alvo é o controlo, a sedação da inteligência, em todas as suas formas.
Espectáculo feito de fantasmas privados, é certo, das memórias da perda do pai na guerra, da mãe dominadora, do professor-fantoche, etc; mas tornados universais na construção do indivíduo longe de tudo e de todos, resguardado para se proteger, atrás do muro. Muro que o espectáculo construiu; consta que em resultado da própria necessidade de Waters isolar a sua banda a determinada altura, no final dos anos 70, para se alhear do público que vi neles fonte de entretenimento mas não de reflexão. Waters pensou numa banda que tocava por detrás de um muro; e esse muro transformou-se em metáfora do isolamento do indivíduo, e logo de seguida fez-se canção.
Muro que o espectáculo destruiu também, no final do julgamento, deixando a sombra indefesa de uma pessoa revelar-se. A apoteose da destruição do muro é de certa forma um grito de revolta, que curiosamente é ordenado pelo poder judicial como uma punição. É uma contradição que nunca entendi no enredo da obra, mas certamente a mente de RW é bem mais tortuosa que a minha...
Não caberá fazer a crítica dos executantes, naturalmente competentes. O único aspecto, grave, que merece reparo, é a própria acústica do Pavilhão Atlântico, que em determinados pontos da plateia pode arruinar completamente a experiência acústica. Eco, compressão, sons parasitas, são o que não se espera de uma sala nova e multimilinária. Não houve dinheiro para um projecto acústico decente? Inacreditável...
Um espectáculo inesquecível para quem lá esteve, e também muito certamente irrepetível. A única coisa que faltou foi mesmo a guitarra de Gilmour durante o solo de Comfortably Numb...
23 março 2011
Um tema por dia (23/03/2011)
O Gouveia Art Rock esgotou pouco tempo depois dos bilhetes terem sido postos à venda.
Ainda não foi desta que lá fomos... (eu e todo o meu plural). Adeus Peter Hammill, Three Friends (banda de ex-Gentle Giant) e Caravan... e os outros. Por aquilo que não verei, algumas imagens de flagelação.
Eis aqui Peter Hammill, que dispensa apresentações, no extase do imediatismo revolucionário. "The Future Now". Esta música é um programa de vida. "Make life more worth than dreams".Ora leiam / vejam:
The Future Now
Here we are, static in the latter half
of the twentieth century
but it might as well be the Middle Ages,
there'll have to be some changes
but how they'll come about foxes me.
I want the future now,
I want to hold it in my hands;
all men equal and unbowed,
I want the promised land.
but that doesn't seem to get any closer,
and Moses has had his day...
the tablets of law are an advertising poster,
civilisation here to stay
and this is progress?
You must be joking!
Me, I'm looking for any kind of hope.
I want the future now,
I want to see it on the screen,
I want to break the bounds
that make our lives so mean.
Oh, blind, blinded, blinding hatred
of race, sex, religion, colour, country and creed,
these scream from the pages of everything I read.
You just bring me oppression and torture,
apartheid, corruption and plague;
you just bring me the rape of the planet
and joke world rights at the Hague.
Oh, someday the Millennium!
But how far is someday away?
I want the future now
I'm young, and it's my right.
I want a reason to be proud.
I want to see the light.
I want the future now,
I want to see it on the screen,
I want to break the bounds:
make life worth more than dreams.
Ainda não foi desta que lá fomos... (eu e todo o meu plural). Adeus Peter Hammill, Three Friends (banda de ex-Gentle Giant) e Caravan... e os outros. Por aquilo que não verei, algumas imagens de flagelação.
Eis aqui Peter Hammill, que dispensa apresentações, no extase do imediatismo revolucionário. "The Future Now". Esta música é um programa de vida. "Make life more worth than dreams".Ora leiam / vejam:
The Future Now
Here we are, static in the latter half
of the twentieth century
but it might as well be the Middle Ages,
there'll have to be some changes
but how they'll come about foxes me.
I want the future now,
I want to hold it in my hands;
all men equal and unbowed,
I want the promised land.
but that doesn't seem to get any closer,
and Moses has had his day...
the tablets of law are an advertising poster,
civilisation here to stay
and this is progress?
You must be joking!
Me, I'm looking for any kind of hope.
I want the future now,
I want to see it on the screen,
I want to break the bounds
that make our lives so mean.
Oh, blind, blinded, blinding hatred
of race, sex, religion, colour, country and creed,
these scream from the pages of everything I read.
You just bring me oppression and torture,
apartheid, corruption and plague;
you just bring me the rape of the planet
and joke world rights at the Hague.
Oh, someday the Millennium!
But how far is someday away?
I want the future now
I'm young, and it's my right.
I want a reason to be proud.
I want to see the light.
I want the future now,
I want to see it on the screen,
I want to break the bounds:
make life worth more than dreams.
22 março 2011
21 março 2011
Uma capa: Quatermass
A propósito da Harvest Records, lembrei-me do papel fundamental que as capas desempenhavam nos anos 70 como promoção do conteúdo dos discos e como identidade da própria música; e das criações do estúdio Hypgnosis, tão intimamente ligadas à imagem de certas bandas, como os Pink Floyd, que não as conseguiremos imaginar sem as imagens que o estúdio lhes criou. Aqui, a capa do álbum único dos Quatermass.
Pink Floyd - Echoes at Montreux

Hoje, ao visitar o Audioshow, encontrei esta edição de 2010 de um espectáculo dos Pink Floyd. Gravado no Montreux Jazz Festival em 18 de Setembro de 1971, gravação do publico, mas com boa qualidade geral, excepto em algumas partes em que o som quase desaparece, comprimido.
As 3 ultimas faixas consistem em outtakes da sessão de gravação de Meddle em Janeiro de 1971 .
Este material existe numa outra gravação, pirata, "Labirynth of coral caves". Esta edição é de um ponto de audição mais distante do palco, mas, pelo que li por aí, com mais ambiente.
A musica é estelar, a melhor fase dos Pink Floyd, IMHO, quando eles criavam um universo sonoro a cada novo disco, quando ainda não reinventavam o mainstream, apenas reinventavam a música. Não é demais lembrar que dos primeiros discos dos PF nasceu quase em linha directa o krautrock. Ainda hoje, muito para além, para não dizer "à frente".
É uma oportunidade de "estar lá", para quem não esteve, mas tem pena, como eu.
É um item de coleccionadores, edição limitada, com bom potencial de valorização.
Esta faixa do Youtube (só som) dá para cuscar:
FAIXAS
Lado A
01. ECHOES
Lado B
01. CAREFUL WITH THAT AXE EUGENE
02. SET CONTROLS FOR THE HEART OF THE SUN
Lado C
01. CYMBALINE
Lado D
01. ATOM HEART MOTHER
Lado E :
01. A SAUCERFUL OF SECRET;
02. ONE OF THESE DAYS
Lado F :
01. ONE OF THESE DAYS #2
02. ECHOES
20 março 2011
Um tema por dia, 20/03/2011
All Delighted People, Sufjan Stevens, EP de 2010
Tenho faltado, eu sei.
Espero que alguém tenha notado a minha falta!
Antes de "The Age of Adz", este EP é um trabalho extraordinário de Sufjan. Que é um dos melhores músicos do Sec. XXI, so far.
E toca em Portugal dia 31 de Maio. A não perder.
Tenho faltado, eu sei.
Espero que alguém tenha notado a minha falta!
Antes de "The Age of Adz", este EP é um trabalho extraordinário de Sufjan. Que é um dos melhores músicos do Sec. XXI, so far.
E toca em Portugal dia 31 de Maio. A não perder.
15 março 2011
Um tema por dia (15/03/2011)
Chet Baker, "My Funny Valentine - Live in Tokyo
Um concerto na fase final de Chet, um ano antes de morrer. A melhor versão será a que está no "The Last Great Concert . Vol.1" (e não no 2), sobretudo porque a sua voz se funde no trompete, como um contínuo, sendo por vezes difícil dizer qual imita qual, e a orquestra preenche os silêncios com um tapete sonoro que ajuda a sobressair a "voz" de Chet. Mas esssa versão não está disponível, que eu tenha encontrado, no youtube. Esta versão é também muito boa e volta a trazer um Perú um tema que ainda há poucos dias apareceu aqui na voz de Nico.
Um concerto na fase final de Chet, um ano antes de morrer. A melhor versão será a que está no "The Last Great Concert . Vol.1" (e não no 2), sobretudo porque a sua voz se funde no trompete, como um contínuo, sendo por vezes difícil dizer qual imita qual, e a orquestra preenche os silêncios com um tapete sonoro que ajuda a sobressair a "voz" de Chet. Mas esssa versão não está disponível, que eu tenha encontrado, no youtube. Esta versão é também muito boa e volta a trazer um Perú um tema que ainda há poucos dias apareceu aqui na voz de Nico.
13 março 2011
Um tema por dia (13/3/2011)
Orchestre National de Jazz, Daniel Yvinec, "Shut up and Dance"
Já referido aqui no perú, este disco do ano passado da ONJ é uma exploração sonora que vai para além do jazz e procura expressar ritmos corporais e sensações sonoras. Aqui fica um video de apresentação do álbum.
Já referido aqui no perú, este disco do ano passado da ONJ é uma exploração sonora que vai para além do jazz e procura expressar ritmos corporais e sensações sonoras. Aqui fica um video de apresentação do álbum.
11 março 2011
Um tema por dia (11/03/2011)
Quidam, Sanktuarium
Hoje deixo aqui um favorito pessoal, o tema principal do 1º álbum (homónimo) da banda polaca Quidam. Dirão os mais versados que isto é nitidamente Genesis. E têm razão. Aliás, o solo de guitarra de "Firth of the Fifth" aparece enxertado a meio. Mas é um bom tema de inspiração Genesiana, com um belo trabalho melódico da guitarra e da flauta. Uma melodia simples e cativante, crescendos e clímaxes e ligações bem esgalhadas. E confesso que prefiro olhar e ouvir Emila Derkowska do que Peter Gabriel ou Phil Collins. Ela tem uma voz bonita e extensa, se bem que não muito trabalhada. Uma banda simpática, genuína, que emergiu em meados dos anos 90 num certo revivalismo neo-prog.
Hoje deixo aqui um favorito pessoal, o tema principal do 1º álbum (homónimo) da banda polaca Quidam. Dirão os mais versados que isto é nitidamente Genesis. E têm razão. Aliás, o solo de guitarra de "Firth of the Fifth" aparece enxertado a meio. Mas é um bom tema de inspiração Genesiana, com um belo trabalho melódico da guitarra e da flauta. Uma melodia simples e cativante, crescendos e clímaxes e ligações bem esgalhadas. E confesso que prefiro olhar e ouvir Emila Derkowska do que Peter Gabriel ou Phil Collins. Ela tem uma voz bonita e extensa, se bem que não muito trabalhada. Uma banda simpática, genuína, que emergiu em meados dos anos 90 num certo revivalismo neo-prog.
10 março 2011
In a Glass House
Tive o prazer de ouvir recentemente o "In a Glass House" dos Gentle Giant em disco preto, em casa do Luís, e fiquei maravilhado com o que ouvi! Foi um verdadeiro flashback! Há muito que não ouvia a velocidade estonteante da guitarra na primeira música, a batida seca das paragens instantâneas… os timbres das madeiras… tudo integrado (o "In a Glass House" é o exemplo maior desta precisão temporal sem paralelo)! Sou o feliz proprietário de um leitor de CDs considerado “high-end” e quase não consigo ouvir o disco… sem mais comentários.
Tentar explicar por que gostamos tanto de música, por que razão há melodias, intervalos ou acordes que nos parecem sublimes e outros insuportáveis ou menos felizes, não é certamente assunto para este breve texto sobre a música dos Gentle Giant, a qual marcou profundamente a minha juventude nos anos 70. Neste contexto, limitar-me-ei a dizer que a música criada por este singular agrupamento desses anos extraordinários (o primeiro álbum é de 1970) tem a capacidade – tal como algumas outras obras musicais, independentemente dos estilos ou dos rótulos de que tenho falado noutras conversas – de nos transportar para lugares diferentes; de nos enlevar a alma e extasiar com tal intensidade, que nos obriga a reflectir neste poder quase primitivo que a música tem face a outras formas de expressão artística, pretensamente mais “utilizadoras” das camadas recentes do nosso cérebro. Atrevo-me a dizer que a música permite, como nenhuma outra arte, esta ligação directa às regiões responsáveis pelas funções mais básicas da nossa sobrevivência! Muito se tem escrito sobre a influência da música nas plantas, havendo iniciativas espalhadas um pouco por toda a parte sobre essa suposta influência, desde estudos feitos pelo Instituto de Agricultura Biotecnológica da Coreia do Sul em plantações de arroz até ao repouso de vinho biológico ao som de Canto Gregoriano! Algumas dessas iniciativas serão certamente mais sérias do que outras (aposto claramente no Canto Gregoriano), mas a verdade é que ainda ninguém se interessou em estudar o efeito do “Le déjeuner sur l'herbe” do Manet sobre os plátanos e é ainda menos provável que alguém se interesse pelo efeito da leitura dos "Lusíadas" sobre a hortaliça… talvez o “Guernica” ou os “Cantos de Maldoror” tenham alguma influência na vegetação!
Na verdade, a música dos Gentle Giant permite este enlevo instantâneo e devastador, mas, à semelhança de outras “boas” criações (independentemente das etiquetas), sem ser à custa de fórmulas consonantes repetitivas, largamente utilizadas na música de massas e que tanto tem servido para denegrir a imagem do Rock em certos meios intelectuais (mais um rótulo que dá jeito). Tal como já disse aqui no Peru (e não abdicarei de o dizer), os nomes valem o que valem. Temos necessidade de classificar as coisas – é assim que pensamos, comunicamos e agimos. É claro que esta necessidade não justifica o risco de afeição obstinada (redutora) por um dado “tipo” (nome) de expressão artística, ainda que constitua parte do fenómeno. Bem pelo contrário, os Gentle Giant afastam-se de uma tradição “homófona” associada à música “popular” que se caracteriza pela ausência de articulação contrapontística das vozes, fazendo da sua música uma verdadeira construção polifónica! Não é vulgar, ainda que se trate de “rock progressivo” (estas classificações são mesmo úteis). Já não se trata de fazer melodias sem dar muita atenção ao carácter melódico dos elementos de acompanhamento. Não basta escrever melodias e acrescentar acordes (ou construir melodias sobre sequências harmónicas) … neste caso, os aspectos verticais (acordes) são acidentais (não significa que sejam descurados) quando o contraponto é o elemento criador de textura! Muitas vezes as harmonias são, na música dos Gentle Giant, naturalmente produzidas por linhas melódicas simultâneas, bem ao gosto da tradição erudita.
Nada tenho contra a música simples, bem pelo contrário. Fazer música complexa não significa fazer boa música e há milhares de exemplos de música muito simples verdadeiramente genial! Mas estando a falar dos Gentle Giant, não posso deixar de realçar alguns aspectos especiais que caracterizam a sua obra, designadamente a sua extraordinária complexidade tanto ao nível da composição como da execução. Mas há mais, e esse mais é o que realmente importa. Os três irmãos Shulman e os restantes membros do grupo não se limitaram a mostrar que dominavam os vários (muitos) instrumentos que empregam na música! Não se trata de uma manifestação de virtuosismo (como as que há aos pontapés) e muito menos de uma produção morna e sem brilho resultante de um somatório de influências eruditas com sabores de folclore inglês, jazz, rock, música antiga (madrigais, canto gregoriano, motetos), música dos períodos barroco, clássico e contemporâneo atonal, tudo à mistura e muita fé! Nada disto! Os Gentle Giant criaram uma música realmente nova e diferente, mas o mais importante é que essa música é verdadeiramente boa (ser diferente e original também não basta) …
A música que produziram consegue, com notável mestria e bom gosto, um equilíbrio perfeito entre construção e alívio de tensões, entre o subtil e o agreste, o etéreo e o denso, o odor quente das madeiras antigas e o fulgor metálico da electrónica. A velocidade estonteante das linhas melódicas, a incrível leveza (ausência de inércia) das síncopes e das paragens instantâneas; a interacção entre as dissonâncias e o conforto da sua resolução, constituem um todo verdadeiramente inebriante e vertiginoso que se traduz em emoção, expressão e beleza!
Quanto a temáticas e símbolos, há, entre outras inspirações literárias, clara influência de Rabelais: “Pantagruel's Nativity” (em Acquiring the Taste), “The Advent of Panurge” (em Octopus), entre outras referências (o nome do grupo e a cativante figura do gigante, presente em todos os álbuns, são alusões a Pantagruel).
Não me alongarei em descrições sobre a constituição do grupo propriamente dito (há material em grande quantidade na net que pode ser consultado). Conheço bem todos os álbuns até ao "Interview" (1976), sendo que os meus preferidos são os primeiros sete: "Gentle Giant" (1970), "Acquiring the Taste" (1971), "Three Friends" (1972), "Octopus" (1972), "In A Glass House" (1973), "The Power And The Glory" (1974) e "Free Hand" (1975). O "Gentle Giant", o "Acquiring the Taste" e o "In a Glass House" são, na minha opinião, verdadeiras obras-primas.
A banda foi formada pelos três irmãos Shulman (Phil, Derek e Ray), os quais, em conjunto com Kerry Minnear, são os principais compositores.
Derek Shulman (voz principal, saxofones, percussões, "Shulberry" e outras cordas)
Ray Shulman (voz, viola baixo, percussões, violino, violoncelo e outras cordas)
Phil Shulman (voz, percussões, instrumentos de sopro e cordas) – bastante mais velho que os irmãos, participa nos quatro primeiros álbuns: “Gentle Giant", "Acquiring the Taste", "Three Friends" e "Octopus"
Kerry Minnear (voz, teclados, vibrafones e outras percussões)
Gary Green (voz, guitarras, outras cordas e percussões)
Martin Smith (bateria e percussão) – participa nos dois primeiros álbuns, "Gentle Giant" e "Acquiring the Taste"
Malcolm Mortimore (bateria e percussão) – apenas participa no terceiro álbum, "Three Friends”
John Weathers (bateria, percussão) – participa em todos os restantes álbuns
(muitos outros instrumentos são utilizados, como sejam: o cravo, o clavicórdio, a harpa, o alaúde e o “shulberry", instrumento de cordas especialmente criado por um tal Dave Zammit, para Derek Shulman).
09 março 2011
Um tema por dia (10/3/2011)
Hoy es un día diferente, puesto que hoy lo hago en castellano. Seguimos con un video (leer "bidéo") de nuestros hermanos de las famosas películas de Almodovar. ?Hay otra cosa mas dramatica que una pelicula de Pedro?
Señoras Y Señores, distinto publico, Luz Casal en "Piensa en Mi".
Señoras Y Señores, distinto publico, Luz Casal en "Piensa en Mi".
Um tema por dia (9-3-11)
Fleet Foxes, Mykonos.
...e adiantando já serviço, aqui vai a de hoje, dia 9. Esta dos já mais que famosos Fleet Foxes, que devem estar quase a desovar o segundo disco. É um tema belíssimo, um épico com guitarras que nos faz acreditar na humanidade, fale lá do que falar.
No site deles, já há um tema disponível para download dodisco que aí vem:
http://www.fleetfoxes.com/helplessness-blues.html
PS . e vão estar no Optimus Alive a 8 de Julho.
...e adiantando já serviço, aqui vai a de hoje, dia 9. Esta dos já mais que famosos Fleet Foxes, que devem estar quase a desovar o segundo disco. É um tema belíssimo, um épico com guitarras que nos faz acreditar na humanidade, fale lá do que falar.
No site deles, já há um tema disponível para download dodisco que aí vem:
http://www.fleetfoxes.com/helplessness-blues.html
PS . e vão estar no Optimus Alive a 8 de Julho.
Um tema por dia (8/3/2011)
Sleeping States, "Rings of Saturn"
Como hoje é Carnaval, e só para contrabalançar a folia, aqui vai uma que é só viola (pouca) e voz (mínima), embora depois cresça. É de um cantautor britânico de nome Markland Starkie e assina como Sleeping States. Isto vem da abertura do 3º álbum, "In the Gardens of the North", da editora Bella Union (2009). Acho que é uma bela abertura. O resto do disco é uma bela surpresa que estou a descobrir.
Como hoje é Carnaval, e só para contrabalançar a folia, aqui vai uma que é só viola (pouca) e voz (mínima), embora depois cresça. É de um cantautor britânico de nome Markland Starkie e assina como Sleeping States. Isto vem da abertura do 3º álbum, "In the Gardens of the North", da editora Bella Union (2009). Acho que é uma bela abertura. O resto do disco é uma bela surpresa que estou a descobrir.
06 março 2011
Um tema por dia (4/3/2011)
Os The Bastard Fairies lançaram o seu segundo álbum em Agosto de 2010 - "Man Made Monster"
Este tema é DIRTY SEXY KILL KILL.
(vá-se lá saber porquê, este tema não saiu no dia devido...)
Este tema é DIRTY SEXY KILL KILL.
(vá-se lá saber porquê, este tema não saiu no dia devido...)
Um tema por dia (6/03/2011)
New Musik - While you wait
Preparados para synth pop dos anos 80?
Este é dos melhores álbuns dos anos 80 - "Anywhere" dos New Musik. Desapareceram algures numa dobra do tempo. Quais OMD, qual quê. Isto é muito melhor.
O video é uma colagem de temas futuristas desses anos - sem esquecer o magnífico "Blade Runner". Vai muito bem.
Preparados para synth pop dos anos 80?
Este é dos melhores álbuns dos anos 80 - "Anywhere" dos New Musik. Desapareceram algures numa dobra do tempo. Quais OMD, qual quê. Isto é muito melhor.
O video é uma colagem de temas futuristas desses anos - sem esquecer o magnífico "Blade Runner". Vai muito bem.
03 março 2011
Um tema por dia (3/3/2011)
Lou Reed, Kids, Berlin
Prosseguindo, na mesma senda, a história não ficaria completa sem a menção a Lou Reed, já por diversas vezes referido neste canto da net, sobretudo pelo Hélio C., fâ fervoroso. Se John Cale é o génio louco, Lou Reed é o enfant terrible. Assumindo o perfil de rocker duro, sempre em busca do som perfeito para a sua guitarra (numa busca em que tem um parceiro seu contemporâneo, Neil Young), Reed foi sempre crescendo e ganhando estatuto, através de uma gestão inteligente do seu passado, mas não vivendo à sombra dele. Os seus álbuns mais recentes são também dos mais consistentes e criativos wue fez.
Este tema é da recriação ao vivo de "Berlin", álbum mal amado (incompreendido?) quando foi lançado, creio que em 74, e que tem vindo a ganhar peso especifico não só na discografia de LR como na história do rock. O espectáculo na igreja de St. Anns (e que passou por Portugal na mesma noite em que Neil Young se apresentou no Optimus Alive, em 2008), é portentoso e uma clara melhoria relativamente ao original. O tema "kids" não é a escolha mais óbvia, mas selecionei-o por ser um dos temas mais depressivos que conheço, versando sobre a retirada dos filhos à senhora que se porta mal ("the black airforce sargeant was not the first one"), e que acaba com um final lancinante, com o choro das crianças. Desaconselhado para dias primaveris...
Prosseguindo, na mesma senda, a história não ficaria completa sem a menção a Lou Reed, já por diversas vezes referido neste canto da net, sobretudo pelo Hélio C., fâ fervoroso. Se John Cale é o génio louco, Lou Reed é o enfant terrible. Assumindo o perfil de rocker duro, sempre em busca do som perfeito para a sua guitarra (numa busca em que tem um parceiro seu contemporâneo, Neil Young), Reed foi sempre crescendo e ganhando estatuto, através de uma gestão inteligente do seu passado, mas não vivendo à sombra dele. Os seus álbuns mais recentes são também dos mais consistentes e criativos wue fez.
Este tema é da recriação ao vivo de "Berlin", álbum mal amado (incompreendido?) quando foi lançado, creio que em 74, e que tem vindo a ganhar peso especifico não só na discografia de LR como na história do rock. O espectáculo na igreja de St. Anns (e que passou por Portugal na mesma noite em que Neil Young se apresentou no Optimus Alive, em 2008), é portentoso e uma clara melhoria relativamente ao original. O tema "kids" não é a escolha mais óbvia, mas selecionei-o por ser um dos temas mais depressivos que conheço, versando sobre a retirada dos filhos à senhora que se porta mal ("the black airforce sargeant was not the first one"), e que acaba com um final lancinante, com o choro das crianças. Desaconselhado para dias primaveris...
01 março 2011
Um tema por dia (2/03/2011)
Nico, My Funny Valentine
Continuando nas veredas velvetianas, não podemos esquecer a estátua teutónica que foi Nico - modelo, chanteuse, ícone. Este "video" consiste apenas numa sequência de fotos, o que até vai bem com a sua pose estática, mas a interpretação, a original do álbum "Camera Obscura" é das melhores das muitas que já ouvi. A voz angulosa de Nico, grave, metálica,por vezes fraca, trazem um drama que tira toda a possível lamechice que a letra lhe pudesse dar. Acaba por ser apenas frágil, errante.
PS. Este é um tema que carrega algumas histórias: uma em Boston, outra em Shangai. Não é verdade, Mr. T?
Continuando nas veredas velvetianas, não podemos esquecer a estátua teutónica que foi Nico - modelo, chanteuse, ícone. Este "video" consiste apenas numa sequência de fotos, o que até vai bem com a sua pose estática, mas a interpretação, a original do álbum "Camera Obscura" é das melhores das muitas que já ouvi. A voz angulosa de Nico, grave, metálica,por vezes fraca, trazem um drama que tira toda a possível lamechice que a letra lhe pudesse dar. Acaba por ser apenas frágil, errante.
PS. Este é um tema que carrega algumas histórias: uma em Boston, outra em Shangai. Não é verdade, Mr. T?
Um tema por dia (1/03/2011)
A propósito dos Velvet, a bela versão negra de Femme Fatale. Subtis diferenças fazem do tema uma música diferente (esta orquestração é muito melhor; a guitarra é contida mas exacta, com um toque jazzy que lhe assenta que nem uma luva), mas é o mesmo tema, imediatamente reconhecível - esta é a diferença entre uma versão e uma cópia.
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