O 9º álbum dos Renaissance, publicado em 1977, antecede num ano o fim do seu período de ouro - em 1978 publicariam a sua segunda obra-prima, "A Song for All Seasons" (note-se que esta classificação como "obra-prima" e como a "segunda" da banda - após "Ashes are Burning" - é uma opinião própria que é muito disputada pelos fãs da banda. Este é um tema para outro cometário).
A seguir a 78 entrariam nas águas cálidas da pop, sem grande interesse. O apetite pelas orquestrações grandiloquentes e pelos temas longos e complexos, caraterisitica do progressivo mais sinfónico, já estava em forte confronto com a estética brutalista e "no talent" do punk. "Novella" é já um dia de sol fora da estação. Sol de inverno, por assim dizer. O ultimo álbum de originais antes de "Novella" é o aclamado Scheherazade and other stories, considerado por muitos o pináculo artísitico da banda, e inevitavelmente é dificil fazer seguir a um cume outro cume; ainda para mais os Renaissance estavam a ter grande sucesso nos EUA, de onde saiu o concerto no Carnegie Hall (1976). Annie Haslam preparava já o seu primeiro álbum a solo, que sairia também em 1977. "Novella" é por isso, uma obra de um período intermédio - entre o sucesso e o futuro.
Não há nada de fundamentalmente novo ou diferente em "Novella". A voz de Annie Haslam, com aquela britishness tão própria, é a mesma; a composição está entregue aos mesmos e segue os mesmos standards; o baixo de Jon Camp continua admirável, assim como a guitarra acustica de Michael Dunford. A produção é ainda da banda. Há, no entanto, um ar de mais leveza que atravessa o álbum, mais espaço para se ouvir a voz, que é muito patente em "The Sisters", um dos momentos mais líricos e atmosféricos da banda. A banda parece de alguma forma mais relaxada. "Novella" está a par com outras obras tardias de bandas que tiveram muito sucesso e que mantiveram o nível de qualidade, mas de alguma forma o público valorizou menos. Estou a pensar, por exemplo, no Procol' Ninth (1975), dos Procol Harum, que é excelente, mas que ouvido em sequência não tem a ambição ou a grandiloquência de um "Grand Hotel" (1973), ou mesmo de "Exotic Birds and Fruit" (1974). à distância, e fora do seu contexto, brilham de forma diferente. E por isso a reavaliação que o tempo permite, com o seu jogo de espelhos e reflexos, traz uma luz nova a velhas joias.
Temas favoritos: The Sisters, Midas Man, The Captive Heart, Touching Once (is so hard to keep)
O álbum foi publicado com duas capas diferentes, uma para os EUA, outra para o UK. Neste caso, usa-se a capa UK