30 maio 2011

Tópico: os Moody Blues

No seguimento do comentário do Sérgio: a importância e o papel dos Moody Blues é algo que vale a pena trazer para a discussão. Não é obviamente pelo tema postado, que é sobretudo um divertissement, mas eu penso - e sei que não sou o único a pensá-lo - que os MB foram das mais importantes bandas inglesas dos anos 60 (e, vá lá, início dos 70). Vários dos seus álbuns podem ser, IMHO, rotulados como obras-primas. Não tiveram talvez o fervor crítico que serviu outras bandas, mas a escuta da sua obra revela muita uva e pouca parra. E uva da boa, daquela que faz bom vinho que agrada ao palato, estimula o cérebro e que sabe envelhecer. Peruanos, opinem!

R.I.P. - Gil Scott-Heron

Um dos grandes e influentes que se vai, como avisa o Sérgio no comentário do post de ontem.

O ano passado ainda advertia: "I'm new here/ will you show me around?"

Não são divulgadas as causas da morte, mas estava doente e internado nos últimos tempos.

Já distante do brilho dos anos setenta, da postura revolucionária e do inconformismo negro, GSH lançou mesmo assim um álbum fundamental o ano passado, o citado "I'm new here", e que foi remisturado por Jamie XX e saiu já este ano (não tão fundamental).

A melhor homenagem é continuar a fazer o que sempre fizémos: ouvi-lo.

29 maio 2011

Um tema por dia, a calhar - Domingo, 29 de Maio de 2011

Moody Blues, Lazy Day, 1970

"Lazy day, sunday afternoon
(...)
sunday roast is something good to eat
...must be lamb today
'cause beef was last week!"

27 maio 2011

Também em Vigo há Festival e há Jazz

É um fartar vilanagem!

De 17 a 25 de Xuño

http://www.imaxinasons.com/gl/

Destaca-se: Avishai Cohen, Nils-Petter Molvaer, John Taylor, Sidsel Endresen ou Portico Quartet

26 maio 2011

Um tema por dia, de vez em quando (26/05/2011)

Hoje viajamos até ao México para ouvir os Chac Mool com a guitarra de Jorge Reyes.

Lou Reed em Londres

Lou Reed plays London Hammersmith Apollo on 4th July

Londres é que é!

Cartaz do Meltdown Festival, cujo curador é Ray Davies dos Kinks:


RAY DAVIES’ MELTDOWN
10 – 19 JUNE
SOUTHBANK CENTRE

This year The Kinks’ frontman Ray Davies is in charge of the annual Meltdown festival at Southbank Centre in London, picking some of his favourite artists and putting together a rather special line-up of concerts. Click here to see the full line –up.

Our Record Collector highlights include:

The Crazy World of Arthur Brown
+ The Legendary Pink Dots
Friday 10 June
Always electrifying live, the man behind the iconic single ‘Fire’ plays a rare London show.

Ready Steady Go!
Featuring The Animals’ Eric Burdon, Dave Berry, Paloma Faith, Nona Hendryx, The Manfreds, Sandie Shaw, The Ronettes’ Ronnie Spector and more to be announced
Saturday 11 June
Meltdown is famous for its never-to-be-repeated shows and this one is certainly one not to miss as an all-star cast recreates the legendary TV pop show Ready Steady Go!

The Fugs
+ Lewis Floyd Henry
Saturday 11 June
It was 42 years ago that New York Beat generation iconoclasts The Fugs last played in London. We strongly recommend you see what we’ve been waiting for all the years.



Yo La Tengo
Reinventing The Wheel
Sunday 12 June
Fittingly for Meltdown, alt-rockers Yo La Tengo’s gig sees them spin a wheel of fortune which will decide what they will play on the night. It could even see them act out a classic sitcom...


Dengue Fever
Sunday 12 June
1960s Cambodian pop meets US garage-surf guitars and psychedelic soul.



Alan Price Set
Tuesday 14 June
The keyboardist of seminal 60s pop group The Animals plays live.


Nick Lowe & special guests
+ Rainy Boy Sleep
Wednesday 15 June
One of the greats who has sold-out venues across the world with his timeless back-catalogue.

Ron Sexsmith + Anna Calvi
Thursday 16 June
Two great talents together on a double-bill that mixes Sexsmith’s tender songwriting and Calvi’s boldly seductive, cinematic tunes.


London Sinfonietta
Birtwistle & Maxwell Davies
Secret Theatre & Eight Songs for a Mad King
Thursday 16 June
Landmark works from two of the UK’s greatest living composers. Undoubtedly a highlight at the festival.

The Great Preservation Hall Jazz Band
Live and Direct from New Orleans
Friday 17 June
One of the original New Orleans jazz bands - in the words of their collaborator Louis Armstrong ‘Preservation Hall. Now that's where you'll find all of the greats.'



The Sonics + Wire
Saturday 18 June
Rarely does such a special double-bill come around; garage-rockers The Sonics led where The Stooges and Nirvana followed and they are joined by the ever-brilliant Wire.

Peter Asher: A Musical Memoir of the Sixties and Beyond
Saturday 18 June
One-half of Peter and Gordon and former Head of A&R at The Beatles’ Apple Records, this will be a fascinating insight into the era, the music and the stars.

Current 93
Honeysuckle Sunset
Sunday 19 June
Utterly idiosyncratic and utterly engrossing, Current 93’s David Tibet is joined by guests including Baby Dee.

22 maio 2011

2011 So Far...

Aqui fica uma compilação Made in Perú de algumas das coisas boas que já se publicaram este ano, composta por temas de Gil Scot-Heron/Jamie XX, Radiohead, James Blake, Tv On The Radio, PJ Harvey, Anna Calvi, Cake, Bill Callahan, Lucinda Williams, Joan As Police Woman, Tapes 'N'Tapes, The Decemberists, Dangermouse and Danielle Lupo. The Low Anthem, June Tabor, The Unthanks e Fleet Foxes.

E este é o Extra Disc.
No Extra Disc, além de alguns dos mesmos, há também Toro Y Moi, Drive-by Truckers e Mogwai

Notem que esta é uma compilação para meros efeitos de divulgação.

Um tema por dia (22/05/2011)

Lykke Li - Get Some

Material fresquinho (deste ano) desta sueca que esteve entre nós o ano passado na Zambujeira.

Para os amigos, a Likas.

19 maio 2011

Return to Forever na Europa em Junho e Julho

...mas não em Portugal! Há duas datas em Espanha, em Madrid e San Sebastian.

Os RTF são um grupo de semente Chick Corea, com várias formações, que incluiram músicos que fizeram obra de pleno direito, alguns já consagrados à época, como Al Di Meola, Airto Moreira, Flora Purim, Lenny White, Stanley Clarke, Joe Farrell, Gayle Moran...

Tocam um jazzrock essencialmente latino, muito saboroso para o meu paladar, mas com variações "à la" George Duke. Obras maiores para este Perú são o primeiro Return to Forever, Light as a Feather e The Romantic Warrior.

A nova formação - passo a palavra à Downbeat: The new incarnation includes founding members Chick Corea (keyboards), Stanley Clarke (bass) and Lenny White (drums), along with violinist Jean-Luc Ponty and guitarist Frank Gambale.

Vi uma versão ao vivo há uns quatro anos em Nova Iorque, na altura chamavam-se Forever Returns (!), eram um trio com Airto Moreira e e Flora Purim foi convidada especial, mas, como na altura referi num post aqui no Peru, deveria também ter-se renomeado (como Flora Pudim) e cantou mal à brava.

1 July BERLIN, GERMANY Zitadelle
2 July HAMBURG, GERMANY Stadtpark
3 July NECKARSULM, GERMANY Audi Forum
4 July MUNICH, GERMANY Small Tollwood Arena
5 July KRAKOW, POLAND Hala Wisly
7 July VIENNE, FRANCE Vienne Jazz Festival
8 July ROTTERDAM, NL North Sea Jazz Festival
9 July PARIS, FRANCE Olympia
10 July GENT, BELGIUM Gent Jazz Festival
11 July DUISBURG, GERMANY Piano Festival Ruhr
12 July MONTREUX, SWITZERLAND Montreux Jazz Festival
14 July SETE, FRANCE Theatre De La Mer
15 July AOSTA, ITALY Bard Fortress
16 July PESCARA, ITALY Pescara Jazz Festival
17 July ROVINJ, CROATIA Park Forrest
20 July BASTIA, CORSICA, FRANCE Theatre De Verdure
22 July MADRID, SPAIN Puerta Del Angel
23 July SAN SEBASTIAN, SPAIN Kursaal Auditorium
26 July MARSEILLE, FRANCE Marseille Jazz Festival
28 July SAN FELIU, SPAIN
29 July MARCIAC, FRANCE Marciac Jazz Festival

E agora, um tema dedicado ao FMI...

Um tema por dia (19/05/2011)

Hoje deu-me prá 'qui...

um clássico!

17 maio 2011

16 maio 2011

Concerto Progmenade

http://www.facebook.com/event.php?eid=216832911679678


Time
Saturday, May 21 · 4:30am - 8:00pm

Location
Bar o Século, Rua do Século, 80, Lisboa

Created By

More Info
Tarde descontraída onde fluirão sons da constelação prog. A cargo do mítico DJ Porkka. A esplanada está muito convidativa e a cerveja fresca...

15 maio 2011

Toy - Toy

Não.Não é o nosso gracioso cantor pimba (que talvez tenha algum valor sociológico - o que achas, Diabo?). Trata-se de um grupo norueguês que grava para a smalltown supersound e sobre o qual não consegui saber absolutamente nada excepto o que a própria editora acha por bem publicar sobre eles. A esse facto não será alheio terem escolhido para nome um que se confunde com o já citado e nunca por demais dessprezado músico português e o que é o primeiro nome de um filme infantil que agrada aos adultos, "Toy Story".

É daquelas pequenas preciosidades que gostamos de ter na colecção e que lhe dá sabor e distinção. Trata-se de uma banda que poderia ter sido dadaísta e que joga com ´música como os brinquedos de Toy Story. Para quem conhece Pascal Comelade, o notório infantilista gaulês, o conceito poderá ter algo a ver. Mas são únicos. Nem consigo dizer como cheguei a eles, porque foi daqueles casos de olhar para a capa e dizer: ora aqui está uma coisa interessante. Era.











O álbum é de 2005 e não consta que tenha sucessor.

Eis a informação da editora:
TOY
“Prozac-flavoured glory” (BBC Radio 3)

Toy is an electronic duo formed by UK composer Alisdair Stirling and producer Jorgen Traeen from Bergen, Norway. Toy's playful tunes mix kids TV (Pingu, Radiophonic Workshop) and Japanese style electronica (YMO and Cornelius) with a touch of Scandinavian electro weirdness. They also manage to combine a flavour of incidental/elevator music with beats and grooves to create infectious pop. Stirling is behind the Bergen pop workshop/collective 'House of Hiss', working with Bergen producers The Sensible Twins (Hans Petter Gundersen and Kato Adland) which released 'Holland Park/Sugar Shoop' seven inch vinyl on New Records last year. Traeen is a well know producer who among others has produced Sondre Lerche, Magnet and Jaga Jazzist.He also has his own solo project Sir Dupermann on Smalltown Supersound. The band released 'Rabbit Pushing Mower/Valley Cars' as a vinyl seven inch on Telle Records described by the BBC as “an amusing cream puff of a tune”. Their second vinyl single 'Sedan Through Tunnel/Decorama' is about to be released on Smalltown Supersound. The same label will later on in 2005 also release the debut album by Toy.

Encontrei este vídeo deles no "TeuTubo":

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Um tema por dia, 15/5/2011

Cyril Havermans, "Get yourself by"

CH saiu dis Focus por discordar da orientação do grupo em prosseguir com temas instrumentais, depois de ter participado como baixissta na banda até ao excelente segundo álbum, "Moving Waves". No entanto, neste primeiro trabalho a solo, conta com o suporte dos seus ex-companheiros Jan Akkerman, Pierre Van Der Linden e Thijs Van Leer. É um trabalho essencialmente acústico e baladeiro, que acaba por ser uma curiosidade para quem conhece aprecia os Focus.

Comprei o disco original de 1973 há pouco tempo em Londres, creio que nunca foi editado em CD.

Mojo e Uncut

A última edição da Uncut dá justo destaque ao álbum dos Fleet Foxes, "Helplessness Blues", que tem feito a as delícias deste Perú.

A Mojo consegue uma (rara!) entrevista com Kate Bush, que está prestes a lançar um álbum, "Director's Cut", que revisita e reapresenta temas de "The Red Shoes" and "The Sensual World". À falta de sucessor para o excelente "Aerial" (excelente!), não será refeição de somenos. Entretanto, já circula um tema na net.

Não menos importante, o CD da Mojo é uma compilação dos The Black Keys, feita por eles e incluindo bandas irmãs, que resulta num trabalho muito bem esgalhado que se ouve com prazer. Os Black Keys são, a par com os The White Stripes (preto e branco! nunca tinha pensado nisso!), as melhores razões para pensar que o bom rock, orelhudo e excitante, não morreu.

Este mês ganha a Mojo...


Jonesy, uma banda esquecida de progressivo inglês

Os Jonesy existiram entre 1971 e 1974, editaram três álbuns, deram-se mal com a editora e o promotor e acabaram, não sem terem antes gravado um quarto álbum cujas masters foram roubadas juntamente com os instrumentos e que sobreviveu em algumas cópias em cassete, para vir a ser editado em 2003. Os seus álbuns foram “No Alternative”, “Keeping up…”, “Growing” e o póstumo “Sudden Prayers Make God Jump”. A editora Esoteric, que tem feito um excelente trabalho de recuperação de álbuns antigos e esquecidos, dedicou-lhes uma CD duplo que reúne os primeiros três álbuns, e que é absolutamente fundamental.

A minha história com os Jonesy: conheci-os primeiro através de uns temas numa cassete gravada por um amigo de um amigo. Um dia, na feira da Vandoma, no Porto, encontrei o álbum “Growing” e comprei-o por uma soma ridícula. E desde aí persegui os discos deles, sem sucesso, até ao advento da internet, que me permitiu finalmente conseguir a sua obra completa em ficheiros.

Os Jonesy não serão talvez sequer uma banda de culto; no entanto, obtiveram o prémio Montreux Diamond Award em 74, competindo com álbuns como “Starless and Bible Black”, dos King Crimson, “Innervisions”, de Stevie Wonder ou “Planet Waves” de Bob Dylan. Isto já diz alguma coisa, sobretudo tratando-se de um banda que estava longe de ser a coqueluche da Grã-Bretanha.
O primeiro álbum, “No Alternative” é, na minha modesta opinião, o mais fraco, devido a uma produção pobre, que o atira para uma categoria quase de proto-prog, embora a momentos se pareça com os Manfred Mann. Como seria de prever para uma banda prog desta época, o som era impulsionado a doses massivas de mellotron. A guitarra de Evan-Jones, que já tinha sido um bem sucedido músico de sessão, é um dos pontos altos. Em alguns temas é óbvia a influência de King Crimson do 1º ITCOTKC, como em “Heaven” e em “Pollution”, que vai ao ponto de emular o refrão de Epitaph, só que em vez “I fear that tomorrow I’ll be crying” é “Someday soon we’ll be crying”. Não é um mau álbum, mas hoje alguns temas soam datados e, por comparação, menos conseguido que os posteriores. Por este álbum, hoje teriam apenas uma nota de rodapé na história, tal a quantidade de álbuns excelentes que se produziram na primeira metade dos setenta.

É preciso dizer que o grupo nasceu da força de um guitarrista australiano, John Evan-Jones, que encontrou no teclista Jamie Kaleth a força anímica necessária para fundar a banda. Ao segundo álbum tiveram um reforço de peso, o trompetista Alan Bown, que já tinha créditos firmados com o Alan Bown Set, e que deu um cunho de originalidade ao som da banda. O segundo álbum, “Keeping up…”, não é o mais apreciado, lugar que vai para o terceiro, mas para mim é o melhor deles.

Continuam fortemente influenciados pelo lirismo de King Crimson, da fase de “Moonchild” e “I talk to the Wind”, mas também pelo free jazz, que, pelo trompete de Bown, vai mesmo buscar alguma ambiência a Miles Davis. É neste álbum que os Jonesy mostram todo o seu potencial e fazem do cocktail de influências uma mistura original. Sobretudo as composições mais líricas, como “Sunset e Evening Star” e “Song”, são brilhantes. O inicio, com “Masquerade”, por vezesfaz lembrar os Moody Blues no refrão, mas a guitarra wah-wah e muito reverb dá-lhe um tratamento ácido. Uma coisa que se nota neste álbum é uma presença orquestral discreta mas intensa, normalmente dada pelo mellotron, que cai muito bem (eu, como muitos progheads, tenho um fraquinho por este instrumento temperamental…). As composições são muito articuladas, com estrutura, nada repetitivas. E é muito difícil fazer música bonita sem ser piegas. Normalmente cai-se na volta fácil, no acorde perfeito, no rodriguinho bonito. “Sunset and Evening Star” e a sua continuação são dos temas mais bonitos dos 70, mas sem serem delicodoces. Algo que os italianos sabiam fazer bem, embora às vezes também exagerassem no açúcar (como os Banco Del Mutuo Soccorso), e que os melhores ingleses também sabiam, como (outra vez os mesmos), King Crimson, ou os Supertramp. Este tema encadeia-se com o seguinte “Preview”, que é essencialmente um solo de trompete sobre piano e cordas, numa melodia lindíssima. A este segue-se “Questions and Answers”, e o resto do álbum desenrola-se como um sucessão de temas encadeados, como era de rigueur para qualquer grupo que quisesse parecer bem pensante. O facto é que quando bem feito, resulta. Há ainda lugar para uma menção especial a “Critique (with exceptions), improviso de guitarra solta a desafiar o trompete, que vai ao jazz e volta e que é o tema em que Miles vem à memória.

“Keeping up…” deveria ter lugar cativo nas estantes daqueles que levam a sério o prog, e, porque não dizê-lo, a música.

O seguinte, “Growing”, o tal que lhes grangeou o prémio de Montreux, é um passo em frente em direcção a um som mais coeso, mais rock e mais jazz, sem dúvida excelente, mas que perde um pouco do tom naïf que para mim faz o encanto de “Keeping up…”. Nevertheless, nada a apontar. O álbum abre com “Can you get that together?”, que tem um pouco das massas orquestrais de “Sailor’s Tale” dos KC, mas com um baixo saltitante e um tom jazzy. Não tem o encanto angular de “Sailor’s Tale”, que está lá em cima no panteão dos imortais. O tema dos Jonesy é uma boa malha rock e não um buraco negro que engole a matéria à sua volta. O tema seguinte aparece como quando se está numa festa barulhenta, se abre uma porta e se encontra uma família em vigília. Note-se que isto nada tem de negativo; é apenas uma forma de descrever a transição – o tema em si é até alegre, com o tompete de Bown a ser secundado pela orquestra, que se funde num solo de guitarra excelente de Evan-Jones, sobre um fundo circular. Consigo explicar? O melhor é ouvirem.

Bom, para não ser exaustivo, o álbum termina com o tema “Jonesy”, uma jam session em free que tem a particularidade de ser orquestrada pelo Simon Jeffes que viria a fundar a Penguin Cafe Orchestra. Por este tema dá para perceber o que a crítica apreciou neles: um proficiência instrumental que lhes permitia passear-se à vontade entre estilos, improvisar e ser interessantes.

O quarto ainda não o ouvi suficientemente para emitir um juízo fundamentado. Entretanto, no site da banda falam de um quinto álbum a ser lançado em finais de 2010, com tema inéditos e regravações, que desconheço se veio efectivamente a ver a luz do dia.

Foi pena que tivessem acabado zangados e com falta de dinheiro. Mas o que deixaram é mais do que suficiente para que sejam ouvidos e apreciados. Na opinião deste Perú atemorizado com o Natal, este é um trabalho que se deve ter em casa para quando duvidamos do poder criador da espécie humana, por exemplo, depois de dois minutos de Mariah Carey.



Obras Esquecidas ou Injustamente Depreciadas

Recordo-me perfeitamente de que não estranhei a explosão de euforia que presenciei numa pequena discoteca em Hastings sobre um novo disco que andava nas bocas do mundo. Falava-se de inspiração, de rara genialidade e murmuravam-se coisas que nos davam ideia de absoluta novidade! Finalmente corria ar fresco numa “pop-rock” ainda ensombrada pelas grandes edificações do passado! Não me lembro exactamente do mês, mas guardo recordações de um belo Outono no verdejante East Sussex, de que jamais esquecerei. Corria o ano de 1997 e o já então famoso álbum era o “OK Computer” dos Radiohead.
Na verdade, havia comprado o disco umas semanas antes, em Portugal. Tal não foi o flash que apanhei, que me apressei a oferecê-lo a um amigo no dia seguinte e comprei um segundo que também acabei por oferecer uns dias depois (ao meu cunhado). Comprei um terceiro que ainda conservo e recordo-me de ter comentado, logo nesse mesmo ano, junto de amigos, conhecidos e de quem me quisesse ouvir, de que estávamos na presença de um dos melhores álbuns dos últimos vinte anos! Uns concordaram absolutamente; outros gargalharam e ainda houve os que escarneceram… enfim, coisas do “gosto dos outros” (ver debate no Peru sobre o assunto).
Mas o objectivo deste texto não é falar do “OK Computer”, que beneficiou e continua a beneficiar de um justo e merecido reconhecimento, mas sim do efeito que o mesmo teve (e continua a ter) em outras obras que tiveram o “infortúnio” de serem lançadas nesse mesmo ano. E certamente entre outras, há uma que merece destaque e atenção (muita): trata-se do álbum “Ladies and gentlemen we are floating in space” dos Spiritualized. Apesar das reacções positivas (eleito álbum do ano pela revista NME), não obteve o reconhecimento que merece.
Os Spiritualized são um grupo Inglês de rock alternativo formado por Jason Pierce, em 1990, que por vezes usa o pseudónimo de J. Spaceman. Pierce escreve e compõe todo o material da banda e tem sido, à semelhança de Fripp nos King Crimson, o mentor e membro constante ao longo dos anos.
“Ladies and gentlemen we are floating in space” (o terceiro álbum do grupo) é muito mais do que um somatório de canções interessantes. É uma música arrebatadora e invulgarmente poderosa que nos encanta e enfeitiça verdadeiramente. Magnificente, pujante e envolvente, consegue conjugar, com rara mestria, a aspereza fogosa, livre e vertiginosa da electricidade com uma base sonora densa, cadenciada, aveludada e cálida. Um exemplo notável de energia e largueza experimentalista conjugada com simplicidade, beleza e imperturbabilidade! Melhor que o “OK Computer”? Talvez não… mas, tal como este, um dos melhores de sempre! Grande música!

12 maio 2011

Bob Log III

Bob LOG III é um verdadeiro original e um one man band. Tem que ser visto para se acreditar, principalmente nos especáculos ao vivo (com a particularidade de nunca tirar o capacete). Assim de repente, parece um trasher punk sem sentido. É capaz de ser.

Esta é a versão de estúdio de "My shit is perfect". Vai estar no "Milhões de Festa", festival de verão no parque fluvial de Barcelos em Julho, e será sem dúvida uma actuação a não perder.

link para o festival: http://www.milhoesdefesta.com/



Aqui fica também um tributo à inolvidável Lolo Ferrari: "Clap your tits".

11 maio 2011

Um tema por dia 11/05/2011

O novo álbum de Fleet Foxes está muito bom.
Ouçam o tema título:

Um tema por dia?

Qual o sentido de em cada em dia pôr debaixo do foco mais um pequeno pedaço de música que está disponível para todos nesse peeping tom universal chamado you tube?

Qual o sentido de qualquer coisa na vida, a não ser que seja feita para ganhar dinheiro ou para grangear afectos?

Hoje não ponho nenhum video, deixo só a questão.

10 maio 2011

Dois álbuns místicos

Golden Avatar, A Change of Heart, 1976


Um álbum do cérebro de Michael Cassidy recheado de instumentos, bem tocados, composições ricas,tocar vários géneros, entre o rock, o folk, o jazz, a música oriental. Talvez sem a centelha para fazer uma delas destacar-se, mas uma audição agradável. Não existe em CD, que eu saiba.

Stomu Yamashta, Steve Winwood, Michael Shrieve - Go, 1976


Pop, rock, jazz e clássica em fusão mística num álbum conceptual que lida com a dualidade de estados... Parece interessante? Então V. é um legítimo representante da década de 60 e abomina o punk. Em todo o caso, um resultado muito conseguido.

09 maio 2011

...WTF?

E agora, para algo completamente diferente...

Respondendo ao meu post dos concertos do Pat Metheny, Sérgio R. disse-me (é demasiado preguiçoso para postar!):

Já agora: George Clinton, mentor dos Parliament/ Funkadelic vai estar na Casa da Música em Junho. Bilhetes a 20 aéreos.

Alguns albuns de Funkadelic que vale a pena ouvir:

Maggot Brain



Standing on the Verge of Getting it on (com o genial Eddie Hazel)



Let's Take It to the Stage

entre outros.

Um tema por dia 9/5/2011

Neil Hannon dos Divine Comedy numa versão soberba do Time to Pretend dos MGMT...

05 maio 2011

Pat Metheny na Europa no Outono

Mas não em Portugal!

Pat Metheny divulgou hoje as datas da sua tournée europeia com Larry Grenadier e Bill Stewart

October
23 Sofia, Bulgaria National Palace of Culture
24 Skopje, Macedonia Universal Hall
25 Bucharest, Romania Palace Hall
27 Belgrade, Serbia Sava Centar
28 Budapest, Hungary Budapest Congress Center
30 Hamburg, Germany Hamburg Jazz Festival
31 Russelsheim, Germany Teater Russelsheim
November 2011
1 Ludwigshafen, Germany Theater imPfalzbau
2 Grenoble, France MC2
3 Luzern, Switzerland KKL Luzern
4 Ingolstadt, Germany Stadthalle
5 Zabrze, Poland Dom Muzy ki l Tanca
6 Wroclaw, Poland Orbita
8 Poznan, Poland Arena
9 Warsaw, Poland Congress Hall
10 Bratislava, Slovakia Incheba Concert Hall
11 Zagreb, Croatia Zagreb Jazz Festival
12 Bologna, Italy Europauditoirum On Sale
13 Roma, Italy Auditorium Parco della Musica
14 Avellino, Italy Teatro C. Gesualdo
15 Bari, Italy Teatroteam
December 2011
4 Athens, Greece Pallas Theater

Um tema por dia (04/05/11)

Lucinda Williams, Blue, aqui ao vivo.

Do álbum "Essence".

Não sou fã de country, mas sou fâ de Lucinda Williams. Tudo o que ela faz tem um cunho de autenticidade. Ouçam.

04 maio 2011

Um tema por dia (3/5/2011)

É já amanhã que toca em Lisboa Aloe Blacc, que ficou justamente famoso pelo soul moderno do seu segundo álbum, que se move nas mesmas águas de Nathaniel Hawthorne. Fica aqui como aperitivo o seu som mais ouvido, a muito apropriada FMI-themed " I need a dollar"...

02 maio 2011

Um tema por dia (2/05/2011)

Grande  nabo! O You tube não deixou de permitir a incorporação, apenas a mudou de sítio e passou a só estar disponível quando se escolhe "partilhar". Sou mesmo um Digital Immigrant!

Bom! Hoje temos o novo álbum de Bill Calahan, que tem rodado a aquecer, mas digo-vos já que está muito bom. Um pouco diferente do anterior, e já por demais louvado, "Sometimes I Wish We Were an Eagle", talvez menos, digamos, metafisico... mas um caso raro de uma voz e instrumentação esparsa, com a combinação certa de guitarras acústicas e electricas inteligentes. E muito boas composições.

Aqui fica o segundo tema de "Apocalypse", a propósito, desde já uma capa candidata aos troféus do ano.

Para já o meu tema favorito é "Universal Applicant". Work in progress...

01 maio 2011

Um tema por dia (1/05/2011)

A esta hora, deve tocar em Gouveia Peter Hammill. Para recordar este resistente e espírito inquieto, lúcido e romântico, um dos seus temas mais belos, do primeiro álbum a solo "Fool's Mate": The Birds.