Os Sleepy Sun arderam em Fever em 2010 e nele coube esta bela balada. Ouçamos.
30 setembro 2012
23 setembro 2012
Musica Nova: Squackett
Os Squackett têm chamado a atenção por a) terem um nome ridículo b) esse nome resultar da junção de duas vacas sagradas do progressivo inglês, Steve Hackett e Chris Squire. Steve Hackett tem uma prolífica carreira, entre formações várias e uma carreira a solo, pelo que é redutor dizer que é "o guitarrista dos Genesis", embora tenha sido esse "posto" que lhe deu fama. Já Chris Squire é o baixista de sempre dos Yes, bastante parco em gravações a solo, embora, logo no primeiro registo em nome próprio tenha arrancado críticas justamente muito positivas (se não estou em erro, e hoje estou preguiçoso, em 1974, ou 75, com "Fish Out of Water").
Portanto, pelas razões que são o que menos interessa, juntaram-se e fizeram uma obra, "A Life Within a Day", que tem recebido honras devidas ao estatuto dos seus autores e recebeu até um prémio da única revista que publicação regular que eu conheço dedicada ao mundo do rock progressivo, a Prog, edição da Classic Rock.
E vamos ao que interessa: é bom? Nim. No seu pior, são uns Asia requentados, e isso é muito mau. No seu melhor, produzem algumas baladas interessantes (Aliens, Perfect Love Song). Não está em causa a mestria, mas sim a composição, o sentido de risco e a relevância. Isto é rock bundão, daquele que pisa e repisa clichés de há 30-40 anos. Ouve-se, aprecia-se o apontamento ocasional, mas é para guardar na prateleira.
É por isso que de todo aprecio sobretudo as duas baladas, que ficam no ouvido.
A nova música desafiante, inovadora, não passa por aqui. Passa por Owen Pallet, Sufjan Stevens, Radiohead, Grizzly Bear, Efterklang, Dirty Projectors... e tantos outros. Deixemos dormir os avozinhos...
O que tem sido mais destacado e que dá nome ao álbum.
Para mim, o melhor reside em temas mais simples, mais melódicos. Neste "Aliens", a temática sci-fi é evidente...
Ou este "The Perfect Love Song", que fecha o álbum:
Portanto, pelas razões que são o que menos interessa, juntaram-se e fizeram uma obra, "A Life Within a Day", que tem recebido honras devidas ao estatuto dos seus autores e recebeu até um prémio da única revista que publicação regular que eu conheço dedicada ao mundo do rock progressivo, a Prog, edição da Classic Rock.
E vamos ao que interessa: é bom? Nim. No seu pior, são uns Asia requentados, e isso é muito mau. No seu melhor, produzem algumas baladas interessantes (Aliens, Perfect Love Song). Não está em causa a mestria, mas sim a composição, o sentido de risco e a relevância. Isto é rock bundão, daquele que pisa e repisa clichés de há 30-40 anos. Ouve-se, aprecia-se o apontamento ocasional, mas é para guardar na prateleira.
É por isso que de todo aprecio sobretudo as duas baladas, que ficam no ouvido.
A nova música desafiante, inovadora, não passa por aqui. Passa por Owen Pallet, Sufjan Stevens, Radiohead, Grizzly Bear, Efterklang, Dirty Projectors... e tantos outros. Deixemos dormir os avozinhos...
O que tem sido mais destacado e que dá nome ao álbum.
Para mim, o melhor reside em temas mais simples, mais melódicos. Neste "Aliens", a temática sci-fi é evidente...
Ou este "The Perfect Love Song", que fecha o álbum:
Nova Música: Thousands
Refresco de fim de verão, da Bella Union (etiqueta dos Fleet Foxes, por exemplo)
17 setembro 2012
Mais sobre os Led: trailer do lançamento do DVD
Alinhamento:
“Good Times Bad Times”, “Ramble On”, “Black Dog”, “In My Time Of Dying”, “For Your Life”, “Trampled Under Foot”, “Nobody´s Fault But Mine”, “No Quarter”, “Since I´ve Been Loving You”, “Dazed And Confused”, “Stairway To Heaven”, “The Song Remains The Same”, “Misty Mountain Hop”, “Kashmir”, “Whole Lotta Love” e “Rock And Roll”.
“Good Times Bad Times”, “Ramble On”, “Black Dog”, “In My Time Of Dying”, “For Your Life”, “Trampled Under Foot”, “Nobody´s Fault But Mine”, “No Quarter”, “Since I´ve Been Loving You”, “Dazed And Confused”, “Stairway To Heaven”, “The Song Remains The Same”, “Misty Mountain Hop”, “Kashmir”, “Whole Lotta Love” e “Rock And Roll”.
16 setembro 2012
Neil Young: Psychedelic Pill
... a caminho o novo álbum de Neil Young, depois de Americana, um álbum baseado no folklore norte-americano. O álbum mais longo que alguma vez gravou, com longas digressões instrumentais. Aguardemos!
Led Zeppelin: Video da reunião final a caminho
Em 2007 os Led Zeppelin reuniram-se pela última vez, na O2 Arena em Londres, com o filho de John Bonham na bateria, para uma homenagem a Ahmet Ertegun. Não parece fácil que se voltem a reunir, pelo que a saída do DVD do Concerto é aguardada com expetativa.
O vídeo deve sair a a 22 de Novembro (portanto, a tempo para as compras do sapatinho, isto é, se houver compras do sapatinho este ano...)
Sobre uma possível nova reunião da banda, Robert Plant declarou à Rolling Stone:
"I've gone so far somewhere else that I almost can't relate to it... It's a bit of a pain in the pisser to be honest. Who cares? I know people care, but think about it from my angle - soon, I'm going to need help crossing the street."
13 setembro 2012
Favoritos: Joni Mitchell - Both Sides Now
Já devo ter falado aqui deste tema, mas é cíclico como as estações, volto sempre a ele. Há temas assim, que nos acompanham durante a vida toda, e com as nuances da própria vida vão ganhando novos sentidos e as memórias de alguma forma acomodam-se a ele, até serem como baús de recordações que se abrem de cada vez que os ouvimos.
Joni Mitchell era bastante jovem quando compôs o tema. Em Abril de 1967 eu nem era nascido e ela tinha 24 anos. Foi um sucesso, primeiro na versão de Judy Collins (os Fairport Convention também a gravaram, mas não foi publicada na altura), depois na voz da própria Joni, que nesta altura ainda era bastante aguda, com algumas parecenças com a Joan Baez. Ao ouvirmos hoje a forma quase pueril como o cantava na altura (e até sobretudo a versão da Judy Collins), toda a letra parece uma interrogação filosófica quase trivial sobre um jogo de sentidos quanto à observação das nuvens e o duplo acepção de "up" and "down". Como podia ser de outra forma?
Em 2000, o tema ganhou uma nova versão no álbum precisamente chamado "Both Sides Now", em que Joni recriou com uma orquestra alguns dos seus temas favoritos.
É nesta versão que o tema ganha novos sentidos, por força da interpretação. A forma quase recitativa, grave e meditativa como a canta mantém a angústia existencial, mas revela um estado de paz, de aceitação que é quase um juízo final. Aqui o tema parece roçar o autobiográfico e já não é apenas um jogo, mas uma verdade sentida.
Terei ouvido este tema centenas de vezes e de todas as vezes o acho comovente. A letra segue um formato típico de canção, voltando sempre ao refrão, mas evoluindo num sentido mais lato: primeiro o leit-motiv da canção, as nuvens, depois o amor, depois a vida. E a conclusão: "I really don't know life at all".
Arrisquei-me a fazer uma tradução ad-hoc e sem pretensões de inteiro rigor, mas que creio que capta o espírito, porque, embora o inglês não seja difícil de perceber, acredito que muitas vezes o lemos levianamente e o português sempre é o português... Espero que gostem.
Arcos e voltas de cabelos de anjos
Joni Mitchell era bastante jovem quando compôs o tema. Em Abril de 1967 eu nem era nascido e ela tinha 24 anos. Foi um sucesso, primeiro na versão de Judy Collins (os Fairport Convention também a gravaram, mas não foi publicada na altura), depois na voz da própria Joni, que nesta altura ainda era bastante aguda, com algumas parecenças com a Joan Baez. Ao ouvirmos hoje a forma quase pueril como o cantava na altura (e até sobretudo a versão da Judy Collins), toda a letra parece uma interrogação filosófica quase trivial sobre um jogo de sentidos quanto à observação das nuvens e o duplo acepção de "up" and "down". Como podia ser de outra forma?
Em 2000, o tema ganhou uma nova versão no álbum precisamente chamado "Both Sides Now", em que Joni recriou com uma orquestra alguns dos seus temas favoritos.
É nesta versão que o tema ganha novos sentidos, por força da interpretação. A forma quase recitativa, grave e meditativa como a canta mantém a angústia existencial, mas revela um estado de paz, de aceitação que é quase um juízo final. Aqui o tema parece roçar o autobiográfico e já não é apenas um jogo, mas uma verdade sentida.
Terei ouvido este tema centenas de vezes e de todas as vezes o acho comovente. A letra segue um formato típico de canção, voltando sempre ao refrão, mas evoluindo num sentido mais lato: primeiro o leit-motiv da canção, as nuvens, depois o amor, depois a vida. E a conclusão: "I really don't know life at all".
Arrisquei-me a fazer uma tradução ad-hoc e sem pretensões de inteiro rigor, mas que creio que capta o espírito, porque, embora o inglês não seja difícil de perceber, acredito que muitas vezes o lemos levianamente e o português sempre é o português... Espero que gostem.
Joni Mitchell - Both
Sides Now
Autora: Joni Mitchell
Arcos e voltas de cabelos de anjos
E castelos de gelado
no ar
Canyons de penas em volta
Já olhei para as nuvens assim
Mas hoje elas só tapam
o sol
Elas chovem e nevam sobre todos nós
Tantas coisas que eu poderia ter feito
Mas as nuvens meteram-se à frente
Já olhei para as nuvens de ambos os lados
De cima, de baixo e no entanto
São as ilusões das nuvens que eu recordo
Na verdade, não conheço as nuvens de todo
Luas em Junho e carroceis de feira
A tontura rodopiante que sentes
À medida que os contos de fadas se tornam reais
Já olhei para o amor dessa maneira
Mas hoje é só mais um espetáculo
Deixa-los a rir qando te vais
E se te importas, não os deixes perceber
Não te entregues a eles
Já olhei para o amor de ambos os lados
De dar e receber, e no entanto
São as ilusões do amor que eu recordo
Na verdade não conheço o amor de todo
Lágrimas e receios e sentir orgulho
De dizer “amo-te” em alto e bom som
Elas chovem e nevam sobre todos nós
Tantas coisas que eu poderia ter feito
Mas as nuvens meteram-se à frente
Já olhei para as nuvens de ambos os lados
De cima, de baixo e no entanto
São as ilusões das nuvens que eu recordo
Na verdade, não conheço as nuvens de todo
Luas em Junho e carroceis de feira
A tontura rodopiante que sentes
À medida que os contos de fadas se tornam reais
Já olhei para o amor dessa maneira
Mas hoje é só mais um espetáculo
Deixa-los a rir qando te vais
E se te importas, não os deixes perceber
Não te entregues a eles
Já olhei para o amor de ambos os lados
De dar e receber, e no entanto
São as ilusões do amor que eu recordo
Na verdade não conheço o amor de todo
Lágrimas e receios e sentir orgulho
De dizer “amo-te” em alto e bom som
Sonhos e esquemas e multidões do circo
Já olhei para a vida desta forma
Agora os novos amigos comportam-se de forma estranha
Abanam a cabeça e dizem que mudei
Bem, algo se perdeu, mas ganhou-se também
Algo em viver o dia a dia
Já olhei para a vida dos dois lados
Da derrota e da vitória e no entanto
São as ilusões da vida que eu recordo
Na verdade, não conheço a vida de todo.
Já olhei para a vida desta forma
Agora os novos amigos comportam-se de forma estranha
Abanam a cabeça e dizem que mudei
Bem, algo se perdeu, mas ganhou-se também
Algo em viver o dia a dia
Já olhei para a vida dos dois lados
Da derrota e da vitória e no entanto
São as ilusões da vida que eu recordo
Na verdade, não conheço a vida de todo.
12 setembro 2012
Nova Música: Muse - Madness
Os omnipotentes Muse estão a chegar com novo álbum, "2nd Law", e saiu o video do segundo tema, "Madness". Batida poderosa, tema morno... a ver o que nos reserva o álbum, a 1 de Outubro.
Sempre achei que os Muse pretendiam seguir as pisadas dos U2 e de fato o final inflamado do tema pode muito bem passar por um exercício pro-Bono (muito boa, esta!)
O mini-solo de guitarra... bem, pode-se dizer que Brian May dos Queen fez escola!
11 setembro 2012
Prog Rock Awards
Curiosamente, só agora, em 2012, o género parece encontrar algum reconhecimento e dinâmica que lhe permite ter os Prog Rock Awards (promovidos pela revista Prog Rock, spin off da Classic Rock).
A peça jornalística é pouco menos que idiota e insiste nos clichés estafados - perguntar a Justin Hayward se o prog é um pouco embaraçoso? A um dos que, com os seus Moody Blues, mais contribuiram para definir o género? É como perguntar a Maria João Pires se Chopin não é um bocadinho piroso... Mas pouco se pode esperar de décadas de incultura jornalística e desprezo (ignorância) por parte de jornalistas sem qualquer cultura musical - de qualquer tipo.
É curioso ver as "personalidades" juntas no evento - desde Justin Hayward a um sempre caustico Rick Wakeman, a um muito envelhecido Peter Hammill, Steve Hackett... É como uma gala da TV, só que com os nomes que para muitos de nós foram e são ídolos "sérios" e nomes reconhecidos - nada a ver com Armando Gama e o Seu Asteróide ou o hiperbólico Herman José...
A propósito, o visionary Award foi entregue a Peter Hammill e o prémio Anthem à reunião de esforços de Chris Squire e Steve Hackett sob o nome de Squackett - um prémio de que eu discordo, mas infelizmente não me chamaram para o júri... Mais sobre Squackett em breve no Perú!
A peça jornalística é pouco menos que idiota e insiste nos clichés estafados - perguntar a Justin Hayward se o prog é um pouco embaraçoso? A um dos que, com os seus Moody Blues, mais contribuiram para definir o género? É como perguntar a Maria João Pires se Chopin não é um bocadinho piroso... Mas pouco se pode esperar de décadas de incultura jornalística e desprezo (ignorância) por parte de jornalistas sem qualquer cultura musical - de qualquer tipo.
É curioso ver as "personalidades" juntas no evento - desde Justin Hayward a um sempre caustico Rick Wakeman, a um muito envelhecido Peter Hammill, Steve Hackett... É como uma gala da TV, só que com os nomes que para muitos de nós foram e são ídolos "sérios" e nomes reconhecidos - nada a ver com Armando Gama e o Seu Asteróide ou o hiperbólico Herman José...
A propósito, o visionary Award foi entregue a Peter Hammill e o prémio Anthem à reunião de esforços de Chris Squire e Steve Hackett sob o nome de Squackett - um prémio de que eu discordo, mas infelizmente não me chamaram para o júri... Mais sobre Squackett em breve no Perú!
St. Vincent Vs. David Byrne
Dois temas de "Love this Giant", que sai hoje:
Assim à primeira, parece que Mr. Byrne trouxe algum ecletismo e variedade às paisagens às vezes áridas Annie Erin Clark aka St. Vincent.
Claramente, o segundo tema é mais Talking Heads.
Ouçam:
Só Annie: Dueto
Assim à primeira, parece que Mr. Byrne trouxe algum ecletismo e variedade às paisagens às vezes áridas Annie Erin Clark aka St. Vincent.
Claramente, o segundo tema é mais Talking Heads.
Ouçam:
Só Annie: Dueto
Coelhinhos Dourados
Para quem se deixa tentar pelas sonoridades electronicas (por onde vai alguma da música ritmicamente mais interessante que hoje se faz), este lançamento dos portugueses Golden Bambi pode ser uma descoberta.
EP de Golden Bambi, “Little Rabbits” - Tunacat Records, 2012
(o vídeo é mau, é preferível ouvir de olhos fechados).
04 setembro 2012
Vibravoid - Ah, valentes!
Atenção fãs do krautrock, do delírio cósmico e do delirium tremens, amantes do Piper At Gates of Dawn (para os fãs-bebés do Peru, concedo em dizer que é o primeiro disco dos Pink Floyd!), fumadores inveterados de substâncias proibidas e outros Evasores Mentais: chega nova obra dos germânicos Vibravoid, "Gravity Zero", composta de riffs monstruosos, baterias imparáveis, remoinhos sónicos encharcados de fuzz guitar e Atmosfera Alienígena Ilimitada.
Para terem uma boa noção do assalto sónico perpretado, ficam dois temas, um do álbum ao vivo no Burg Herzberg Festival, e outro do novo álbum.
PS - não é descabido - eu fiz a experiência - pôr os dois temas a tocar em simultâneo - para efeito agravado...
Para terem uma boa noção do assalto sónico perpretado, ficam dois temas, um do álbum ao vivo no Burg Herzberg Festival, e outro do novo álbum.
PS - não é descabido - eu fiz a experiência - pôr os dois temas a tocar em simultâneo - para efeito agravado...
Subscrever:
Comentários (Atom)



